• Fundo de Ações Locais chega à 2ª edição em São Paulo. Inscreva seu projeto!

    chamada projetos fal 2edicao noticia

    Visando promover a bicicleta em São Paulo por meio de apoio financeiro para iniciativas de mobilidade urbana ativa e estímulo à bicicleta, o Fundo de Ações Locais lança seu segundo edital em 2018. Organizado pela Ciclocidade - Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo - e pelo Instituto Aromeiazero, o FAL já financiou quatro iniciativas no primeiro semestre, e disponibiliza em sua segunda edição um recurso de R$ 15 mil.

    Criado a partir do superávit da captação de recursos doBicicultura São Paulo, em 2016,“o FAL é uma forma de manter, incentivar e descentralizar a bicicultura na cidade dando suporte a iniciativas que promovem a bicicleta e somam forças na resistência por uma cidade mais acessível e ciclável para todos”, comenta Michel Will, diretor de Cultura e Formação da Ciclocidade.

    No primeiro edital, o FAL recebeu inscrições de 17 projetos. De olho nos critérios que incluíram paridade de gênero e lugar de fala, a Comissão de Curadoria selecionou quatro iniciativas que foram contempladas com o apoio financeiro de R$ 3 mil.

    FAL 2016 1

    Pedal na Quebrada/© Giuliana Pompeu

    Na Zona Sul de São Paulo, no bairro do Campo Limpo, o coletivo de mulheres “Preta, Vem de Bike” realizou o projeto Pedal na Quebrada, uma série de encontros promovendo a bicicleta através de aulas para aprender a pedalar e oficinas de mecânica básica com conserto de bicicletas.“Tem que ser da periferia para a periferia. Assim podemos somar com os projetos já existentes, criar uma rede de parcerias locais”, comenta Jô Pereira, uma das organizadoras do Pedal na Quebrada e integrante do coletivo “Preta, Vem de Bike”.

    FAL 2016 4

    Jornalismo de Quebrada -  © Periferia em Movimento

    Outra iniciativa ficou por conta do coletivo Periferia em Movimento, que está realizando a série de reportagens “Jornalismo de Quebrada” com foco na mobilidade em bicicleta no extremo Sul da capital paulista. “Com o apoio financeiro foi possível mapear a infraestrutura ciclável no extremo Sul de São Paulo, as dificuldades encontradas pelos ciclistas locais e como isso impede que mais pessoas usem a bicicleta”, comentou Thiago Borges.  

    FAL 2016 3

    Biciclotour da Idéias - Foto de divulgação FAL

    Do outro lado da cidade, o projeto Biciclotour das Idéias ressignifica as ruas do Jardim Julieta - Vila Sabrina, na Zona Norte da cidade, pedalando uma bicicleta cargueira. “Promovendo arte, cultura e comunicação, usamos a bicicleta como uma ferramenta de aprendizado, de empreendedorismo e de tecnologias sociais”, explica Fabiana Menassi sobre a iniciativa que transforma uma bike cargueira em rádio, biblioteca e ateliê itinerante.

    FAL 2016 2

    Bikes Marginais / Foto de divulgação FAL

    No bairro do Grajaú, Zona Sul de São Paulo, o projeto Bikes Marginais organizou uma frota de bicicletas para realizar atividades de experimentação territorial em percursos educadores pela periferia da capital. As ações foram realizadas em parceria entre os coletivos Imargem, Casa Ecoativa, Ateliê Damargem e o Projeto Navegando nas Artes. 

     

    Faça parte do segundo edital inscrevendo seu projeto!

    Voltado para áreas com altos índices de vulnerabilidade social, em especial, para as regiões periféricas da cidade, o FAL busca contemplar propostas que atuam no fortalecimento de grupos, pesquisas, projetos de comunicação e de empreendedorismo através da bicicleta, além de ações afirmativas de minorias étnicas, religiosas, de gênero, de sexualidade, linguísticas, físicas e/ou culturais. Podem participar do  edital coletivos e grupos não formalizados, pequenos empreendedores (MEI e ME), e pessoas jurídicas sem fins lucrativos e não governamentais.

    Cadu Ronca, Diretor Geral do Instituto Aromeiazero destaca a relevância da criação deste Fundo:“Com esse incentivo, ideias de grande impacto comunitário podem ganhar força para sair do papel, articulando as pessoas das áreas onde serão realizadas em torno de um importante debate para a sociedade”.

