• Veja as contribuições da Ciclocidade para o novo modelo de sistema público de bicicletas compartilhadas para São Paulo

     

    A Ciclocidade esteve na audiência pública sobre a privatização do sistema de Bicicletas Compartilhadas de São Paulo na última sexta-feira (28/7), na Câmara dos Vereadores. Na ocasião, o diretor geral Daniel Guth aproveitou para protocolar as contribuições relacionadas às diretrizes e exigências que devem ser adotadas pela Prefeitura na elaboração do novo modelo de sistema público de bicicletas compartilhadas para a cidade.

    Desde 2012 a cidade de São Paulo conta com sistemas de bicicletas compartilhadas, no entanto diversos problemas se acumularam e São Paulo possui um dos sistemas mais defasados e ineficazes entre as cidades brasileiras - e no mundo. O documento visa apresentar algumas exigências que devem ser garantidas para qualquer modelo de sistema público de bicicletas compartilhadas que se busque.

    O vídeo, gravado por Eduardo Magrão, do coletivo Bike Zona Leste, resume os pontos principais. O documento na íntegra pode ser acessado neste link.

     

    Contribuições para audiência pública sobre sistema público de bicicletas compartilhadas

    São Paulo, 28 de julho de 2017

    A Ciclocidade - Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, vem oficializar através deste documento as diretrizes e exigências que devem ser adotadas pela Prefeitura de São Paulo para a elaboração do novo modelo de sistema público de bicicletas compartilhadas para a cidade de São Paulo.

    Desde 2012 a cidade de São Paulo conta com sistemas de bicicletas compartilhadas, no entanto diversos problemas se acumularam e São Paulo possui um dos sistemas mais defasados e ineficazes entre as cidades brasileiras - e no mundo.

    Neste momento, segundo mapeamento online do site “Trem Útil”, o sistema Bike Sampa conta com 460 bicicletas disponíveis, sendo que o correto, pelo termo de cooperação técnica assinado com a municipalidade, seria de 2.600 bicicletas. Ou seja, neste momento o sistema opera com menos de 25% de sua capacidade obrigatória.

    Listamos, aqui, alguns dos principais problemas dos sistemas em operação em São Paulo:

    • baixa qualidade das bicicletas;
    • manutenção ineficiente;
    • falhas constantes no sistema de automação;
    • números divulgados pela operadora do sistema, como o de bicicletas disponíveis nas estações (entre outros) não condizem com a realidade;
    • grande distância entre as estações (média de 900 metros);
    • falta de transparência e disponibilização dos dados do sistema;
    • termo de cooperação frágil e sem indicadores de desempenho, metas e penalidades;
    • dimensionamento engessado das estações (sem considerar demanda existente e reprimida);
    • localização das estações – concentração na zona oeste e pouca integração com o sistema cicloviário da cidade, apesar de serem consideradas parte deste mesmo sistema, segundo o Plano Diretor Estratégico;
    • baixa integração com o transporte de média e alta capacidade;
    • baixa cobertura do sistema em todo o território da cidade;
    • integração ainda incompleta com o Bilhete Único;
    • horário limitado de operação;
    • falta de informações no espaço físico das estações;
    • exclusão de uma parte da sociedade ao obrigar o uso de cartão de crédito;
    • exclusão de usuários casuais e visitantes estrangeiros ao exigir-se longo e burocrático cadastramento

     

    Desde 2014 as bicicletas compartilhadas, na cidade de São Paulo, estão garantidas no principal marco regulatório da cidade - que é o Plano Diretor Estratégico -, como parte do Sistema Cicloviário. Isto é, juntamente com ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas e bicicletários, os sistemas de bicicletas compartilhadas devem ser compreendidos como parte estruturante das políticas de infraestrutura para uso de bicicletas na cidade - e não como política acessória, complementar.

    Segue o texto do Plano Diretor Estratégico:

    Art. 248. O Sistema Cicloviário é caracterizado por um sistema de mobilidade não motorizado e definido como o conjunto de infraestruturas necessárias para a circulação segura dos ciclistas e de ações de incentivo ao uso da bicicleta.

    Art. 249. São componentes do Sistema Cicloviário:
    I - ciclovias;
    II - ciclofaixas;
    III - ciclorrotas;
    IV - bicicletários e demais equipamentos urbanos de suporte;
    V - sinalização cicloviária;
    VI - sistema de compartilhamento de bicicletas.

