• Site especializado em arquitetura reconhece projetos de São Paulo como uns dos mais inspiradores do mundo

    A Prefeitura de São Paulo foi reconhecida pelo ArchDaily como um dos atores mais inspiradores na categoria Comprometimento Urbano. Como justificativa, o site especializado em arquitetura cita pelo menos quatro projetos nos quais a Ciclocidade participou e vem participando de forma ativa: Plano Diretor, Fundo de Desenvolvimento Urbano (Fundurb), implantação da malha cicloviária e projeto Paulista Aberta.

    Traduzimos abaixo o trecho da matéria original, publicada pelo site ArchDaily. Também há uma reportagem interessante sobre isso no jornal O Estado de S.Paulo, que ainda não se decidiu se é Paulista Aberta ou Fechamento da Paulista, mas que traz um álbum de fotos muito legal (a foto acima é do álbum do Estadão).

     

     

    Líderes, Projetos e Pessoas mais inspiradores para a arquitetura em 2015

    Fonte: Site ArchDaily, fotografias de Leandro Moraes.

    Categoria: Comprometimento Urbano

    Prefeitura de São Paulo

    No ano passado, a Prefeitura de São Paulo aprovou o novo Plano Diretor da cidade e, desde então, está em curso a construção de seus principais eixos estruturais, com mudanças significativas já evidentes na capital. O Plano gerou extensa cobertura da mídia relacionada à administração atual, que tem sido elogiada internacionalmente por sua abordagem visionária e corajosa.

    Os princípios e estratégias do novo Plano Diretor estão baseados na criação do Fundo de Desenvolvimento Urbano [Fundurb]. Ao conciliar o crescimento urbano com um novo padrão de mobilidade e criar incentivos para que novos edifícios sejam melhor integrados ao ambiente urbano, o Fundo fortaleceu o comprometimento da cidade a uma agenda sustentável, ao mesmo tempo que leva em consideração outras questões chave como a habitação social.

    Mesmo em uma atmosfera notoriamente conservadora, o governo atual da cidade conseguiu ganhar apoio por meio de ações símbolo como a criação de uma rede de infraestrutura cicloviária (o que antes seria inimaginável), criação de novos corredores exclusivos de ônibus, abertura da icônica Avenida Paulista para pedestres aos domingos e encorajar a cultura artística e urbana.

    Janette Sadik-Khan, ex-secretária do Departamento de Transportes da cidade de Nova York, disse acreditar que a administração atual está criando as bases para uma São Paulo mais sustentável. Embora a maior cidade da América Latina ainda não possa ser considerada como uma das mais desenvolvidas do mundo, podemos certamente concluir que São Paulo deu enormes passos para chegar a esse objetivo. [ADBR]

     

  • Cidade de São Paulo ganha prêmio internacional pelas políticas em favor da mobilidade sustentável, com destaque para pautas propostas pela Ciclocidade

    Prêmio SP

    Influenciaram na decisão medidas como o Plano Diretor Estratégico, a expansão das ciclovias e as faixas exclusivas de ônibus

    A 10ª edição do Sustainable Transportation Award (STA) reconheceu os avanços feitos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para a consolidação de políticas públicas que priorizem o transporte coletivo e os “modos ativos” de deslocamento, notadamente as bicicletas e os pedestres. O prêmio é uma iniciativa do ITDP - Institute for Transportation and Development Policies - em parceria com outras organizações internacionais dedicadas ao tema.

    Segundo o site da Prefeitura de São Paulo e a própria organização da homenagem, o Plano Diretor Estratégico foi uma das iniciativas que renderam o prêmio à cidade, com destaque para a vinculação de 30% do Fundo de Desenvolvimento Urbano (Fundurb) para o transporte coletivo, sistema cicloviário e de circulação de pedestres e para a limitação de vagas em garagem para novas construções.

    Estas medidas, amplamente propostas e defendidas pela Ciclocidade ao longo do processo de revisão do Plano Diretor, tiveram também o reconhecimento dos mais importantes tomadores de decisão deste que é o principal marco regulatório urbanístico da cidade. O inédito vídeo (apresentado abaixo) mostra a importância do papel da Ciclocidade nos rumos da cidade e na priorização de políticas que favoreçam a mobilidade por bicicletas.

