11 perguntas e respostas sobre mobilidade e o futuro das cidades

Na Semana da Mobilidade de 2019, 11 organizações se uniram para responder a 11 perguntas e respostas sobre mobilidade urbana e caminhos para mudar a realidade das cidades. A iniciativa teve participação das seguintes entidades: Bike Anjo, Ciclocidade, Cidade Ativa, Corrida Amiga, ICS,Bike Anjo, Ciclocidade, Cidade Ativa, Corrida Amiga, ICS,Iniciativa Bloomberg, Instituto Cordial, Sampapé, Quicko, Rede Nossa São Paulo, WRIBrasil.

Na ausência de uma publicação que unisse todas as perguntas e respostas, fizemos este artigo para lançar um #tbt especial no Mês da Mobilidade (setembro) de 2020.

Por que abordar a mobilidade urbana a partir do caminhar?

A mobilidade urbana é a condição dos deslocamentos nas cidades. Isso significa que asdinâmicas que se dão nas cidades não são apenas pelos modos transporte disponíveis, mastambém pela distribuição da moradia e oportunidades na cidade, pela experiência no espaçopúblico, pelas trocas entre as pessoas, pela qualidade do ar, entre tantas outros elementosque impactam nas condições de se deslocar e acessar a cidade. Abordamos a mobilidade apartir do caminhar, pois além de ser como todas as demais alternativas e lugares se conectame ser a forma mais inclusiva e sustentável de estar na cidade, a perspectiva a pé, coloca aspessoas como protagonistas e agrega um olhar mais complexo e humano à vida nas cidades.(Leticia Sabino, SampaPé!)


O que a mobilidade urbana tem a ver com as mudanças climáticas?

A mobilidade urbana está diretamente relacionada às mudanças climáticas, especialmente seolharmos para os grandes centros urbanos, onde as emissões do setor de transportes sãoprotagonistas. Vale lembrar que o agravamento da qualidade do ar e o aumento dos impactosdecorrentes pelas mudanças do clima possuem o mesmo ponto de partida: o escapamento dosveículos. Por isso, é importante trabalharmos para a redução do uso do transporte individual eincentivar os modos ativos e coletivos. Também não podemos esquecer que mobilidadeurbana tem a ver com a distância diária de deslocamento das pessoas, sendo assim, garantiracessibilidade à população é outra chave para combater as mudanças climáticas. Dessa forma,garantimos cidades mais sustentáveis e resilientes. (Marcel Martin, Instituto Clima e Sociedade)


Como será a mobilidade do futuro?

“Compartilhada, sustentável e inteligente. Nossas ruas estarão preparadas para que inovaçõesem serviços de transporte possam conviver em harmonia. As novas tecnologias devemaproximar as pessoas à informação, promover opções de transporte mais saudáveis eaumentar o acesso às oportunidades das cidades.” (Luisa Feyo Peixoto, Quicko)


Como eu posso colaborar para melhorar a mobilidade urbana na minha cidade?

A mudança começa com a reflexão sobre os meios de transporte que utilizamos no dia a dia.Quando caminhamos, pedalamos ou usamos o transporte público, é possível identificardesafios e oportunidades. Com isso, podemos mapear e nos engajar em discussões e gruposde trabalho que tratam do tema para reivindicar transformações na infraestrutura e garantirmelhores oportunidades de acesso à cidade. (Mariana Wandarti, Cidade Ativa)


Quais os benefícios da mobilidade ativa?

Os deslocamentos de forma ativa são os mais saudáveis - para as pessoas e para as cidades.Para que as pessoas usem mais esse tipo de mobilidade no dia-a-dia, porém, são necessáriosalguns incentivos. Caminhar, pedalar, andar de skate - todos requerem esforço físico. Logo ainfraestrutura urbana precisa ser segura e confortável em todas as rotas. Bom pavimento,travessias seguras, arborização são algumas das características desejáveis. Velocidades maisbaixa (40 km/h ou menos) e boa iluminação das calçadas e ciclovias também tornam oambiente mais atrativo. (Paula Santos, WRI Brasil)


Como o governo pode atuar para melhorar a mobilidade urbana?