    Da mesma forma o Plano de Mobilidade da cidade de São Paulo, decreto assinado pelo Prefeito de São Paulo em 2015, estabelece importantes diretrizes para o(s) sistema(s), às quais reforçamos sua importância neste momento. São elas:

    • Implementar um sistema de bicicletas compartilhadas que atenda todas as regiões da cidade, considerando o uso atual da bicicleta e também o potencial de uso do sistema, em especial para viagens dentro de uma determinada região e de integração com o transporte coletivo;
    • integrar o sistema de bicicletas compartilhadas ao sistema de transporte público coletivo de passageiros, implantando sempre que possível estações de bicicletas nas áreas internas dos terminais de ônibus, estações de metrô e trens;
    • integrar o sistema de bicicletas compartilhadas ao Bilhete Único; integrar as estações de bicicletas compartilhadas à Rede Cicloviária Estrutural, privilegiando os locais próximos a esta infraestrutura;
    • implementar um sistema com padrão único para o travamento das bicicletas às estações, permitindo que uma bicicleta retirada em uma estação possa ser devolvida em qualquer outra;
    • coletar, acompanhar e utilizar as estatísticas de uso do sistema de bicicletas compartilhadas para o planejamento cicloviário;
    • manter uma operação equilibrada, oferecendo bicicletas e vagas disponíveis em todas as estações durante seu período de funcionamento;
    • implantar as estações segundo padrões e estudos que considerem a densidade adequada ao serviço.

    Com base nos instrumentos acima citados, bem como no acumulado, ainda que desastrado, dos sistemas em operação na cidade, vimos apresentar algumas exigências que devem ser garantidas para qualquer modelo de sistema público de bicicletas compartilhadas que se busque. São elas:

    • Ampliar o sistema de bicicletas compartilhadas para abranger 40% do território da cidade até 2020, considerando o uso atual da bicicleta e também o potencial de uso do sistema - em especial para viagens dentro de uma determinada região e de integração com o transporte coletivo
      • Implantar estações de bicicletas compartilhadas em locais próximos (até 50 metros) ou nas áreas internas de sistemas de transporte público como terminais de ônibus, estações de metrô e trens;
      • Integrar as estações de bicicletas compartilhadas à Rede Cicloviária Estrutural, privilegiando os locais próximos a esta infraestrutura;
      • Dimensionar o tamanho de estações de acordo com a demanda previamente estudada;
      • Coletar, acompanhar e utilizar as estatísticas de uso do sistema de bicicletas compartilhadas para o planejamento cicloviário.
    • Adotar o horário de operação do sistema 24h/dia, 7 dias por semana;
    • Densidade média de 300 metros entre estações, com limite máximo de 500 metros;
    • Implementar acesso ao sistema via Bilhete Único, extinguindo a necessidade de ter um cartão de crédito - viagem debitada diretamente do saldo do Bilhete Único, caso haja cobrança;
    • Os recursos advindos da cobrança de outorga pela exploração do espaço público devem ser direcionados para um fundo específico dedicado à expansão da rede cicloviária;
    • Garantir padrão único para o travamento das bicicletas às estações, permitindo que uma bicicleta retirada em uma estação possa ser devolvida em qualquer outra, independente da empresa que opera as estações/bicicletas;
    • Manter uma política de transparência ativa com relação aos dados dos sistemas de bicicletas compartilhadas, disponibilizando 100% dos dados (exceto dados pessoais) permitindo acesso público irrestrito e em tempo real a tais dados;
    • Criar um comitê de avaliação e acompanhamento do(s) sistema(s) de bicicletas compartilhadas, contando com representantes da prefeitura e representantes das organizações da sociedade civil;
    • Criar cesta de indicadores, em conjunto com a sociedade civil, para fiscalização e monitoramento do(s) sistema(s) de bicicletas compartilhadas, e aplicar multas e sanções pelo descumprimento.

    Por fim, com todos os problemas e possíveis soluções destacados acima, ressaltamos a importância que um bom sistema público de bicicletas compartilhadas teria para uma cidade como São Paulo, que necessita urgentemente de programas de fomento e estímulo ao uso de bicicletas - tendo em vista a malha cicloviária implementada na cidade nos últimos anos.

    Colocamo-nos à disposição e esperamos que os tópicos acima sejam incorporados pela gestão para o processo de reestruturação desta importante política pública.

