Auditoria Cidadã: Como estão as ciclovias de São Paulo

Na reta final, o projeto Auditoria Cidadã está avaliando toda a malha cicloviária da cidade de São Paulo e descobrindo o uso dessas estruturas.

Ao longo de todo o mês de setembro, mundialmente conhecido como o mês da mobilidade, o projeto Auditoria Cidadã tem colhido dados importantes sobre as condições reais da malha cicloviária dos paulistanos. Mais de 70% do total de ciclovias e ciclofaixas da cidade já foram auditadas e ao final, um relatório com as análises completas será entregue à Prefeitura de São Paulo como forma de contribuição da sociedade no debate por uma cidade mais segura acessível.

As primeiras análises trazem dados ricos, que apontam estruturas que estão sendo desrespeitadas e muitas outras que precisam de manutenção e conectividade. Com quase 50 ciclistas nas ruas das quatro Zonas da cidade aplicando o IdeCiclo - Índice de Desenvolvimento Cicloviário, as condições das estruturas estão sendo apuradas e seus usos redescobertos.

Há ciclovias anteriores ao projeto que implantou 400 km de estruturas cicloviárias na última gestão e que há anos são utilizadas pelos moradores locais, como é o caso da Ciclovia da Adutora, que passa por dentro do Parque linear Zilda Arns. Em paralelo há estrutura, há dispositivos de lazer, inclusive uma pista de skate. A ciclovia é bastante caracterizada como tal, por ser afastada do tráfego, mas há trechos onde motoristas trafegam irregularmente e motos ficam estacionadas.

A aplicação do índice leva conta fatores importantes para a segurança dos ciclistas, que vão desde a sinalização e velocidade na via, até condições do asfalto e obstáculos no percurso. O IdeCiclo também analisa a proporcionalidade entre as malhas cicloviária e viária das cidades e foi pensado, em seu primeiro desenho, pela Ameciclo - Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife.

“Para São Paulo, nós sentimos a necessidade de mais alguns parâmetros para analisar as condições das estruturas, como iluminação, sinalização semafórica e avaliação de áreas confinadas, que são elementos importantes também para a segurança do ciclista.

Espera-se que índice seja replicado em outras capitais, como já é o caso de Belo Horizonte e Brasília”, explica Suzana Nogueira, coordenadora do projeto Auditoria Cidadã.

Segundo contagens de ciclistas realizadas pela Ciclocidade antes de depois da implantação de estrutura cicloviária em determinadas ruas e avenidas, o número de ciclistas aumentou expressivamente. Esse é o casa da Avenida Eliseu de Almeida, por exemplo, que após anos de pressão por uma ciclovia recebeu a estrutura e foi conectada com outros eixos importantes como as Avenidas Deputado Jacob Salvador Sveibil e João Saad. Só entre 2014, quando a ciclovia começou a ser implantada, até 2016, quando foi finalizada e conectada, houve um aumento de 119%, passando de 888 ciclistas entre às 6h e 20h, para 1.941 ciclistas neste mesmo período do dia.

O levantamento dos dados do Projeto Auditoria Cidadã deve ser finalizado na primeira semana de outubro com os ciclistas em campo auditando as ciclovias e ciclofaixas da cidade. Ao longo do mês de outubro, o relatório será finalizado e entregue à Prefeitura de SP e à sociedade civil. Mas, o trabalho de denunciar os trechos onde o Poder Público precisa atuar não para e continuamos incentivando a todes a fazer essa cobrança também nas redes sociais, se possível, usando a hashtag #CicloAuditoriaSP.

O Projeto Auditoria Cidadã tem o apoio do Banco Itaú e realização da Ciclocidade.