Retrospectiva - A Ciclocidade em 2016

BMM2016 09 FaixasMarginais

Ciclistas do Ciclo ZN erguem as bicicletas contra as
altas velocidades nas marginais no Dia Mundial Sem Carro 2016

 

Em 2016, a Ciclocidade passou por tudo - de organizar o maior evento nacional de cultura da bicicleta a organizar o processo de eleições internas, passando pelo enorme trabalho de acompanhamento das eleições (e pós eleições) municipais. Em um ano em que a área de Participação se consolidou, com cadeiras e suplências em diversos conselhos da cidade, a área de Pesquisa também cresceu, publicando três pesquisas inéditas e apontando para um futuro interessante em 2017.

O destaque de 2016, no entanto, deve ir para a capacidade que os Grupos de Trabalho tiveram de ampliar a atuação da associação nos mais diversos temas: gênero, acompanhamento das eleições municipais, acompanhamento da Câmara de Vereadores ou do Governo do Estado e Assembleia Legislativa, contagens de ciclistas, bicicleta e comércio, Mês da Mobilidade, entre outros.

Os GTs da Ciclocidade começaram a existir em 2015 - alguns de caráter mais permanente, outros mais efêmeros. É natural que alguns tenham maior ou menor ênfase, segundo a conjuntura do momento. Mas chega a ser impressionante como as ações às vezes pontuais de cada um forma um mosaico amplo, fazendo com que sejamos capazes de cobrir tantas frentes diferentes.

Confira o que fizemos em 2016 e ajude a Ciclocidade a crescer em 2017! Associe-se já ou renove sua associação!

 

Bicicultura 2016

 

De todos os capítulos de 2016, o Bicicultura é um dos mais importantes. Com números superlativos em todos os aspectos, o maior encontro nacional de bicicletas ocupou a Praça das Artes, Galeria Olido, entorno do Theatro Municipal, Viaduto do Chá e até mesmo as ruas de São Paulo entre os dias 26 e 29 de maio, para um público estimado em mais de 10 mil pessoas.

O Bicicultura 2016 é um evento idealizado pela UCB - União de Ciclistas do Brasil e teve a edição de São Paulo realizada por Ciclocidade, Instituto CicloBr e Instituto Aromeiazero, com patrocínio do Banco Itaú, apoio institucional da Prefeitura de São Paulo, além de diversas entidades apoiadoras e parceiras (veja a lista completa neste link).

Bicicultura SeelcaoEditalProgramacao

A seleção das 250 propostas de 18 estados para o Bicicultura 2016

 O Bicicultura começou com uma chamada para ajudantes já em janeiro, votação de identidade visual em fevereiro e, a partir daí, houve um furacão de atividades que é difícil de traduzir em uma retrospectiva.

Com o patrocínio e apoio de diversas entidades parceiras, além de uma campanha de financiamento colaborativo, pudemos primeiro abrir - depois, ampliar - uma chamada nacional para atividades de ciclistas de todo o Brasil, contemplando iniciativas de 18 estados (foram 250 atividades inscritas!) em painéis, exposição de casos, atividades culturais e esportivas, bicicletada, lançamento de livros, festa, mostra de vídeos, de fotografias, de GIFs animados, campeonatos de BMX e Flatland, palestras magnas com especialistas internacionais, além de várias outras atividades.

Abaixo, a série de vídeos oficiais tenta passar um pouco por cada eixo da programação - para mulheres, de esporte, Biciculturinha (infantil), noturna etc - e as imagens dão uma ideia da grade de eventos.

 

Bicicultura Numeros

Bicicultura Programacao1

Bicicultura Programacao2

Área de Pesquisa da Ciclocidade

Pesquisa RJ

Leticia Lemos, diretora de pesquisa da Ciclocidade, no RJ

A área de Pesquisa da Ciclocidade tem crescido cada vez mais dentro da associação. Para este ano, havíamos planejado publicar uma pesquisa inédita, mas acabamos publicando três, ao passo que mantivemos um número alto de contagens de ciclistas. Em 2016 ampliamos os pontos de contagens de ciclistas e agregamos, ainda, contagens de pedestres em uma parceria inédita com a Cidadeapé (veja mais na seção sobre o GT Contagens).