     

    Ciclocidade - Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo

    Grupo de Trabalho de Bicicletas Compartilhadas

     

  • Ciclistas criam Grupo de Trabalho com a Secretaria Municipal de Esportes

     

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    A cultura da bicicleta em São Paulo extrapola a questão da mobilidade urbana. Dialoga diretamente com temas diversos como segurança pública, educação, esporte, lazer, verde e meio ambiente. Por este motivo, a Ciclocidade tem liderado uma frente de conversas com os secretários responsáveis por tais pastas para ver como a sociedade civil pode atuar para que a pauta esteja presente em diferentes ações intersecretariais.

    Como parte desse movimento, no último dia 17/7 representantes da Ciclocidade, Instituto Aromeiazero, Instituto CicloBr, Transporte Ativo, Bike é Legal, Dream BMX, grupo Pelotão de Elite (Zona Leste) e membros da Câmara Temática de Bicicleta, se reuniram com Jorge Damião, secretário municipal de Esportes. O objetivo do encontro era fazer uma conversa inicial entre as entidades de ciclistas da capital e membros da Secretaria para conhecer o “estado da arte” das políticas de esporte e lazer voltadas ao uso de bicicletas e para avaliar possibilidade de atuação conjuntas.

    Durante o encontro, Damião contou que já esteve presente em uma das reuniões da Câmara Temática de Bicicleta e que fez parte da criação das ciclofaixas de lazer na cidade, em 2009.

    Para o secretário, o foco da pasta é na bicicleta como forma de lazer e saúde, uma vez que várias pesquisas apontam que mais de 50% das crianças não pratica nenhuma atividade física. Segundo o secretário, São Paulo seria inclusive a última colocada entre as capitais em atividade física. Tudo isso fez com que a Secretaria de Esportes colocasse a meta de aumentar em 20% a taxa de atividade física até 2020 dentro do Plano de Metas divulgado pela Prefeitura.

    Damião contou ainda que a Secretaria Municipal de Esportes está patrocinando um grande evento de bicicletas que será realizado no dia 20/8, em parceria entre as quatro Prefeituras Regionais de Itaquera, São Miguel Paulista, Guaianazes e Cidade Tiradentes. Também estão sendo criados Clubes da Caminhada em 500 Unidades Básicas de Saúde (UBS), para trabalhar a prevenção e ajudar no tratamento de diabetes e hipertensão.

    Já ciclistas presentes trouxeram a questão de como atuar sobre o Parque das Bicicletas (Zona Sul de São Paulo, onde está o gabinete da Secretaria), em que as obras do Metrô estão sendo finalizadas e haverá a devolução do terreno para a Prefeitura. Uma das ideias trazidas pelo Dream BMX e Bike é Legal é a de que o parque volte a ser um espaço para bicicletas. A implantação de um Pump Track, que é uma iniciativa muito inclusiva para novas e novos ciclistas, poderia ser feita como aconteceu no Parque de Esportes Radicais, no Bom Retiro. Barato, moderno e inclusivo, um Pump Track no Parque das Bicicletas poderia ser uma alternativa para mulheres e crianças ciclistas ao Parque do Ibirapuera.

     

    Reuniao SecretarioEsportes Julho2017b

     

     

    Encaminhamentos

    • Criação de um Grupo de Trabalho entre ciclistas e a Secretaria Municipal de Esportes para atuar sobre questões como organização de esportivos e suas dificuldades, locais para treino (tanto estrada quanto mountain bike) e sobre a reforma do Parque das Bicicletas.
    • Ciclofaixas de Lazer: avaliar possibilidade criação de novo trajeto no Ipiranga e de revisão do trajeto na região da Guarapiranga. Possibilidade de trazer as ciclofaixas de lazer de volta para a Secretaria Municipal de Esportes.
    • Possibilidade de retomar o projeto de escolas de bicicleta e de Bondes A Pé, algo que a Secretaria Municipal da Educação tem interesse em ajudar.
    • Possibilidade de realizar um campeonato de BMX (ou de outra modalidade de bicicletas) entre as 32 Prefeituras Regionais.
    • Reunir todos os supervisores de esporte das Prefeituras Regionais para uma reunião sobre como estimular o uso de bicicletas em suas localidades, com abertura de ruas, apoio a eventos, organização de torneios, entre outras ações possíveis.
    • Fazer um levantamento de como está o acesso de bicicletas aos equipamentos municipais vinculados à Secretaria de Esportes.