    Além do Plano Diretor, o Plano dos 400km de ciclovias e a implementação das faixas exclusivas de ônibus foram as ações em São Paulo mais destacadas pela organização do prêmio. No Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os destaques foram, respectivamente, para a implantação de BRT’s (Bus Rapid Transit) e priorização da circulação de pedestres.

    Com este prêmio São Paulo se iguala às seguintes cidades, agraciadas nas edições anteriores: Buenos Aires (Argentina); Cidade do México (México); Medelim (Colômbia); São Francisco (EUA); Guangzhou (China); Ahmedabad (Índia); Nova York (EUA); Londres (Reino Unido); Paris (França); Guaiaquil (Equador); Seul (Coréia do Sul); e Bogotá (Colômbia).

    Confira o vídeo inédito, produzido pela Rachel Schein, do site Vá de Bike, sobre a participação dos ciclistas na elaboração do novo Plano Diretor Estratégico para a cidade de São Paulo:

    video ciclocidade plano diretor

  • Secretaria de Transportes apresenta proposta de 400km de ciclovias em São Paulo

    2014-06-04-CMTT rede400km

    Na última quarta-feira (04/06) aconteceu a sétima reunião do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT), que teve como pauta principal a apresentação de uma proposta de rede cicloviária desenvolvida pelo Departamento de Planejamento Cicloviário da CET-SP. A reunião também serviu para dar posse aos conselheiros eleitos pela sociedade civil, entre eles os representantes dos ciclistas Felipe Aragonez e Felipe Fernandes.

    A proposta de rede cicloviária foi apresentada pelo secretário de Transportes Jilmar Tatto (presidente do Conselho) e contempla a implementação de 400km de ciclovias até 2016. Segundo Tatto, a esta rede será acrescida a infraestrutura cicloviária prevista para acompanhar os 150km de corredores de ônibus, cujos projetos estão em licitação pela prefeitura.

    A infraestrutura cicloviária prevista para os corredores poderá ser de dois tipos: de alimentação dos terminais ou seguindo o traçado das faixas de ônibus. O secretário mencionou ainda que algumas pontes da cidade receberão melhorias para aumentar a segurança dos usuários de bicicleta.

    Questionado algumas vezes por conselheiros e por convidados presentes, o secretário ressaltou que os 400km da rede proposta serão compostos apenas por ciclovias (faixas exclusivas e segregadas para ciclistas), e não de ciclorrotas, ciclofaixas ou faixas operacionais de lazer.

    Diretrizes para os projetos
    A apresentação trouxe ainda algumas diretrizes para a realização destes projetos, entre elas a conectividade dos trajetos, a preferência por ciclovias bidirecionais à esquerda da via e a integração com equipamentos urbanos e outros meios de transporte.

    Em sua fala, o conselheiro Felipe Fernandes ressaltou que a proposta é um avanço, mas questionou algumas diretrizes (a opção pelo lado esquerdo da via, a não eliminação de faixas de rolamento de motorizados e a preferência por ciclovias bidirecionais em vias secundárias).

    O secretário respondeu que estas diretrizes não são absolutas e serão tratadas caso a caso. Afirmou ainda que o projeto sofrerá reação contrária de alguns setores da sociedade, pois prevê a retirada de cerca de 30 a 40 mil vagas de estacionamento de veículos motorizados (número que talvez esteja superestimado), por isso a opção preferencial pelas ciclovias bidirecionais em apenas um dos lados da via. Além disso, disse que em alguns casos as ciclovias serão feitas em vias principais (e não apenas nas secundárias).

    Traçado, custo e participação
    A proposta dos 400km de rede cicloviária foi construída pelo Departamento de Planejamento Cicloviário da CET, em diálogo com as áreas operacionais da empresa. Alguns conselheiros e convidados da reunião questionaram a falta de participação da sociedade neste processo.

    Gabriel Di Pierro, Diretor Geral da Ciclocidade, lembrou que um dos compromissos assumidos na reunião do prefeito Fernando Haddad com os ciclistas em 2013 era a criação de um espaço formal de diálogo com a sociedade.

    O conselheiro Felipe Fernandes e Daniel Guth (diretor de Participação da Ciclocidade) sugeriram a criação de um espaço específico para tratar da constituição de um plano e de uma política cicloviária para São Paulo.

    As ideias foram bem recebidas pelo secretário e pelos representantes da CET, que mencionaram a criação de uma Câmara Temática ligada ao CMTT com esta finalidade. Segundo o secretário, haverá também uma plataforma digital de consulta à população sobre os projetos. Tatto afirmou ainda que a SMT irá criar canais de diálogo e estará aberta a rever o traçado e fazer adaptações caso sejam identificados problemas.