Perfil Ciclistas
O ano começou com a publicação do relatório completo do levantamento "Perfil de quem usa bicicleta na cidade de São Paulo", um documento de quase 100 páginas e 150 gráficos. Os dados iniciais haviam sido lançados em setembro de 2015 e desde então trabalhamos em cima do material bruto das 1804 entrevistas.

Para a amostragem de perfil de ciclistas, começamos a usar Pandas - uma biblioteca para análise de dados em Python similar ao R - e isso nos possibilitou automatizar a geração dos gráficos e dos cruzamentos entre as respostas. O Pandas acelerou a etapa de análise de dados, uma vez que os gráficos já se apresentam prontos para praticamente todos os cruzamentos que podemos ter em mente. Desde então, os scripts feitos para o programa têm sido usados em todas as outras pesquisas da Ciclocidade.

Em junho, fizemos um levantamento online para saber quais deveriam ser os compromissos prioritários para as candidatas e candidatos das eleições municipais com relação à mobilidade a pé e por bicicletas (veja mais sobre ele na seção sobre o GT Eleições Municipais). Em setembro, publicamos os destaques da pesquisa "Mobilidade por Bicicleta e os Desafios das Mulheres de SP", que estava sendo montada desde 2015 pelo GT Gênero da Ciclocidade (mais sobre esta na seção sobre o GT Gênero).

Livro MobilidadePorBicicletaNoBrasil

Em novembro, a Ciclocidade teve dois artigos publicados no livro Mobilidade por Bicicleta no Brasil, do Laboratório de Mobilidade Sustentável (PROURB/UFRJ), ONG Transporte Ativo e Observatório das Metrópoles. Em um dos textos, Letícia Lemos, Marina Harkort e Paula Santoro, analisam os dados da pesquisa “Perfil do Ciclista Brasileiro” a partir da perspectiva de gênero; em outro, intitulado “Migração modal: por que estamos perdendo ciclistas diariamente”, Daniel Guth chama a atenção para a necessidade de solucionar a falta de respeito dos condutores de veículos motorizados e a falta de segurança no trânsito. O livro pode ser baixado de forma gratuita neste link.

Pesquisa GruposPedal

Michel Will, diretor de Cultura e Formação da Ciclocidade

Para encerrar o ano, lançamos ainda uma pesquisa online junto com Sesc Santo André e o portal Bike é Legal sobre os grupos de pedal na Região Metropolitana de São Paulo, e que contou com a respostas de quase mil participantes de grupos. Os resultados preliminares foram apresentados no Sesc Santo André ao início de dezembro e o relatório completo será publicado em 2017.

 

Participação em Conselhos

#OcupaCMTT

Integrantes do #OcupaCMTT no primeiro dia de votação

A Ciclocidade ampliou em 2016 uma de suas principais estratégias de advocacy: a ocupação dos espaços institucionais de participação e diálogo da cidade.

Para o Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), elegemos Marina Harkot, do GT Gênero da Ciclocidade, para a cadeira de bicicleta, com Cyra Malta como suplente. Ainda com relação ao CMTT, a Ciclocidade teve um papel importante na discussão e efetiva implementação da paridade de gênero dentro do conselho, além de fazer parte do movimento #OcupaCMTT, um movimento de grupos da sociedade civil que elegeu diversas conselheiras e conselheiros com alinhamento às pautas da mobilidade ativa.

A Ciclocidade também participa desde 2015 do Conselho Municipal de Política Urbana (CMPU), tendo como nomes o ex-diretor de participação Carlos Aranha (titular) e o ex-diretor geral Thiago Benicchio (suplente).

Para uma cadeira na Câmara Técnica de Legislação Urbanística (CTLU) a Ciclocidade indicou a diretora de pesquisa da associação, a arquiteta e urbanista Leticia Lemos. Para a suplência está o advogado Hélio Wicher Neto.

Para finalizar o ano, o GT Gênero da Ciclocidade conseguiu eleger a Priscila Costa para a suplência do Conselho Municipal de Política para Mulheres.