     

     

    Reuniao SecretarioEsportes Julho2017a

     

     

  • Mais um ciclista morre em São Paulo, vítima de atropelamento

     

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    Aceleramos sobre vidas? O número de ciclistas mortos no primeiro semestre de 2017 apresenta um aumento de 75% em comparação com 2016 e, somado ao número de pedestres, representa metade do total de vítimas fatais

    A Ciclocidade - Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo manifesta profunda consternação pelo atropelamento fatal de mais um ciclista na cidade de São Paulo, ocorrido nesta terça-feira (25/7), na Av. Radial Leste. Gostaríamos de prestar solidariedade aos familiares e amigos.

    Reinaldo Aparecido da Silva, do Pedala Itaquera, foi mais uma vítima da escalada de violência que temos observado no trânsito da capital paulista. O número de ciclistas mortos entre janeiro e junho de 2017 já representa um aumento de 75% em comparação com o ano passado. Segundo dados do Infosiga, do Governo do Estado de São Paulo, foram 21 vítimas fatais ante 12 no mesmo período em 2016.

    Não são apenas ciclistas que estão deixando nódoas de sangue e sofrimento por São Paulo. Os números do Infosiga também registram um aumento nas vítimas fatais de 23% para pedestres, 200% para usuários de ônibus e 2% para mortes de motociclistas. No mesmo período, as vítimas fatais em automóveis caíram 27% e de caminhões diminuíram 33%.

    A soma dos números de usuários exclusivos de mobilidade ativa (ciclistas e pedestres) agora contabiliza metade do total de mortos. No ano passado, representavam 41% do total.

    Tais números confirmam o que vem sendo reportado sucessivas vezes na Câmara Temática da Bicicleta, órgão que faz parte do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito. Ilustram como uma gestão municipal que tem como preocupação divulgar o mote do “Acelera São Paulo” - um slogan que é no mínimo impróprio para o agressivo trânsito motorizado da capital paulista - é, ao mesmo tempo, excessivamente lenta em tomar medidas essenciais para a segurança de ciclistas e pedestres.

    Estamos diante de um grave retrocesso, a saber, a tendência de interrupção da curva decrescente de mortes no trânsito, que ocorria desde 2005 sobretudo para os meios de transporte ativos.

    Ainda que a análise dos dados deva ser aprofundada e seja precoce afirmar as razões para esta escalada de violência no trânsito, o mapa de mortes produzido pelo Infosiga evidencia alguns dados importantes de serem destacados:

    a) Atropelamentos e colisões fatais, envolvendo todos os meios de transporte, estão espalhados por toda a cidade. As vias arteriais - avenidas e vias expressas, incluindo as marginais Pinheiros e Tietê - concentram a maior parte das ocorrências;

    b) Além do aumento do número total de ciclistas mortos, chama a atenção o fato de estarem espalhadas por todas as regiões da cidade, sendo mais de 90% das ocorrências longe do centro, nas periferias.

    c) Pedestres mortos também estão espalhados na cidade, com alguma concentração na região compreendida pelo “centro expandido” e em vias arteriais. Chama atenção a quantidade de idosos mortos por atropelamento.

    A tendência de aumento na letalidade do trânsito na capital precisa urgentemente ser reconhecida pelo poder público, divulgada amplamente para a população, discutida com especialistas e conselheiros da cidade e, sobretudo, servir de base para a definição e implementação emergencial de novas ações de curto, médio e longo prazo, que protejam a vida das pessoas.

    Nenhuma morte no trânsito é tolerável, e São Paulo precisa incorporar uma meta clara de acabar com todas as mortes no trânsito (Visão Zero), um horizonte possível e que já está sendo posto em prática nas maiores metrópoles globais do planeta.

     

    Ciclocidade - Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo

     

    *Na imagem, homenagem do grupo Pedala Itaquera ao ciclista Reinaldo, enterrado hoje.

     

  • Relato da Reunião da Câmara Temática de 3/7/2017

    Pautas

    1. Apresentação: Pesquisa Comércio e impactos econômicos;
    2. Apresentação: Contagem de ciclistas Cidade Tiradentes;
    3. Apresentação: Atualizações sobre a Operação Urbana Faria Lima;
    4. Zeladoria de infraestrutura cicloviária;
    5. Informe sobre a reunião de 156 e retorno dos encaminhamentos;
    6. Informe GT Secretaria do Verde e do Meio Ambiente;
    7. Informe GT Secretaria de Segurança Pública do Estado;
    8. Proposta realizada ao CMTT pela Nancy de grupos técnicos para a revisão do plano cicloviário (PLANMOB 2030)
    9. Proposta de criação GT sobre dados abertos;
    10. Devolutivas: Bicicletas dobráveis, plano de metas, reportagem da Veja (mitos e verdades)

    A reunião da Câmara Temática de julho (3/7) não contou com a participação do secretário de Mobilidade e Transportes, Sergio Avelleda.