    Di Pierro também perguntou sobre o custo estimado das novas ciclovias, lembrando que no dia anterior (terça-feira, 03) a Ciclocidade havia entregado ao relator do Plano Diretor Estratégico (vereador Nabil Bonduki) a primeira leva de 18 mil assinaturas pela destinação de 10% do FUNDURB para obras do sistema cicloviário. Jilmar Tatto afimrou que o custo médio de cada quilômetro de ciclovia é de R$ 200 mil e disse que há um debate na gestão municipal sobre a utilização do FEMA (Fundo Especial de Meio Ambiente) para estas obras.

    Marronzinhos de bicicleta, pesquisas e mudança cultural
    Alguns conselheiros ressaltaram a importância de aprofundar a mudança cultural que pode acelerar as tansformações em favor da bicicleta e também a realização de estudos específicos para este modal.

    O conselheiro Rosevaldo Caetano Alves, do movimento SOS Transporte de M’Boi Mirim, sugeriu que os agentes de trânsito da CET passassem a utilizar também a bicicleta. Daniel Guth falou sobre a carência de estudos relativos à mobilidade por bicicletas, sugerindo a realização de pesquisas específicas sobre o uso de bicicletas, para medir origem/destino e também os desejos de viagem.

    O secretário Jilmar Tatto afirmou que os núcleos operacionais da CET passarão a contar com fiscais em bicicletas e também disse que serão realizadas pesquisas origem/destino específicas para este modal.

    Vistoria do projeto piloto
    No próximo sábado (07/06) a CET realizará uma vistoria técnica de um trecho-piloto desta rede, entre o Largo do Paissandu e a rua Mauá, no centro de São Paulo. A vistoria acontece a partir das 11h e servirá para receber as primeiras considerações feitas pelos ciclistas sobre o projeto.

    + Apresentação feita pelo secretário Jilmar Tatto durante a reunião do CMTT (PDF para download)

  • O Plano Diretor pode garantir recursos para o sistema cicloviário com a #BikeNoFUNDURB


    arte: Reynaldo Berto

    O novo Plano Diretor Estratégico (PDE) de São Paulo está em fase final de discussão: o Projeto de Lei 688/13 já foi aprovado em primera votação pela Câmara Municipal e agora pode receber emendas dos vereadores antes de ir para a votação definitiva e, em seguida, para a sanção do prefeito Fernando Haddad.

    Apesar dos avanços em relação à mobilidade por bicicletas no PDE, garantidos pela participação permanente dos ciclistas no processo de discussão iniciado em 2013, o Plano deixa de abordar um ítem importante: a verba necessária para tirar as ideias e projetos do papel.

    A previsão de recursos para a implantação de um sistema cicloviário em São Paulo precisa ser garantida em lei e o Plano Diretor é uma ótima oportunidade para que isso aconteça, pois trata da utilização de recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FUNDURB) -- um fundo que tem como premissa realizar investimentos em prol dos “objetivos, diretrizes, planos, programas e projetos urbanísticos e ambientais integrantes ou decorrentes do Plano Diretor Estratégico”.

    Garantir a destinação dos recursos do FUNDURB para a implementação do sistema cicloviário ajudaria a viabilizar os 400km de vias cicláveis e a infraestrutura cicloviária associada aos novos corredores de ônibus, previstos no Programa de Metas da atual gestão municipal. Os recursos também permitiriam o aumento gradual do orçamento de transportes (0,25% ao ano, até atingir 1% no final da gestão) para a mobilidade por bicicletas, compromisso firmado com os ciclistas pelo prefeito Fernando Haddad durante a campanha eleitoral de 2012.

    Você também pode ajudar a conseguirmos a destinação de 10% dos recursos do FUNDURB para as obras do sistema cicloviário:

    - Conheça a carta que será enviada ao relator do Plano Diretor na Câmara
    - assine o abaixo-assinado pelos 10% do FUNDURB para as bicicletas
    - assista e compartilhe o vídeo da campanha: [vimeo] ou [youtube]
    - entre em contato com o seu vereador e peça o apoio dele para esta ideia

  • Ciclistas foram à Câmara Municipal debater verbas e incentivos para a bicicleta em São Paulo

    por Willian Cruz

    No dia 3 de junho, terça-feira, a Câmara Municipal de São Paulo abriu espaço para duas discussões importantes sobre a bicicleta na cidade: a Audiência Pública do PL 11/2014 e a primeira reunião do ano da Frente Parlamentar em Defesa da Mobilidade Humana, que tinha em sua pauta a destinação de verbas para obras cicloviárias no Plano Diretor.