 

Câmara Temática de Bicicleta

Câmara Temática de Bicicleta

Reunião da Câmara Temática de Bicicletas com o secretário municipal de Transportes


A Câmara Temática de Bicicleta é ligada diretamente ao Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT). Em 2016, ano em que a rede cicloviária em implantação na cidade se consolidou, a entidade também se fortaleceu.

Em abril, a Câmara fez sua primeira reunião do ano já com nova composição, considerando paridade de gênero e frequência de conselheiras e conselheiros nas reuniões. Ao longo de 2016, realizou três encontros com o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, e um com o prefeito Fernando Haddad.

Em dezembro, a Câmara Temática realizou encontros regionais para mapear as conexões prioritárias para o ano de 2017. Cada região indicou 10km prioritários para serem executados ao longo deste ano, conectando a malha implantada e qualificando a rede cicloviária como um todo.

 

GT Acompanhamento da Câmara de Vereadores

Termo de Cooperação

Daniel Guth, diretor geral da Ciclocidade, e Marina Harkot,
conselheira do CMTT, na Câmara dos Vereadores

O GT de Acompanhamento da Câmara de Vereadores conseguiu uma grande vitória em 2016. Desde o início do ano, tentávamos buscar uma forma de acompanhar mais de perto os projetos de lei que tramitam na Câmara. Em dezembro, os esforços deram resultado e a Ciclocidade assinou um Termo de Cooperação Técnica com a Comissão de Trânsito e Transportes para que todos os projetos de lei que contenham palavras-chave relacionadas de alguma forma a bicicletas e à mobilidade ativa passem pela associação para emissão de parecer técnico relacionado a eles.

Com isso, a análise dos projetos passará a levar em consideração o conhecimento produzido pela sociedade, e não apenas as conclusões das comissões técnicas formadas pelos vereadores. Na reportagem abaixo, de maio, o então diretor de Participação da Ciclocidade, Daniel Guth, explica a importância desse convênio.

O GT está tendo ainda uma participação importante na lei sancionada em setembro que institui o programa Bike SP, um programa que dá créditos a pessoas que usam bicicletas e que precisa ser regulamentado até o final de 2016.

VetaHaddad Zoneamento

Em março, lutamos também (infelizmente sem sucesso) para que o prefeito Fernando Haddad vetasse o artigo 174 da revisão da Lei de Zoneamento, um artigo que colocava em risco um dos principais avanços do Plano Diretor Estratégico ao flexibilizar por 3 anos o limite de construção de 1 vaga de garagem nos eixos de transporte de alta capacidade. O pedido chegou a ser entregue em mãos para o chefe de gabinete do Prefeito, Leonardo Barchini (foto acima).

 

GT Acompanhamento Governo Estadual e Assembleia Legislativa (Alesp)

Com boa parte das atenções voltadas para a esfera municipal devido às eleições, tivemos pouca oportunidade para ações volumosas voltadas para o Governo do Estado. Mas as duas ocasiões que apareceram foram bem aproveitadas.

A primeira delas se refere às constantes mortes de ciclistas em rodovias estaduais e o também constante descaso da Secretaria de Logística e Transportes em lidar com esse assunto. Após a morte do ciclista Dorgival Francisco de Souza na Rodovia dos Imigrantes, em julho, ficamos dois meses tentando uma reunião com o secretário Alberto José Macedo Filho. Conseguimos apenas no início de setembro.

Reunião Secretário estadual de transportes
A reunião (foto acima) contou com representantes da Ciclocidade, Bike é Legal, Vá de Bike, Instituto Aromeiazero, oGangorra, da coordenadora de Projetos Cicloviários da CET Suzana Nogueira e do deputado estadual pelo PSDB Carlos Bezerra Jr. Os principais resultados, que ainda não saíram do papel, foram a criação de um Grupo de Trabalho entre a secretaria e a sociedade civil, a criação de uma rubrica específica para criação de infraestrutura cicloviária já para o orçamento de 2017 e a convocação de uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa para dialogar sobre novas políticas voltadas para a segurança e incentivo ao uso de modais ativos.