     

    Informe sobre a reunião executiva realizada pela manhã do dia 3/7

    Cyra Malta, secretária executiva, fez a abertura dando o informe de que, a exemplo do que acontece no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, esta reunião contou com um encontro preparatório pela manhã entre secretaria executiva da Câmara Temática, secretário de Mobilidade e Transportes e o chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, João Manuel de Barros, para a definição conjunta de pauta.

    Nesta reunião matutina, houve o indicativo de que há um desconforto com a transmissão ao vivo das reuniões da Câmara por streaming, ficando sugerido que haja gravação apenas das apresentações realizadas, as quais poderão ser editadas e divulgadas de comum acordo entre membros da sociedade civil e poder público, o que seria um meio termo entre compartilhar tudo e compartilhar nada. Tal decisão precisa agora ser validada internamente entre as membras e membros da Câmara. Enquanto esta definição não ocorre, a reunião geral da Câmara (realizada à noite) foi parcialmente gravada por Silvia Ballan, do Instituto CicloBr, para posterior upload na internet, mas não transmitida ao vivo.

    Na reunião executiva da manhã também foi acordado diretamente com o secretário que as apresentações realizadas pelo Poder Público são consideradas públicas e devem ser publicadas no portal da Secretaria de Mobilidade e Transportes. Caso a apresentação mude após conversas na Câmara, ambas as versões devem ser disponibilizadas para publicação. Uma sinalização clara de apresentações que estejam “em estudo” pode ser inserida nos slides do próprio arquivo da apresentação para evidenciar o status atual da proposta.

    Finalmente, sobre as atas da Câmara Temática de Bicicleta, por ser um órgão oficial, considera-se que o Poder Público deve fazer a ata oficial e publicá-la, pois a Ciclocidade está fazendo apenas a pró-memória pela sociedade civil.

     

    Apresentações da sociedade civil

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    A reunião da noite é iniciada por uma série de apresentações da sociedade civil sobre os temas mais recentes nos quais as organizações têm atuado - todas as apresentações estão disponíveis nos links a seguir. Daniel Guth apresenta a pesquisa Ciclovia em Pinheiros - Estudo de Impacto na Vitalidade Econômica Local, sobre os impactos econômicos da implantação de infraestrutura cicloviária no bairro de Pinheiros, a ser realizada em parceria entre Ciclocidade e o Laboratório de Mobilidade Sustentável - LabMob-RJ (veja a apresentação completa aqui). Jabs Crebs, da Secretaria Municipal de Governo, sugere uma auditoria independente dos dados.

    Em seguida, Flavio Soares, Eduardo Magrão e Felipe Claros apresentam os resultados da contagem de ciclistas realizada na Cidade Tiradentes. Este trecho de ciclovia está previsto para ser conectado no futuro pelo Plano Municipal de Mobilidade Urbana (PlanMob), em especial com o monotrilho e com corredores de ônibus, mas é em um futuro distante. O relatório completo da contagem pode ser visto neste link.

     

     

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    Na sequência, Sasha Hart faz um panorama geral sobre o acompanhamento da situação na Operação Urbana Faria Lima e as conexões cicloviárias previstas para as pontes desta região (veja a apresentação completa aqui). Embora ciclovias sobre o Rio Pinheiros estejam previstas em exigências legais desde 1994 e os projetos básicos das obras foram feitos no ano passado, o cronograma está atrasado e pouco definido. A nova perspectiva para a realização das conexões sobre as pontes Jaguaré e Cidade Universitária é a Secretaria de Coordenação das Prefeituras Regionais avançar com as obras. Já para a ciclopassarela na ponte Bernardo Goldfarb, é licitar um projeto executivo, que daria mais segurança sobre os custos finais do projeto. O Secretário-Adjunto da Secretaria de Mobilidade e Transportes, Irineu Gnecco, comenta que apenas o projeto básico, mesmo que já existente, poderia ser barrado como insuficiente pelo Tribunal de Contas. O CADES Pinheiros e a Ciclocidade têm acompanhado de perto estes projetos, leia mais detalhes aqui.