Somando esforços à sociedade para construir políticas públicas baseadas em evidências. Amobilidade é um tema complexo que interfere na vida de todos que vivem na cidade. Atuar deforma inteligente buscando garantir uma mobilidade segura, eficiente e justa a todos envolvenão apenas conhecimento técnico, mas ação articulada a outros atores da sociedade,entendendo as necessidades da população e somando esforços para fazer as melhoresperguntas aos muitos dados disponíveis, procurando sempre respostas para embasarintervenções e políticas públicas. (Luis Fernando Villaça Meyer, Diretor de Operações -Instituto Cordial)


O que as pessoas ganham ao trocar o carro por outro meio de transporte?

Importante ressaltar que, no Brasil, 2/3 dos deslocamentos já são realizados a pé e portransporte público coletivo. O transporte público tem um papel fundamental a desempenharno incentivo de viagens mais ativas, uma vez que a maioria das viagens envolve um passeio deida e volta para o transporte público em comparação com a experiência muito mais sedentáriade viajar de carro. Então, ao trocar a viagem individual motorizada por modos ativos e coletivos, ganha-se muito em termos: ambientais, sociais, emocionais, de bem-estar,econômicos, culturais, de cidadania, apropriação do espaço público, e por aí vai. A OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS, 2011), por exemplo, recomenda 150 minutos de atividade física porsemana, facilmente conquistados ao se optar pelo deslocamento ativo. Há ainda os ganhos namelhoria da qualidade ambiental do espaço público com um ambiente confortável, baixo nívelde ruído, melhora da qualidade do ar (no município de São Paulo, apesar de levar apenas 30%dos passageiros, os automóveis são responsáveis por 73% das emissões de GEE (IEMA, 2017).(Corrida Amiga)

Qual o principal desafio de um plano de mobilidade urbana?

Um dos principais desafios dos planos de mobilidade urbana é estabelecer caminhos factíveis,e ao mesmo tempo ousados, para que as cidades passem a priorizar os modos ativos ecoletivos de deslocamento. Pode parecer pouco, mas trata-se de uma verdadeiratransformação dos centros urbanos. Significa que pedalar, caminhar ou pegar ônibus, trens oumetrôs deverão ser avaliados pelas pessoas, nos próximos anos, como as formas maiseficientes e seguras de locomoção. Mais do que pegar um carro ou um Uber, por exemplo.Estima-se que dois terços das pessoas viverão em áreas urbanas até 2050. Nas cidades, aprincipal fonte de emissão dos gases estufa é o transporte, fazendo com que ambos - ascidades e os modos de transporte - tenham papel cada vez mais central no desafio dasmudanças climáticas. (Ciclocidade)

Como a segurança no trânsito ajuda a garantir uma melhor mobilidade para todos?

O tema da segurança viária e da melhoria da mobilidade urbana são totalmente convergentes.Quando priorizamos os modos ativos e coletivos de transporte, e reduzimos o número deveículos automotores circulando nas cidades, geramos mais segurança viária para a população,já que diminuímos significativamente a exposição das pessoas ao risco de atropelamento. Amobilidade ativa de pedestres e ciclistas aumenta quando há mais espaço e melhorescondições de infraestrutura nas ruas. Com isso, além de mais faixas e corredores exclusivos deônibus e transporte sobre trilhos, atinge-se uma divisão do espaço mais igualitária e queestimula um maior deslocamento de pessoas e não só de veículos. (Pedro de Paula, IniciativaBloomberg para a Segurança Global no Trânsito)


O que a mobilidade urbana tem a ver com as mudanças climáticas?

A relação entre a mobilidade urbana e as mudanças climáticas está pautada principalmentepelo consumo excessivo de energia para o deslocamento das pessoas nas cidades, que éagravado pelo alto potencial poluente da mesma. Isto é, os modelos de cidades atualmenteexigem grandes deslocamentos diários (por exemplo, de casa ao trabalho) e estesdeslocamentos são realizados, muitas vezes, por meios de transporte ineficientes - como osautomóveis - e movidos a combustíveis fósseis com elevada emissão de gases de efeito estufa.
Reduzir a necessidade de longos deslocamentos diários e promover meios de transporteseficientes e limpos são passos importantes para reduzir os impactos da mobilidade urbana nasmudanças climáticas. (Cristina Albuquerque, WRI Brasil)