Reunião Secretário Segurança
A segunda, que rendeu desdobramentos mais concretos, se deu com o secretário de Segurança Pública do Estado, Mágino Alves Barbosa Filho, também em setembro. Diante do anúncio, em agosto, sobre a criação do Banco Estadual de Bicicletas - o que poderia ser um grande equívoco da forma como estava sendo publicada - fizemos uma nota de posicionamento. A nota deu origem a uma reunião, da qual participaram representantes da Ciclocidade, Bike é Legal, Vá de Bike, Instituto Aromeiazero, Aliança Bike e do deputado estadual pelo PSDB Carlos Bezerra Jr.

Como principal resultado houve a criação efetiva, em novembro, de um Grupo de Trabalho entre a Secretaria e a Sociedade Civil. A primeira reunião (foto acima) aconteceu em dezembro, já com encaminhamentos para avaliar as melhores medidas na segurança de ciclistas da capital paulista.

Ainda na esfera estadual, a Ciclocidade conseguiu a criação e publicação de uma Frente Parlamentar pelo acesso e uso de bicicleta no Estado de São Paulo.

 

GT Eleições Municipais 2016

Gt Eleições - Haddad

A atuação do GT Eleições é daquelas que não se restringiu ao pleito, estendendo-se até o final deste ano e alongando-se ainda até o primeiro trimestre de 2017, quando a próxima gestão apresentará o seu Plano de Metas.

Durante o período anterior à campanha, o GT Eleições fez visitas a praticamente todos os principais candidatos e candidatas para apresentar a agenda da mobilidade ativa (mobilidade a pé e por bicicletas) em São Paulo. Visitamos as equipes de Marta Suplicy (candidata pelo PMDB), Fernando Haddad (PT, foto acima), João Doria (PSDB) e Ricardo Young (REDE), e só não estivemos com Celso Russomano (PRB) e Luiza Erundina (PSOL) pois estes não abriram suas agendas para nos receber.

GTEleicoes PesquisaPrioridades

Nossas visitas estiveram embasadas nos principais marcos legais relacionados à mobilidade ativa e à mobilidade urbana, como o Plano Nacional de Mobilidade Urbana, Plano Diretor Estratégico de São Paulo e Plano Municipal de Mobilidade Urbana de São Paulo. Para saber quais, dentro desses marcos legais, deveriam ser as prioridades para a próxima gestão, fizemos uma pesquisa online que contou com 725 respostas e cujos resultados podem ser vistos neste link.

BMM2016 01 RankingFinal

Já no período de campanha, o GT acompanhou de perto as propostas dos principais candidatos, lendo todos os programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral, assistindo todos os debates televisionados em rede aberta e as principais entrevistas concedidas em rádios ou sabatinas. Tais análises deram origem ao Ranking de Mobilidade Ativa, que foi atualizado algumas vezes ao longo da campanha e podia ser acompanhado na plataforma online mobilidadeativa.org.br.

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Acompanhamento dos debates à Prefeitura, na sede do Greenpeace Brasil

A Ciclocidade participou também de uma aliança de entidades de mobilidade para discutir os debates entre os candidatos logo após sua veiculação. Nesta aliança estavam organizações como Greenpeace Brasil, Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, WRI Cidades Sustentáveis, ITDP Brasil, Cidade dos Sonhos, Cidadeapé, ANTP - Associação Nacional de Transportes Públicos e Corrida Amiga. Fizemos também uma Carta de Compromisso com a Mobilidade Ativa para vereadores, assinada por 23 candidatos - dos quais, 4 se elegeram. 

 

 

Se o tema da mobilidade urbana nos debates estava abaixo da crítica, pelo menos pudemos nos divertir um pouco e fizemos um vídeo mostrando o que aconteceria caso os candidatos que defendiam a volta das altas velocidades nas marginais e na cidade fossem atropelados por um veículo a diferentes patamares de aceleração (primeiro vídeo acima). Outro que apareceu na internet e falava sobre o mesmo tema também era bem divertido, embora ninguém saiba ao certo de quem é a autoria.