    Suzana Nogueira, do Departamento de Planejamento de Modos Ativos da CET, comenta que a última reunião sobre os projetos das pontes Jaguaré e Cidade Universitária foi em junho e que a Secretaria Municipal de Prefeituras Regionais (SMPR) pediu o projeto básico da CET para quantificar o termo de referência da licitação. Em sua visão, são procedimentos bem diferentes dos da ponte Bernardo Goldfarb, pois nas outras duas pontes a infraestrutura já existe. Seria interessante obter uma posição oficial da SMPR.

    Daniel Guth comenta que o papel da Câmara Temática é trazer a informação e ajudar na pressão para que o projeto saia do papel. É importante que comecemos a discutir todas as conexões de uma região, e não apenas pequenos trechos.

     

    Retorno sobre os temas

    Sobre a questão de zeladoria da infraestrutura cicloviária, o secretário de mobilidade e transportes havia ficado de marcar uma reunião com o secretário municipal das Prefeituras Regionais, Bruno Covas. Não há retorno ainda sobre este tema - durante a reunião executiva, pela manhã, Sergio Avelleda pediu para sua equipe que marcassem a reunião com Bruno Covas o quanto antes. Enquanto não há retorno, este item fica como pendente para a próxima reunião da Câmara.

    Sobre o Portal 156, a ouvidora da Secretaria de Mobilidade e Transportes, Isabel Omnishitani, conta os resultados da reunião realizada em maio, a pedido da Câmara Temática, com todo o pessoal envolvido no sistema pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT). Há alguns itens pendentes, que ainda estavam sujeitos à homologação e testes, como os títulos de alguns dos serviços no site ou a questão do serviço de implantação de paraciclos. Gabriela Rosa, da SMIT, já teria conversado com a secretaria das Prefeituras Regionais sobre como essa demanda seria recebida por lá. Outras coisas, como a indexação da pesquisa a partir do termo “bicicleta” e a atualização dos serviços de manutenção, já estão operacionais no 156. Como encaminhamento, ficamos de marcar uma nova reunião dessa força tarefa para fazer uma atualização. Foi sugerido que os membros da Câmara Temática acessem o serviço de 156 para avaliação e sugestões antes dessa reunião.

     

    Informes gerais

    Sasha Hart comenta sobre a criação de um Grupo de Trabalho entre ciclistas e a Secretaria de Verde e Meio Ambiente (SVMA). A carta com o pedido de criação foi entregue ao secretário Gilberto Natalini em 22/6 e há 4 compromissos já assumidos pela secretaria. São eles o plantio de mudas ao longo de ciclovias e ciclofaixas; a realização de um seminário sobre bicicletas para resgatar a história de colaboração da secretaria na criação e implantação das ciclovias; avaliar e melhorar a inclusão de bicicletas nos parques e praças da cidade (onde há paraciclos, onde há acessos, questão de segurança etc); e a própria criação do GT, para que ciclistas possam participar do processo.

    Suzana Nogueira comenta que o plantio de mudas deve contemplar o aumento do número de ciclistas que deve ocorrer nas ciclovias beneficiadas. O exemplo da ciclovia da Faria Lima, que tem hoje cerca de 3 mil ciclistas por dia, deve ser considerado. São ações complementares - como construir essa agenda conjuntamente, de criação de áreas para ciclistas e de áreas para plantio de árvores.

    Daniel Guth menciona que a ideia é ampliar esse tipo de ação (criação de Grupos de Trabalho) também para outras secretarias municipais, como a de Esportes e Lazer e a de Educação, para que ciclistas possam ver onde pode haver esforços conjuntos.

    Suzana alerta que casos onde haja intervenção no viário envolvem diversos atores e é importante considerá-los, para que não haja perda de energia no processo. A CET começou um levantamento de um banco de dados para que as pessoas pudessem entender quais as infraestruturas que existem dentro dos parques, como trilhas, ciclovias internas, paraciclos etc, mas não chegou a ter um retorno disso da SVMA. Mas sabemos que a secretaria começou esse processo interno.

    Carolina Cominotti comenta que vale buscar os atores que estão no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito como representantes, para fazer as conexões nesses GTs.

    Não houve tempo para fazer um informe sobre o Grupo de Trabalho com a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Veja a ata completa neste link.

     

    Revisão do sistema cicloviário existente, qualificação e possíveis expansões

    Nancy Schneider, da Superintendência de Planejamento e Projeto da CET, traz a proposta de criação de grupos de trabalho enxutos (um para cada Prefeitura Regional) para iniciar a revisão do sistema cicloviário - o que também inclui avaliar sua ampliação, qualificação e conexões. A ideia inicial é que haja o envolvimento de 4 setores: sociedade civil (2 representantes), prefeitura regional (2 representantes, servidores), diferentes segmentos da sociedade civil (2 indicados - 1 associação de moradores, 1 associação de comércio), CET (2 integrantes, sendo um da área de planejamento e um da Secretaria de Mobilidade e Transportes) e área operacional (2 representantes). Cada grupo teria 10 pessoas.