    As duas reuniões aconteceram na mesma sala, agilizando os processos e aproveitando a presença de vereadores e cidadãos. Cerca de 50 ciclistas estiveram presentes e alguns precisaram ficar de pé, pois a quantidade de assentos era limitada. Os vereadores José Police Neto (PSD), Floriano Pesaro (PSDB) e Nabil Bonduki (PT) se alternaram à mesa, pois estava em andamento uma votação no plenário que necessitava pontualmente da presença de cada um deles – o que não os impediu de estarem presentes e dar atenção ao tema.

    Incentivos à bicicleta
    A sessão começou com a Audiência Pública do projeto de lei 11/2014, de autoria do vereador Police Neto. Com uma apresentação em slides, o vereador esclareceu a motivação e o funcionamento do projeto, que prevê o incentivo à bicicleta em três frentes:

    Compensação de impostos - Os valores pagos em IPI, PIS/PASEP, COFINS e ICMS ao adquirir uma bicicleta retornarão ao cidadão que a adquiriu em forma de créditos no Bilhete Único, utilizado nos sistemas de transporte público do município (trens, metrô e ônibus). O limite máximo para crédito será de um salário mínimo e os valores deverão ser utilizados dentro de um ano. A comprovação será através da apresentação da nota fiscal, com a qual se torna possível calcular os tributos arrecadados.

    Gratuidades e seguro - Usuários do sistema de Bilhete Único da cidade passarão a ter garantida a gratuidade dos serviços de empréstimo de bicicletas e de estacionamento de bikes em áreas internas de estações e terminais de transporte coletivo. Também passam a ter direito a seguro contra roubo ou furto de bicicleta dentro dos bicicletários das mesmas estações e terminais de transporte coletivo.

    Isenção de ISS - Estabelecimentos que atuem em algumas áreas relacionadas ao uso da bicicleta passarão a ter isenção de ISS. São elas: prestação de serviço de manutenção preventiva e corretiva de bicicletas, partes e peças; comercialização de equipamento e acessórios de bicicletas; comercialização, montagem e fabricação de bicicletas; operação de bicicletários.

    Questionamentos
    Police Neto afirmou ter sido procurado para estabelecer uma restrição na compensação de impostos, que passaria a ser válida para a aquisição de apenas uma bicicleta a cada dois anos por cidadão. “Essa foi a única restrição que foi apresentada, pela preocupação de uma única pessoa comprar um conjunto grande de bicicletas para revenda fora da cidade de São Paulo”, explicou o autor do projeto.

    O cidadão Guilherme Moraes da Silva obteve a palavra para perguntar se não haveria “vício de iniciativa” ao isentar de impostos federais os cidadãos paulistanos, no que poderia ser uma violação ao Pacto Federativo. “Porque se passar aqui, tudo bem, mas daqui a pouco vai pro prefeito, o prefeito vai falar que é violação ao Pacto Federativo, veta, a Câmara passa do veto, mas chega no TJ cai: perdemos tempo”, preocupou-se. “Olha, a gente não tá pregando aqui nenhuma imunidade, nenhuma isenção”, esclareceu Police Neto. “Na verdade o que o município vai fazer é pagar pra gente aquilo que a gente pagou de imposto. Então a gente não viola nenhum dos princípios federativos da legislação tributária, porque não estamos tornando o comprador da bicicleta na cidade de São Paulo imune ao tributo ou isento dele, ele vai pagar. É que o município em forma de incentivo vai devolver em Bilhete Único”.

    Essa compensação seria, portanto, semelhante à da Nota Fiscal Paulista. “E ao colocar o recurso no Bilhete Único, você tem uma outra vantagem: se o usuário que comprar a bicicleta e for ressarcido não usar, ficou como investimento para o sistema de transporte público coletivo”, complementou o vereador. Então imagina que eu comprei a bicicleta, peguei o [valor no] meu Bilhete Único mas não usei. Passei os dois anos e não usei. Eu fiz um investimento no sistema. Então a bicicleta acaba por investir no sistema de transporte público coletivo.”