 

GtEleicoes DebateBelasArtes

Debate com candidatos no Cine Belas Artes

Finalmente, em pleno Dia Mundial Sem Carro e às vésperas da votação, chamamos os candidatos para falar especificamente sobre mobilidade. Em um cine Belas Artes lotado, com a presença de Luiza Erundina, Ricardo Young, Altino Prazeres e representantes das demais candidaturas, a noite encerrou-se com um discurso histórico do ex-diretor de Participação da Ciclocidade e hoje coordenador do GT Mobilidade da Rede Nossa São Paulo, Carlos Aranha, que pode ser visto aqui.

Logo após a votação, as coisas começaram a acontecer ainda mais rápido. Já no final de semana seguinte, a frente pela mobilidade ativa, encabeçada por Ciclocidade e Cidadeapé, convocou uma plenária para discutir qual seria o posicionamento frente à nova gestão, que se delineava. A plenária aconteceu no sábado (8/10) e teve como principal encaminhamento a abertura de uma frente de diálogo com a futura gestão.

GTEleicoes PedaladaJoaoDoria

Pedalada com o prefeito eleito João Doria

No dia seguinte, fomos chamados para uma pedalada com o candidato eleito João Doria e pudemos transmitir a ele, sem intermediários, nossos questionamentos e preocupações relacionados à mobilidade ativa - foi naquele encontro que o futuro prefeito titubeou pela primeira vez com relação a aumentar a velocidade nas pistas locais das marginais.

AudienciaPublicaVelocidades
Após participarmos de uma audiência pública (acima) que discutia o aumento das velocidades nas marginais (acima) e com a definição de um nome para a secretaria de Transportes e Mobilidade, o do ex-presidente do Metrô e ciclista Sérgio Avelleda, escrevemos uma carta aberta direcionada a ele (24/11) e convocamos uma segunda plenária (26/11), agora diante de um novo cenário: o da iminência da volta das altas velocidades diante da impossibilidade de qualquer diálogo.

Dossiê MPE
Fizemos um encontro com representantes de vários grupos de ciclistas com o futuro secretário (6/12) no qual entregamos um dossiê com o histórico da mobilidade ativa em São Paulo e, poucos dias depois (19/12), juntamos uma documentação de cerca de 300 páginas para entregar ao Ministério Público do Estado, em uma tentativa de barrar o aumento das velocidades nas marginais (foto acima).

A história ainda está acontecendo. No dia 20/12 a futura gestão anunciou o chamado programa 'Marginal Segura'. Presentes na coletiva de apresentação, Ciclocidade e Cidadeapé soltaram uma nota à imprensa no mesmo dia e conseguiram dar um contraponto à mídia sobre a real 'segurança' anunciada para as marginais. A ação teve grande repercussão e, dois dias depois, a imprensa anunciou que a Ciclocidade e o Idec entrarão com uma ação civil contra a medida, em mais um capítulo que só terminará em 2017.

Nota Monica Bergamo

 

GT Contagens

Em 2015, tivemos um ano incrível relacionado à contagem de ciclistas, com 9 contagens realizadas. Este ano, a Ciclocidade esteve tão agitada que ficamos um pouco atrás, mas ainda com a expressiva marca de 6 contagens - o problema é que ainda estamos devendo alguns relatórios completos.

A temporada de contagens começou em junho, com a recém inaugurada ciclovia da Av. Eng. Luís Carlos Berrini, famoso eixo empresarial da zona sul de São Paulo, e impulsionada pelo coletivo Bike Zona Sul. Em agosto, fizemos a quinta contagem na Av. Eliseu de Almeida, na zona oeste, e, em setembro, também fizemos a quinta edição da contagem da Av. Paulista (esta, ainda sem relatório).

Contagem Eliseu

Se a Berrini já começa a apresentar números expressivos e a Paulista mostrou o mesmo patamar em número de ciclistas do levantamento anterior, a Eliseu continua a exibir aumento no volume de bicicletas que passam por ali, tornando-se a terceira ciclovia mais usada da cidade quando consideramos os locais onde já fizemos contagens - atrás, apenas, da própria Paulista e da Av. Faria Lima.