    Na avaliação inicial feita pela CET, há 6 Prefeituras Regionais por onde os trabalhos poderiam começar, pois englobam boa parte do sistema cicloviário. Seriam elas: Vila Prudente, Capela do Socorro, Sé (por ser muito grande, Prefeitura Regional da Sé seria dividida em 3 áreas - neste caso, seria a porção do Bom Retiro), Vila Mariana, Butantã e Pinheiros. Essas regiões são as que mais apresentam solicitações relacionadas a ciclovias, seja de aumento de estrutura ou manutenção, seja de remoção. A análise será de toda a infraestrutura existente e prevista em tais Prefeituras Regionais, sendo que o GT faria uma análise das solicitações que chegaram, tanto de retirada quanto de expansão.

    A ideia seria começar com uma dessas Prefeituras Regionais e usá-la como piloto - sugere-se que a primeira seja a da Vila Prudente, pois é uma regional que já foi procurar a CET, segundo Nancy. O teste do piloto e do formato seriam já na semana que vem.

    Como comentários vindos da Câmara Temática, a sugestão é que os representantes não ciclistas da sociedade civil sejam escolhidos a partir de conselheiros já eleitos ou existentes, como é o caso de conselheiros do CADES ou de conselheiros participativos. A sugestão parte do princípio de que tais conselheiros já estão acostumados a lidar tanto com a sociedade quanto com o Poder Público e que os Grupos de Trabalho seriam técnicos - o que é diferente, por exemplo, de audiências públicas, onde diferentes setores da população podem se manifestar. Também há a contraproposta de que o teste piloto seja feito em uma região onde há menos conflito com vereadores, em uma área neutra.

    Como encaminhamento, ficou o indicativo de marcar uma reunião extra, apenas para discutir como tais Grupos de Trabalho funcionariam.

    A criação dos grupos de trabalhos junto às Prefeituras Regionais conversa diretamente com a capacidade de acesso da sociedade civil aos dados disponibilizados pelo Poder Público. Sobre este ponto, a Câmara Temática sugere uma reunião específica para avaliar como o governo pode publicar os dados brutos usados como fonte para vários documentos e/ou plataformas já existentes de dados abertos. Ficamos de mandar um email para agendar essa reunião.

     

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    Devolutiva sobre bicicletas dobráveis nos ônibus

    Simão Saura Neto, da SPTrans, faz uma apresentação sobre os tipos e tamanhos de bicicletas dobráveis, áreas que poderiam ser reservadas para bicicletas nos ônibus e possíveis espaços físicos, dentro dos diferentes modelos de ônibus, nos quais essas bicicletas poderiam caber (veja a apresentação completa aqui). Segundo Simão, a SPTrans está discutindo em paralelo com a principal fabricante de carrocerias dos ônibus para ver como é possível fazer. Os principais fatores são a facilidade de locomoção e a segurança.

    A questão ainda está em estudo. A área técnica da SPTrans não vê problema em entrar com bicicletas dobráveis no ônibus em espaços destinados a cadeirantes, desde que esteja claro que a prioridade é sempre de cadeirantes. A sugestão seria colocar um adesivo a mais no local reservado para formalizar a diretriz.

    Como encaminhamento, uma próxima reunião será agendada no Pari, para avaliar a questão já nos ônibus.

     

    CTB BicicletaNosOnibus

     

     

    Devolutivas finais

    Sobre o Programa de Metas da Prefeitura, objeto de intensa participação de entidades da sociedade civil voltadas para a mobilidade urbana, não houve uma devolutiva formal. As informações que circulam é de que não haverá mudanças nas metas propostas para a mobilidade, duramente criticadas como “vagas” pela sociedade civil. Na Câmara Temática de Mobilidade a Pé, sugeriu-se a participação dos grupos de pedestres na elaboração da pesquisa que servirá como base de avaliação sobre o aumento de 10% previstos para a mobilidade ativa; ciclistas não foram sequer convidados. No entanto, ao final não houve participação das entidades de mobilidade a pé e há indícios de que a pesquisa já está realizada. Segundo comentou André Castro, assessor do gabinete do secretário, a ANTP teria se oferecido muito tarde para ajudar na pesquisa e o processo teria sido conduzido pela Cristina de Miranda (“Kika”), via uma empresa contratada. Como o secretário de mobilidade e transportes Sergio Avelleda não estava na reunião, este permanece um tema para o qual houve insistentes tentativas de diálogo e a gestão as desconsiderou. Saberemos ao certo no momento da publicação final das metas da Prefeitura, o que deve acontecer em breve.