    Próximos passos
    O Projeto de Lei fica agora aberto a alterações de outros vereadores, através de emendas, para então ir a segunda votação. Informaremos o andamento aqui no Vá de Bike.

    Plano Diretor
    O vereador Nabil Bonduki apresentou as sugestões de alteração no Plano Diretor da cidade que têm relação com a mobilidade. Segundo o vereador, o novo Plano têm a visão de priorizar o sistema de transporte coletivo e não motorizado. “Houve uma participação intensa de algumas entidades, principalmente da Ciclocidade, em várias audiências públicas”, contou o vereador, explicando que com base nas 45 audiências no final de 2013 foi produzido o substitutivo do Plano Diretor (PL 688/13).

    Bonduki elencou vários pontos referentes à mobilidade que já estão propostos como artigos ou emendas do substitutivo, a serem levadas para segunda votação:

    • compartilhamento de bicicletas (bike sharing);
    • compartilhamento de automóveis (car sharing), visando reduzir a dependência do automóvel próprio, o que estimula indiretamente o uso de outros modais;
    • medidas de engenharia para disciplinar o uso do espaço para pedestres, bicicletas e veículos (emenda de autoria do vereador Floriano Pesaro);
    • adaptar as condições de circulação de transportes motorizados a fim de incentivar a segurança e o uso de modais não motorizados, incluindo medidas de acalmamento de tráfego (traffic calming) e redução de velocidade (emenda proposta pela Ciclocidade);
    • redução de espaço de estacionamento para implantação de infraestrutura cicloviária e ampliação de calçadas;
    • dentro das ações estratégicas para o sistema de transporte coletivo: a viabilização de infraestrutura segregada para circulação segura de ciclistas (ciclovias) e diretrizes para implantação dos novos corredores, terminais de ônibus, linhas e estações de metrô, de trem e monotrilho, para integrá-los ao sistema cicloviário, estimulando a intermodalidade;
    • integração dos serviços de compartilhamento de automóveis e bicicletas com os demais modais (colocando estações de bicicletas em terminais de ônibus e estações de trem e metrô, por exemplo);
    • foram incluídos como componentes do sistema cicloviário: ciclorrotas, bicicletários e demais equipamentos de suporte, sinalização cicloviária e sistemas de compartilhamento de bicicletas;
    • articulação do sistema cicloviário com os demais meios de transporte;
    • as ações e investimentos no sistema cicloviário devem ser orientados segundo a diretriz de implantar as redes cicloviárias associadas às redes de transporte coletivo, motorizado de média e alta capacidade, e garantir o deslocamento seguro e confortável de ciclistas em todas as vias;
    • programas e ações de investimento públicos e provados devem estar acompanhados de campanhas massivas de conscientização e incentivo do uso de transporte não motorizado.

    Para mais detalhes, assista ao vídeo no final da página e consulte o site GestãoUrbanaSP.

    Utilização de recursos
    Durante o encontro, Daniel Guth, representando a Ciclocidade, entregou uma carta-manifesto ao vereador Nabil Bonduki, solicitando que seja inserida inserir no texto final do Plano Diretor Estratégico (PDE) a destinação obrigatória de 10% dos recursos anuais do Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano) em obras do sistema cicloviário municipal, viabilizando assim recursos para tornar realidade políticas públicas voltadas à bicicleta como transporte. Entenda aqui. Também foi entregue um abaixo-assinado para reforçar essa solicitação, que reuniu, até o fechamento dessa matéria, quase 20 mil assinaturas (em apenas uma semana).

    Comentando essa solicitação, Bonduki informou que já há propostas sobre vinculação de receita para o sistema de mobilidade, inclusive uma de autoria do vereador Police Neto. “Por isso que eu já conversei com o vereador Police e tenho como disposição colocar, assim como foi disponibilizado 30% para a habitação, ser dado 30% da receita do FUNDURB para a mobilidade, restrita a transporte coletivo e modos não motorizados, o que significa fundamentalmente para o sistema cicloviário e o sistema de pedestres”, explicou o vereador, que é relator do substitutivo do PDE.