Em novembro, fomos para a zona leste, para a primeira contagem de ciclistas da região e possível graças ao empenho do coletivo Bike Zona Leste. Esta contagem mostrou-se especial para embasar a demanda local pela criação de infraestrutura cicloviária na Av. Águia de Haia, algo que conectaria outras ciclovias da zona leste.

ContagemMarginalTiete

Para encerrar o ano, fizemos uma corrida maluca e conseguimos duas contagens muito importantes, feitas em conjunto com a Cidadeapé, nas marginais Tietê (Ponte da Freguesia do Ó) e Pinheiros (ao lado da estação de trem Morumbi). Ainda não tivemos tempo de fazer o relatório completo para estes dois pontos, mas os resultados - que demonstraram mais de 19 mil pedestres na via local da Marginal Pinheiros, por exemplo - já foram protocolados no Ministério Público do Estado, para tentar barrar a insanidade da volta das altas velocidades nas marginais, proposta pela Prefeitura Municipal logo para o início de 2017.

 

GT Gênero

Leticia Lemos, Marina Harkot e Priscila Costa
apresentam os resultados da pesquisa do GT Gênero

 

O GT Gênero da Ciclocidade continuou a ter atividades intensas em 2016. A principal delas, a pesquisa "Mobilidade por Bicicleta e os Desafios das Mulheres de São Paulo", ocupou boa parte do tempo e planejamento. A pesquisa, tocada em todas as etapas por mulheres, vinha sendo desenvolvida desde o ano passado e culminou com o lançamento dos resultados principais em setembro, no auditório do Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo.

A pesquisa contou com 334 mulheres entrevistadas in loco, sendo 128 com ciclistas e 206 com não ciclistas, tendo uma amostra mínima de 5 entrevistadas ciclistas e 5 não ciclistas em cada uma das 32 subprefeituras da capital paulista. O relatório completo será publicado em 2017, mas as principais descobertas já estão online.

BoletimFevMar2016 Genero

Em março, o grupo promoveu o encontro 'Mobilidade por Bicicleta no Mês Internacional da Mulher', com a participação de aproximadamente 25 mulheres ciclistas (cis e trans) vindas de diversas cidades brasileiras e que hoje pedalam na capital paulista. Para a ocasião, a cartunista Laerte havia gravado um vídeo de depoimento para o GT, que pode ser visto abaixo.

Em agosto, houve um treinamento de mídia especialmente voltado para as mulheres interessadas em mobilidade e no uso da bicicleta como instrumento de transformação urbana, dado pela jornalista e pesquisadora Ana Carolina Nunes, da Cidadeapé. Já em dezembro, uma parte das participantes do GT participou do evento "Mobilidade Urbana e a Perspectiva das Mulheres", organizado pela WRI Brasil Cidades Sustentáveis e que discutiu um recorte de gênero sobre os principais desafios ligados à Mobilidade Urbana em São Paulo e Brasil.

 

Campanha Bicicleta faz bem ao Comércio

 

A campanha Bicicleta faz bem ao Comércio, tocada pelo GT Comércio da Ciclocidade, começou o ano publicando um texto feito em conjunto com o observatório de política urbana observaSP. Em fevereiro, participou com destaque da Feira do Empreendedor 2016 do Sebrae SP, onde pode falar diretamente a empresários sobre o porquê é interessante adaptar o comércio para receber bem o público ciclista, cada vez mais crescente na cidade.

Em abril, a campanha foi premiada pela ONG Transporte Ativo, do Rio de Janeiro, ficando em primeiro lugar na categoria Ação Educativa e Conscientização no III Prêmio – A Promoção da Mobilidade por Bicicleta no Brasil.

CampanhaBicicletaComercio JoaoDoria2

Com o Bicicultura 2016 e o processo eleitoral, ela voltaria a ter destaque somente em outubro, quando o então prefeito eleito Joao Doria posou com o adesivo de 'Bicicleta Bem-Vinda' e o 'Manual Bicicleta e Comércio', afirmando que a pauta é importante para a capital paulista. No dia seguinte, uma reportagem da Federação do Comércio de São Paulo também dava destaque ao material da campanha: "olhar para esse público e se articular para atraí-lo é estratégico para os negócios", comentou o presidente da Fecomercio na ocasião.