    Sobre a regulamentação da lei do Programa Bike SP, fomos informados que estão em andamento tratativas que envolvem outras secretarias municipais. mas ainda não há nada definitivo. Ficou como sugestão colocar em pauta o assunto assim que se tenha definições, possivelmente ao final de agosto.

     

    Pendências e encaminhamentos

    • É preciso um retorno sobre a questão da zeladoria da infraestrutura cicloviária;
    • Marcar nova reunião específica para atualização sobre o Portal 156;
    • Marcar nova reunião específica para discutir Grupos de Trabalho para a revisão do sistema cicloviário existente, qualificação e possíveis expansões;
    • Marcar nova reunião específica para discutir a publicação dos dados brutos usados como fonte em documentos e/ou plataformas de dados abertos relacionados à Secretaria de Mobilidade e Transportes;
    • Marcar nova reunião in loco com a SPTrans para dar continuidade sobre os estudos de viabilidade de bicicletas dobráveis nos ônibus.

     

  • Audiência pública na Cidade Tiradentes reforça importância da ciclofaixa da Av. Metalúrgicos

     

     

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    Aconteceu ontem (10/7) a audiência pública convocada pela Prefeitura Regional de Cidade Tiradentes, que debateu as políticas cicloviárias para a região à luz da ciclofaixa implementada na Av. dos Metalúrgicos. Com a presença do Prefeito Regional Oziel Evangelista e do Secretário de Mobilidade e Transportes, Sergio Avelleda, a audiência foi marcada por muitas manifestações favoráveis à estrutura cicloviária e alguns comerciantes contrários.

    A Ciclocidade, o Bike Zona Leste, o CicloBR e o Bike Anjo estiveram presentes, além de grupos de ciclistas e coletivos da região. Os dados da contagem de ciclistas, realizada no dia 23 de Junho pela Ciclocidade e pelo coletivo Bike Zona Leste, foram apresentados e recebidos com espanto por quem buscava sustentar que a ciclofaixa não fora apropriada pela população. O número de 580 ciclistas durante o dia e de 28% de ciclistas crianças, adolescentes e idosos foram os que mais impressionaram.

    No início da audiência pública, a coordenadora do departamento de modos ativos da CET-SP, Suzana Nogueira, fez uma apresentação resgatando o histórico da ciclofaixa, que faz parte de um plano cicloviário para a região gestado desde 2006. E apresentou, ainda, as futuras conexões previstas no Plano de Mobilidade, até 2030.

     

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    Entre as falas da população, houve uma concordância - quase consenso - de que o paradigma de mobilidade na Cidade Tiradentes deve ser outro. Além dos modos ativos de deslocamento, investimentos no transporte público foram as principais reivindicações. A ampliação do sistema viário básico, para atender as demandas de circulação de diversos meios de transporte, também foi um ponto levantado por muitas pessoas presentes.

    A visão mais sistêmica e ampliada sobre mobilidade da maioria das falas das pessoas presentes constrastou sensivelmente com a fala de alguns poucos comerciantes que se manifestaram agressivamente contrários à ciclofaixa. A principal reclamação é a perda de algumas vagas de estacionamento no viário, mesmo tendo sido a ciclofaixa implantada de forma que seu traçado não fosse lindeiro a nenhum lote comercial na via.

    Apesar de algumas falas contrárias à ciclomobilidade, muitas lideranças e ciclistas da região estiveram presentes para defender a infraestrutura e a expansão da malha cicloviária da Cidade Tiradentes, mantendo o clima da audiência pública em um tom mais propositivo e de expansão, muito mais do que de retrocessos.

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    Encaminhamentos

    Será agendada uma nova audiência para daqui um mês. Antes disso, uma reunião técnica com CET, ciclistas e moradores da região será realizada para estudar o mapa atual das estruturas cicloviárias da Cidade Tiradentes, especialmente da Avenida Metalúrgicos. Será estudado, ainda, o mapa previsto no plano de mobilidade até 2030, além das conexões mais urgentes deste plano.

     

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