    Segundo Nabil, além da fonte do orçamento normal, outros fundos podem ser utilizados para sistema cicloviário, notadamente os fundos da operações urbanas, que “são fundos bilionários”. “Essa ciclovia que está sendo feita do CEAGESP até a Berrini está vindo da Operação Urbana Faria Lima. E a Operação Urbana Água Branca, que aprovamos em setembro, prevê recursos para o sistema cicloviário e as pontes que estão previstas para a Marginal do Tietê só podem ser feitas, com exceção da Raimundo, as demais todas que eram do projeto original, são seis pontes acho, são só para transporte coletivo, ciclovias e pedestres”, esclareceu.

    Ainda segundo o vereador, além do FUNDURB e da utilização de recursos dos fundos das operações urbanas Água Branca, Faria Lima e Águas Espraiadas, seria possível utilizar verbas do como o Fundo Especial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (FEMA) e do Fundo Municipal de Desenvolvimento de Trânsito (FMDT) – o popular “fundo de multas”. “O Projeto de Lei que eu ‘herdei’ do vereador Chico Macena [PT], Secretário de Governo agora, vincula verba que só poderia ser utilizada para segurança, sinalização e muitas questões relacionadas ao sistema cicloviário”, lembrou Nabil. “[Esse fundo] arrecada em um ano o que o FUNDURB arrecada durante o Plano Diretor inteiro”, completou Police Neto.

    “Não estou querendo fugir da proposta de vocês dos 10% do FUNDURB para o sistema cicloviário, estou querendo dizer que há muito mais recursos do que esses 10%, que estão espalhados em outros fundos”, ressaltou o relator. “Então a minha proposta, que já não é uma proposta fácil de ser viabilizada, é garantir os 30% para a mobilidade não motorizada e o sistema de transporte coletivo e talvez batalharmos uma diretriz mais explícita, nas operações urbanas principalmente, para que em todas elas sejam utilizados obrigatoriamente recursos para o sistema cicloviário e teremos recursos maiores até que os 10% solicitados.”

    Questionamentos
    Gabriel Di Pierro, da Ciclocidade, lembrou que o prefeito assinou uma carta compromisso em que um dos pontos seria a utilização de 0,25% do FMDT, para chegar a 1%, mas que isso ainda não foi realizado. ”Nós temos uma LDO, que está agora entrando aqui na casa, que está falando de R$ 20 milhões para o ano que vem e nossa avaliação é que isso não dá conta de atingir a meta que o governo firmou com a população em geral”, alertou Di Pierro, em referência aos 400 km de vias cicláveis prometidos no Plano de Metas.

    “A bicicleta não tem recebido orçamento, isso é um fato, historicamente. E nesse governo houve uma ampliação, mas fica tão difuso o orçamento para a bicicleta, que chega no final do ano, aprova a LDO, aprova a LOA e a gente não sabe quanto tem. Para nós seria importante que estivesse vinculado, que estivesse bastante objetivo. A gente vivenciou na Eliseu de Almeida uma dificuldade enorme para conseguir R$ 2 milhões, então o que a gente quer é conseguir olhar e saber onde está essa nossa parte, porque somos importantes na cidade e historicamente somos esquecidos. Se o governo quer fazer essa diretriz, trazer esse espírito do transporte coletivo e não motorizado, a gente acha que tem que ter essa vinculação orçamentária”, declarou.

    O diretor da Ciclocidade ainda apontou que, nessa situação de aplicação de 30% do FUNDURB tanto para transporte público como para bicicletas e pedestrianismo, haverá o risco de grande parte dos recursos serem utilizados para o sistema de transporte público, restando pouco para obras cicloviárias. Gabriel ainda ressaltou que o valor de 10% do Fundurb em si ainda é pouco, em razão do custo por quilômetro das ciclovias (de R$ 600 mil a R$ 4 milhões), o que faria com que o município optasse pela estrutura mais barata, a ciclorrota.

    “Vamos batalhar, porque é o que está na mão agora, estamos discutindo o Plano Diretor, FUNDURB, mas também podemos introduzir nas diretrizes das Operações Urbanas a questão das ciclovias”, sugeriu o Nabil Bonduki. “Tinha uma resistência aos 30% e vai ter uma resistência ao destino disso para a bicicleta”, alertou Police Neto, explicando que é importante tentar sensibilizar os demais vereadores.

    Bonduki ainda sugeriu que as entidades que assinam o pedido tentem marcar uma conversa com o prefeito Fernando Haddad (PT), para sensibilizá-lo quanto à necessidade de recursos para a bicicleta, já que ele estaria alinhado com a ideia de garantir que o que está previsto no Plano Diretor seja colocado em prática.

     

    FONTE: Vá de Bike