CampanhaBicicletaComercio SebraeSP

Também em outubro, o presidente Manfred Neun, da Federação Europeia de Ciclistas, a European Cyclists Federation - ECF, fez uma manifestação pública de apoio à campanha Bicicleta faz bem ao Comércio, tirando uma foto com o adesivo de 'Bicicleta Bem-Vinda'. Para terminar o ano, o GT Comércio participou do evento "O Ciclista Consumidor", também no Sebrae SP, ao início de novembro.

 

GT Ciclovia Ceagesp-Faria Lima

Gt Faria Lima

O grupo de trabalho da ciclovia Ceagesp-Faria Lima começou 2016 publicando nota de esclarecimento ao Ministério Público do Estado (MPE). Isso porque, em fevereiro, o MPE havia anunciado que entraria com uma ação civil por atos de improbidade administrativa relativos à implantação da ciclovia no âmbito da “Operação Urbana Consorciada Faria Lima”. O Ministério Público tem se posicionado com alguma frequência contra obras de infraestrutura cicloviária e havia considerado a exigência legal datada de mais de 20 anos como uma "obra eleitoreira".

O GT Faria Lima tem tido uma atuação constante de monitoramento às obras da região, pedindo com frequência mais qualidade e melhor sinalização.

Em setembro, a Ciclocidade e o CADES Pinheiros (Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) conseguiram uma grande vitória: a apresentação de um pedido ao Grupo de Gestão da Operação Urbana Consorciada Faria Lima para que importantes conexões cicloviárias sejam realizadas na ciclovia Ceagesp-Faria Lima (ligações que constam do processo original da Operação Urbana, de 1994).

O requerimento foi aprovado por unanimidade e, em dezembro, também foram aprovados os orçamentos e projetos básicos de estrutura cicloviária nas pontes Cidade Universitária e Jaguaré. Isso significa que a verba para a implantação já está garantida, faltando agora apenas a assinatura do prefeito para saírem do papel.

 

Mês da Mobilidade 2016

MesDaMobilidade2016 ZL

O Mês da Mobilidade 2016 abrigou logo no início um grande encontro em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital paulista, em 11/9. Grafitagem, confecção de stencil, mecânica comunitária aberta, rodas de conversa, Escola Bike Anjo e muita música foram algumas das atividades realizadas pela Ciclocidade, Instituto Aromeiazero, Bike Anjo, coletivo Bike Zona Leste e coletivo Periferia Invisível.

MesDaMobilidade2016 PontePinheiros


No Dia Mundial Sem Carro (22/9), a ponte estaiada Octávio Frias de Oliveira, na Marginal Pinheiros, e a ponte Casa Verde, na Marginal Tietê, amanheceram com duas grandes faixas pedindo a manutenção da política de velocidades reduzidas em São Paulo. A ação foi resultado do trabalho de muitas mãos, com ajuda especial do coletivo Ciclo ZN.

Mas setembro de 2016 esteve repleto de outras atividades, promovidas pelos grupos de trabalho da Ciclocidade (leia mais sobre cada uma delas nas seções específicas de cada GT). O GT Eleições Municipais é um dos que executou muitas ações em setembro, como o ranking da Mobilidade Ativa, acompanhamento dos debates televisionados das candidaturas à Prefeitura, promoção de encontro com candidatos no Cine Belas Artes, ações pós eleições pela frente de mobilidade ativa, dentre outras.

OcupaCMTT Geral

Já o GT Gênero lançou os resultados da pesquisa 'Mobilidade por Bicicleta e os Desafios das Mulheres de SP', enquanto o GT de Acompanhamento do Governo do Estado conseguiu reuniões importantes com os secretários de Segurança Pública do Estado e de Logística e Transportes. Também foi em setembro a posse do novo grupo de conselheiras e conselheiros do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), fruto da articulação do #OcupaCMTT.

