Dia Mundial Sem Carro 2010 Dia Mundial Sem Carro 2010

A Ciclocidade e o Dia Mundial Sem Carro

Dia Mundial Sem Carro

O Dia Mundial Sem Carro, celebrado em 22 de setembro, é uma data de reflexão e ação por parte de cidadãos, organizações e governos ao redor do planeta.

O número crescente de automóveis em circulação e o aumento de horas que cada cidadão gasta dentro de um automóvel significam desperdício de recursos, tempo e qualidade de vida.

Um dia sem carros não é uma meta. O automóvel tem a sua utilidade e boa parte do funcionamento das nossas sociedades ainda depende dele.

Podemos mudar para melhor a forma de organização e vida nas cidades. As alternativas existem e precisam ser viabilizadas.

O Dia Sem Carro é uma data mundial para pensar sobre o tema e experimentar novos hábitos, levando as conclusões para o resto do ano.

A Ciclocidade acredita que a bicicleta pode ser uma alternativa de locomoção para muitas pessoas ou para muitas situações do cotidiano, amplificando as possibilidades de mobilidade urbana dos cidadãos.

A contribuição da bicicleta para uma cidade com melhores condições de vida é incontestável sob todos os aspectos.

Quem usa bicicleta integra-se ao espaço urbano, ganha saúde e colabora com a qualidade de vida, tornando-se um indivíduo mais ativo em sua comunidade, capaz de identificar com mais facilidade os problemas e mais disposto a participar das soluções.

Queremos que todos que circulam nas ruas tenham o direito à vida, segurança e conforto em seus deslocamentos.

Defendemos atenção e benefícios crescentes para os ciclistas e desejamos um transporte público decente e rápido, boas calçadas e boas condições para todos que utilizam alternativas inteligentes de locomoção.

Experimente a bicicleta e descubra uma nova cidade.

São Paulo, 22 de setembro de 2010

Clipping Dia Mundial Sem Carro 2010

 

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Divulgação

Sai do carro. Vem pra rua

 

Por Denis Russo Burgierman, jornalista


– Sai da rua, viado.

Já ouvi muitas vezes esse desaforo, lá nos idos dos anos 80, quando eu pedalava pelas ruas tomadas de carro de São Paulo. Era sempre um(a) motorista irritado(a) com o fato de eu ocupar espaço no trânsito. Isso apesar de eu me espremer junto à calçada num esforço para não atrapalhar. Naquele tempo, estava claro: aquele não era lugar para um ciclista.

Na época, eu não pedalava por ativismo, nem porque sonhasse com um novo modelo de cidade, nem por qualquer tipo de consciência ambiental. Consciência o quê: naquele tempo eu jogava lixo na rua sem a menor cerimônia.

Pedalava porque não sabia dirigir. Porque me dava uma sensação de autonomia, de liberdade, de ser dono dos meus caminhos em vez de ter que obedecer a rotas de ônibus criadas em alguma sala fechada por burocratas que iam trabalhar de carro. Pedalava porque achava divertido.

Cresci na guerra do trânsito de São Paulo e, como veterano de guerra que sou, meu coração se endureceu. Fui atropelado quatro vezes, atropelei pedestres duas vezes, quebrei mais espelhinhos retrovisores do que tenho dedos nas mãos. Uma época, cansado dos desaforos gritados pela janela, andava com uma corrente com cadeado sobre os ombros, num sinal ameaçador aos motoristas. Funcionava. Briguei aos berros com inúmeros motoristas de ônibus, chutei carros, tentei arrancar um telefone celular da mão de um motorista engravatado. Tenho as cicatrizes para provar.

Quando me apaixonei e casei, quis recrutar minha esposa para a minha guerra. Ela não queria. Morria de medo do trânsito de São Paulo. Criada nas ladeiras de paralelepípedos de Olinda, onde andar a pé é rápido o suficiente, jamais aprendeu direito a se equilibrar no selim. Convenci-a a experimentar, primeiro num domingo tranquilo e ensolarado. Pedalamos por aí, de um bairro a outro, parando para tomar refrescos.

Quando voltamos para casa, já à tardinha, numa descida suave, seus dentes pareciam querer chegar às orelhas. Ela estava feliz, feliz, feliz. Virou para mim e disse:

É quase como voar.