    A seleção das propostas apresentadas para o segundo edital será feita pela Comissão de Curadoria do Fundo de Ações Locais, composta por pessoas com envolvimento nas área de ciclomobilidade, cultura, esporte, dentre outras.

    As inscrições poderão ser feitas de 18 de junho até 12 de julho no endereçowww.ciclocidade.org.br/fal. O resultado será publicado nas redes sociais daCiclocidade e doInstituto Aromeiazero no dia 7 de agosto.

    O FAL agradece a todos os membros da Comissão de Curadoria da primeira edição do FAL, composta por Sheila Hempkmeyer, psicóloga, mestre em educação, ciclista e membra da União dos Ciclistas do Brasil (UCB); Suzana Nogueira, arquiteta e urbanista, atuou na coordenação de planejamento e projetos cicloviários de São Paulo; Márcio Black, cientista político, produtor cultural e membro da Bancada Ativista e atualmente coordenador de cultura da FundaçãoTide Setúbal; Renata Amaral, engenheira ambiental, com experiência na coordenação de projetos socioambientais na iniciativa privada, pedala para se locomover em São Paulo; e Dani Louzada, publicitária, ciclista, membra do GT Gênero da Ciclocidade e colaboradora do projeto Feminismo em Duas Rodas.

     

    Para acessar as fotos deste release:https://goo.gl/cBGHN6

    Mais informações:Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. /Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

  • 7%, um número que tem que mudar

     

    Ciclista Eliseu

     

    Quando observamos o histórico das contagens de ciclistas em busca da participação de mulheres, uma coisa fica muito clara: a situação está feia. E é por isso que devemos agir agora.
     
    Contagens de ciclistas tendem a refletir muito bem o cenário de um dia específico. É por esse motivo que, ao fazê-las, as organizações costumam começar cedo, terminar tarde e priorizar dias úteis, o que ajuda a caracterizar o uso da bicicleta como meio de transporte, e não apenas de lazer. Um horário típico para início dos trabalhos é a partir das 6h ou 7h (92%), enquanto o término tende a ser às 19h (54%) ou próximo a isso (44%), normalmente ao longo de uma quinta ou quarta-feira (69%).
     
    Se os resultados de uma contagem são retrato de um intervalo de tempo particular, no caso, um dia, isso quer dizer que podem ser distorcidos por eventos acontecidos dentro daquele mesmo período, como chuvas ou acidentes. É aí que entra a importância do histórico, e de amostragens feitas em locais diferentes.
     
    Ao todo, entre 2008 e 2015, aconteceram 39 contagens de ciclistas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Aracaju, Recife e Niterói, em pesquisas realizadas pelas associações Ciclocidade, Transporte Ativo, Mountain Bike BH, Ciclo Urbano, Ameciclo e Mobilidade Niterói.
     
    Nessas pesquisas, salvo as duas contagens realizadas na Orla de Copacabana e que podem ser consideradas exceções (veja abaixo), a participação de mulheres ciclistas sempre ficou abaixo de 13%. Na verdade, a média das 37 contagens fica em 5,8%. Se considerarmos o histórico como um todo, incluindo as exceções, ainda assim a média é de 6,9%, ou, arredondando, 7%. Para São Paulo, esse número é ainda pior e fica abaixo dos 6%.

    O que as exceções nos mostram
     
    Em agosto de 2014, a Transporte Ativo fez duas contagens automatizadas na Orla de Copacabana – uma no domingo, dia mais voltado para o lazer, e uma na quarta-feira da mesma semana. Naqueles levantamentos, a participação de ciclistas mulheres ficou em 30% e 27%, respectivamente, uma porcentagem duas vezes maior do que o registrado em outros lugares.
     
    Se considerarmos apenas o dado do dia útil, podemos compará-lo a duas contagens da Ameciclo realizadas em abril de 2013, em dois pontos de Recife. Em termos de volume as três são parecidas, todas acima da casa de 3.500 ciclistas, ainda que as de Recife tenham duas horas a mais de intervalo. Se na quarta-feira carioca houve 27% de ciclistas mulheres, na quinta-feira recifense, foram 12,5% na contagem da Avenida Forte e apenas 5,8% na da Avenida Beberibe.
     