Em outubro, lançamos um boletim especial que dá um panorama geral sobre todas essas atividades.

 

Oficina Comunitária Mão na Roda

MaoNaRoda Reportagem

A oficina comunitária Mão na Roda passou por um ano de grande reestruturação interna. Logo nos primeiros meses de 2016, o coletivo entendeu que seria melhor retirar a ajuda de custo dada para que as pessoas abrissem a oficina e passasse a voltar a funcionar de forma exclusivamente voluntária. Em novembro, após 6 anos funcionando no Contraponto 55, um espaço que nos era cedido gentilmente na Vila Madalena, encerramos as atividades ali, passando a ter uma base única no Centro Cultural São Paulo. Para 2017, a oficina passará a funcionar apenas às terças-feiras à noite, também no CCSP.

 

MaoNaRoda MarcioBlack

Em agosto, dois bate papos super interessantes. O primeiro, com o sociólogo e membro do Coletivo Sistema Negro, Tulio Augusto Custódio, discutiu como a cidade recebe negros e negras que se deslocam de bicicleta pela cidade. O segundo, com o colombiano Jonathan Montoya, que passava pelo Brasil após pedalar mais de 15 mil quilômetros pela América Latina, falou sobre cicloturismo. A oficina também apareceu em uma reportagem da Revista Bicycling Brasil de Março/Abril 2016, em um vídeo do SBT, e em uma matéria do site Pedaleira (abaixo).

 

3ª Formação em Ciclomobilidade

Formacao3 Turma

As formações em ciclomobilidade têm se mostrado cada vez mais interessantes. Em 2015, fizemos duas edições; na correria deste ano, havíamos reservado agenda para fazer pelo menos mais uma, algo que só conseguimos em dezembro! Com o espaço gentilmente cedido pelo MobiLab, a 3ª Formação teve a participação de 22 pessoas e é, provavelmente, a edição em que os módulos melhor se encaixaram.

Formacao3 Falzoni

Mantendo a tradição, a fala de abertura ficou com a cicloativista histórica Renata Falzoni e houve espaço para discutirmos de tudo: o histórico da bicicleta na cidade e sobre o surgimento dos conceitos de mobilidade urbana e mobilidade ativa; políticas públicas relacionadas à bicicleta; a importância dos dados para planejar a mobilidade; formas de comunicação; novos caminhos para o advocacy; a importância da participação social e o papel da associação. Teve oficina de ação direta, conversa sobre os coletivos regionais de bicicleta e até uma visita do futuro secretário de Transportes e Mobilidade, Sérgio Avelleda, que foi sabatinado pelas e pelos participantes.

 

Eleições da Nova Diretoria da Ciclocidade

As gestões da Ciclocidade duram 2 anos e, ao início de julho de 2016, com um pouco de atraso devido à organização do Bicicultura 2016, realizamos a Assembleia Geral para a votação da nova diretoria. A chapa única chamada "Integração, expansão e energia humana" e formada por Daniel Guth (Direção Geral), Melina Rombach (Direção Administrativa) e Rene Fernandes (Direção Financeira), foi eleita com a participação de 27 associadas e associados.

As propostas da chapa podem ser vistas na íntegra neste link. A partir de setembro, todas as contas da associação podem ser acompanhadas em tempo real na seção de 'prestação de contas' do nosso site.

 

Ciclocidade na mídia

A Ciclocidade tem tido um papel importante de falar com a imprensa sobre como a bicicleta se relaciona com a cidade, e como esta pauta é muito mais ampla do que apenas construir infraestrutura cicloviária - englobando segurança viária, zero mortes no trânsito, cidades mais humanas e para as pessoas.

Os destaques este ano ficaram por conta do Bicicultura 2016 (veja o clipping), até pelo porte do evento, da ação contínua do GT Eleições buscando barrar o aumento da velocidades nas marginais dos rios Tietê e Pinheiros (veja o clipping) e para o lançamento da pesquisa do GT Gênero "Mobilidade por Bicicleta e os Desafios das Mulheres de SP" (veja o clipping).