Me deu um nó na garganta e segurei a vontade de chorar. Tão engajado na guerra eu estava que tinha esquecido disso. É mesmo. Pedalar criança de joelho esfolado ladeira abaixo aos gritos de pavor de alegria cada vez mais rápido o vento o cabelo batendo no olho. É a coisa mais parecida com voar que eu já fiz.

Joaninha amoleceu meu coração. Pedalamos juntos primeiro pela Vila Madalena. Depois pelo Ibirapuera e Liberdade e o centro da cidade. Depois para Itu para a estrada de Cabreúva. Depois para o interior da França cidadezinhas de pedra piqueniques no campo com queijos, pães e morangos comprados direto do produtor. Depois pelo Vietnã, pela Patagônia, pela Estrada Real de Minas, pelo Camboja, pela highway 1 da Califórnia.

Enquanto ela aprendia a andar de bicicleta, voltei a pedalar por achar divertido.

O trânsito de São Paulo é dez vezes pior hoje do que era nos anos 80. Mas ninguém mais me grita para sair da rua. Uns chatos buzinam, mas parece ser mais por hábito do que por raiva. Estamos todos cansados da guerra.

Aí, meu coração amolecido me diz que o inimigo não está dentro do carro. Aliás, não há inimigo. Não há guerra. As pessoas dentro do carro são nossos irmãos, nossos colegas, nossa família, nossos amigos, o rapaz simpático da esquina, a menina bonita da rua de baixo. E estão tão assustadas quanto nós, submersas nesse oceano de buzinadas, fumaça e violência que é São Paulo. Tão assustadas que seus carros têm o design de um tanque de guerra, os vidros são escurecidos, sempre fechados.

Não é fácil encontrar os olhos deles. Mas, quando encontramos, são olhos vazios, como se eles estivessem abdicando de viver ao longo das horas que são obrigados a passar lá dentro. Uns tentam se distrair: ligam o rádio, lêem, estudam inglês, fazem reuniões de negócios. Quase ninguém parece feliz.

Aí, me dá vontade de gritar para eles. Não mais o grito irritado, amargurado, desaforado que me gritavam nos anos 80. Mas um grito amistoso. Um convite.

Sai do carro. Vem prá rua.

[DIA MUNDIAL SEM CARRO 2010]

Programação

 

[PROGRAMAÇÃO]    -    [CICLISTA URBANO] -   [PANFLETO] -   [DIA SEM CARRO 2010]

 

sexta (17)

. das 6h às 20h - Segunda Contagem de Ciclistas - Avenida Paulista

Na sexta-feira (17), será realizada a segunda contagem de ciclistas da associação seguindo o método fotográfico elaborado pela Associação Transporte Ativo. O levantamento, que tem como objetivo ajudar a planejar políticas públicas em favor dos ciclistas urbanos de São Paulo, será realizado na Avenida Paulista, das 6h às 20h. Os resultados serão divulgados na semana do Dia Sem Carro.

 

 

sábado (18)

No sábado (18), a partir das 14h, as Pedalinas promovem uma atividade que irá contar um pouco da história e discutir as razões da existência de um coletivo feminino de ciclistas, passando por questões de gênero e mobilidade urbana em São Paulo.

Na sequência, às 15h, a Ciclocidade participa da Sessão Bicicletas do Festival Entretodos, com a exibição de curtas produzidos em três capitais brasileiras (São Paulo, Vitória e Curitiba) e promove um debate com os realizadores.

As duas atividades acontecem no Matilha Cultural. Ciclistas são bem-vindos e poderão estacionar suas bicicletas no local.

 

 

. 14h - Apresentação e debate: Pedalinas - Coletivo Feminino de Ciclistas

. apresentação do coletivo e debate sobre questões de gênero e mobilidade urbana

. no Matilha Cultural (rua Rego Freitas, 542 - Centro)

 

. 15h - Sessão Bicicletas do Festival Entretodos

. exibição de curtas e conversa com diretores

. no Matilha Cultural (rua Rego Freitas, 542 - Centro)

 

 

domingo (19)

No domingo (19), a Ciclocidade irá levar os ciclistas até o show da cantora Céu, no encerramento do Festival Entretodos. O pedal até o Parque da Independência sairá da Praça do Ciclista às 9h30.