    O que os levantamentos na Avenida Atlântica sugerem é que as mulheres sentem-se mais inclinadas a andar de bicicleta quando há a sensação de segurança. A Orla de Copacabana é um ponto turístico do Rio de Janeiro e conta tanto com uma ciclovia como com uma área de lazer. A proteção ali, portanto, se dá em dois níveis. Primeiro, porque há muita gente circulando nas ruas e calçadas, seja a pé ou de bike; segundo, porque há uma via exclusiva para o tráfego de bicicletas.

     

    Ciclistas Copacabana

    A Orla de Copacabana, no dia da contagem feita pela Transporte Ativo.

     

     
    Para mulheres, vias exclusivas para bikes são importantes
     
    Este segundo fator também é observado em outros levantamentos. Nas próprias contagens citadas do Recife, a Avenida do Forte é uma via coletora entre duas vias arteriais e tinha uma ciclofaixa, por pior que fosse no momento da pesquisa. Já a Avenida Beberibe é uma arterial principal que não possuía faixas de proteção para bicicletas. A segunda apresentou menos da metade de mulheres ciclistas.
     
    Ao vermos as pesquisas do Rio de Janeiro, há duas ocasiões em que a Transporte Ativo voltou ao mesmo lugar antes da implantação de ciclofaixas. A primeira, em junho e novembro de 2009, aconteceu na Rua Rodolfo Dantas (ligação entre o metrô Cardeal Arcoverde e a Orla de Copacabana). Ali, embora o número de ciclistas fosse praticamente o mesmo nos dois dias (780), houve um decréscimo de ciclistas mulheres de 7% para 4,7%.
     
    Porém, na contagem da Rua Figueiredo de Magalhães, uma estação de metrô depois do primeiro ponto, o intervalo entre os levantamentos foi muito maior. O primeiro aconteceu em julho de 2009 enquanto o segundo ocorreu em março de 2013, mais de três anos depois. Naquele caso, a participação feminina subiu de 6,4% para 14%, um salto expressivo.

    O mesmo cenário é observado no caso da Av Eliseu de Almeida, no Butantã (São Paulo). Esta é uma avenida na qual da Ciclocidade acumula um histórico de três levantamentos: dois em sextas-feiras de agosto de 2010 e 2012; um em uma terça-feira de setembro de 2014 - este último, após a implantação parcial de uma ciclovia. Após a estrutura dedicada, o número de ciclistas mulheres aumentou dos 2% e 4% nas primeiras contagens para 7% na última.

    Mas o argumento mais forte que relaciona a sensação de segurança, para o caso de ciclistas mulheres, e vias dedicadas é que, de todas as 39 contagens, sempre que a presença feminina ultrapassa a marca dos 10% (10 casos), é porque existe uma estrutura implantada de ciclovia ou ciclofaixa.

     

    GT Genero


    Um Grupo de Trabalho de Gênero

    Para levantar mais dados, criar um diagnóstico sobre a situação das mulheres ciclistas na cidade de São Paulo e fazer propostas e revindicações  para que as políticas de ciclomobilidade sejam verdadeiramente includentes, a Ciclocidade criou um Grupo de Trabalho de Gênero. Saiba mais sobre os objetivos, ações e publicações previstas neste link.

     

    Veja também a listagem das 39 contagens de ciclistas usada como base para esta matéria.

  • Projeto Mão na Roda ensina ciclistas a consertarem suas bikes

     

    O mandato do vereador José Police Neto, esteve ontem (06) na inauguração de mais um ponto da Oficina Comunitária de Bicicleta Mão na Roda, no Centro Cultural São Paulo, na Rua Vergueiro. A iniciativa é da CicloCidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo). Segundo Matias Fingermann, um dos diretores da entidade, o objetivo da oficina é ensinar os ciclistas como consertar suas bikes, para que eles tenham autonomia caso aconteça algum problema e para que possam orientar também outros ciclistas. “É um espaço aberto e gratuito de orientação. E os professores são voluntários”, completa Matias.

    Para poder comprar as ferramentas e os acessórios da oficina, a CicloCidade fez uma campanha de arrecadação coletiva pela internet. O projeto Mão na Roda funciona às terças à noite aos domingos à tarde no Centro Cultural São Paulo, às quartas à noite e aos sábados pela manhã no Centro Cultural da Juventude no bairro Vila Nova Cachoeirinha (Zona Norte), e às quintas à noite no Espaço Contraponto, na Vila Madalena. Mais informações pelo site www.ciclocidade.org.br/maonaroda

     

    FONTE: Police Neto