Grupo de Trabalho faz análises iniciais de novos projetos cicloviários

Finalmente começam a surgir pela cidade novas ciclovias. O plano de mais 173 km anunciado há tempos pela gestão Covas ainda parece longe de se concretizar, mas depois de três anos de muita luta e resistência, começamos a ver ações mais concretas por parte desta gestão que, lembremos, assumiu a prefeitura ameaçando retirar estruturas.

Esta semana teve bastante destaque o anúncio da ciclofaixa projetada para a Avenida Rebouças, importante conexão na cidade que agora contará com uma via exclusiva para o ciclista. O projeto dessa ciclovia foi obtido por nós via Lei de Acesso à Informação e estamos disponibilizamos aqui no site da Ciclocidade o respectivo relatório feito pelo GT de Análises Iniciais de Projetos Cicloviários. Apesar de reconhecermos a urgência e importância dessa estrutura para os ciclistas, ressaltamos que o projeto produzido pela atual gestão perde uma oportunidade de ouro de aproveitar o potencial civilizatório de uma ciclofaixa para todo o tráfego da avenida. A ciclofaixa será inserida como política isolada e não integrada a uma política robusta de acalmamento de tráfego, com redução do limite de velocidade; nem mesmo a uma reorganização de fluxos e cruzamentos já conflituosos, como é, por exemplo, o encontro da Rebouças com a Al. Santos e a R. da Consolação. 

Neste momento foi montado o GT de Análises para marcar nossa vigilância frente às irregularidades, deficiências e possíveis melhorias nos desenhos das novas ciclovias e ciclofaixas. O grupo é heterogêneo, com ciclistas que conhecem a cidade e as regiões analisadas, de forma que o estudo realizado se fundamentou tanto em uma base empírica, vinda das experiências e vivências do grupo, quanto em uma base teórica, vinda do acúmulo da Associação com pesquisas e estudos da área de segurança viária e ciclomobilidade e de referências nacionais e internacionais de desenho cicloviário.

Dessa forma, este artigo também vem no intuito de tornar público, tanto para o Poder Público como para a sociedade civil, que a Ciclocidade gostaria de contribuir mais com o plano da prefeitura, que apesar de fruto de muito discussão, está sendo implementado sem plena transparência e com decisões unilaterais por parte da Prefeitura. Este e outros 16 projetos de expansão cicloviária só foram obtidos após pedido via Lei de Acesso à Informação, e o que foi fornecido ainda não corresponde à totalidade das estruturas que a prefeitura promete entregar até o fim deste ano.

A respeito da análise do projeto para a Avenida Rebouças, dividimos os pontos de atenção em quatro tópicos, sendo eles: “Traçado”, “ Layout / Estrutura”, “Intersecções” e “Sinalização e Acessibilidade”. Para todos os pontos destacados, há também sugestões de soluções com potencial de trazer ganhos consideráveis na qualidade da estrutura, como um todo.

Destacamos alguns trechos dos relatório abaixo, mas você pode acessar a íntegra do documento aqui.

Conexão com ciclovias da Av. Paulista e Av. Consolação (Prancha 1):  É preciso proporcionar acesso mais direto às ciclovias da Av. Paulista e da Consolação. Isso seria possível, por exemplo, com um trecho de ciclovia segregada na terceira faixa da Rebouças, separando antecipadamente os fluxos de veículos que pretendem acessar a Av. Consolação e a Av. Paulista, o que ainda reduziria conflitos e acidentes no trecho.

Compatibilizar tipologia com limite de velocidade (40 km/h):  Rebouças tem limite de 50 km/h, o que exigiria uma ciclovia e não ciclofaixa. Sugerimos fortemente reduzir o limite da Av. Rebouças para 40 km/h. Tal mudança traria diversas consequências positivas para todos os usuários da avenida, incluindo pedestres, ciclistas e os próprios motoristas de veículos.

Trechos de ciclofaixa com largura inadequada (menor que a mínima segura de 1,2 m):

Após R. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar (Prancha 2, figura 1): Ciclofaixa com 1 m, largura muito inadequada. Pode-se antecipar em uma quadra o fim da terceira faixa de veículos para manter a ciclovia com largura mínima de 1,20m.

Altura da R. João Moura (Prancha 3 figura 2): Alargar a ciclovia na de 1,0m para 1,2m, reduzindo a largura das duas faixas de carro de 2,6 m para 2,5 m.

Ao todo são seis trechos críticos, além dos dois acima apresentados, o relatório indica sugestões de mudança nas alturas da Av. Brasil à R. Joaquim Antunes, Av. Pedroso de Morais, R. Luis Pereira de Almeida e R. dos Pinheiros. Também são apontados problemas nas intersecções: “É preciso reduzir conflitos com veículos em todas as conversões da Rebouças para ruas transversais, reforçando a preferência dos ciclistas sobre o veículo que vai fazer a conversão.”, relata o GT sobre 15 pontos.

Não deixe de ler o relatório completo, aqui!

Sobre o funcionamento dos Grupos de Trabalho da Ciclocidade:

Desde a fundação da Ciclocidade, e ao longo destes mais de 10 anos, a luta por uma cidade mais ciclável e acessível teve demandas específicas, que ora careciam de mais atenção, ora não. Temos grupos mais ativos nas áreas de bicicletas compartilhadas, ciclovias em rodovias, e questões de gênero. Nem todos os grupos deixam de existir, mas estão sempre precisando de mais braços para seguir propondo novas iniciativas. Fica o convite para todes!