Na sequência, pedalantes estão convidados para outro evento parceiro: a partir das 13h, o projeto ArteMobilidadeocupa o Beco do Batman e a loja Tag & Juice com música, vídeos, oficina de silk e leilão de camisetas revertido para a Mão na Roda – a oficina comunitária de bicicletas.

 

 

. 9h30 - pedal até o show da cantora Céu no encerramento do festival Entretodos

. saída: Praça do Ciclista (av. Paulista, entre ruas Bela Cintra e Consolação)

 

. 13h - ArteMobilidade

. música, vídeos, silk screen e leilão de camisetas revertido para a oficina Mão na Roda

. na Tag & Juice (rua Gonçalo Afonso, 99 - Vila Madalena)

 

 

quarta-feira (22) - Dia Sem Carro


E no dia 22 de setembro, a Ciclocidade promove o primeiro Café do Ciclista: a partir das 7h da manhã, serviremos um café da manhã para todos os usuários de bicicleta que passarem pela Praça do Ciclista (av. Paulista, entre as ruas da Consolação e Bela Cintra).

O Café da Manhã busca estimular quem utiliza a bicicleta no cotidiano, proporcionando também um momento de conscientização a respeito da convivência pacífica e da utilização segura da bicicleta nas ruas.

 

 

. 7h - Café do Ciclista

. a Ciclocidade agradece quem utiliza a bicicleta como meio de transporte e oferece um café da manhã para os ciclistas que passarem pelo local

. na Praça do Ciclista (av. Paulista, entre ruas Bela Cintra e Consolação)

 

12h. - Vaga Viva do Coletivo do Dia Mundial Sem Carro

. vagas de automóveis transformadas em espaço de convivência

. rua Padre João Manuel, esquina com a av. Paulista

 

 

 

 

OUTRAS ATIVIDADES EM SÃO PAULO

Veja também a programação de outras entidades e grupos para a Semana da Mobilidade e o Dia Sem Carro em São Paulo

. Bicicletada

. Coletivo Dia Mundial Sem Carro

. Instituto Ciclobr

. Pedal Verde

 

 

Pedal até o show da cantora Céu, no encerramento do Festival Entretodos

arte: polly rosa

 

Na festa de encerramento e entrega de prêmios de terceira edição do Festival de Curtas Metragens Entretodos, a cantora e compositora Céu, considerada uma das maiores revelações da nova geração da MBP, traz o show de seu novo CD "Vagarosa"

O show é promovido pela Prefeitura de São Paulo, através da Comissão Municipal de Direitos Humanos, com apoio da SPTuris, da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e do SescSP. É gratuito e acontece no Parque da Independência (av. Nazareth, s/n), a partir das 11h da manhã.

Se você quiser ir de bicicicleta, junte-se à Ciclocidade, que fará um pedal saindo da Praça do Ciclista (av. Paulista, entre as ruas Bela Cintra e Consolação) às 9h30 da manhã.

Lembramos que, aos domingos, as bicicletas são permitidas no Metrô o dia inteiro. A estação mais próxima à Praça do Ciclista é a Consolação (linha verde).

Depois do show, o pedal retorna até a Praça do Ciclista e segue em direção à Tag & Juice para o ArteMobilidade.

Apresentação e debate - Pedalinas: coletivo feminino de ciclistas

arte: Mona Caron, sobre domínio público

No sábado (18), a partir das 14h, as Pedalinas - Coletivo Feminino de Ciclistas promovem uma atividade que irá contar um pouco da história e discutir as razões da existência do grupo, passando por questões de gênero e mobilidade urbana em São Paulo.

Na sequência desta atividade, acontece a Sessão Bicicletas do Festival Entretodos.

As atividades acontecem no Matilha Cultural (rua Rego Freitas, 542 - Centro).

Haverá estacionamento de bicicletas no local.

Café do Ciclista

arte: cabelo

 

[PROGRAMAÇÃO] -  [PANFLETO] -  [CICLISTA URBANO] - [DIA SEM CARRO 2010]

 

 

No Dia Mundial Sem Carro, a Ciclocidade agradece quem utiliza a bicicleta como meio de transporte em São Paulo servindo um café da manhã na Praça do Ciclista (av. Paulista, entre as ruas Bela Cintra e Consolação).

A atividade começa às 7h da manhã e vai até o último lanche.

Todos os ciclistas que passarem pelo local também vão receber dicas para pedalar com segurança em São Paulo.

 


 

 

 

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