Nota pública a respeito da morte do ciclista Marlon de Castro

É com pesar que recebemos a informação de que hoje mais um ciclista foi vitimado pelo trânsito paulistano, justamente na mesma Avenida Paulista que já foi palco das mortes de Marcia Prado e Julie Dias. Desta vez Marlon Moreira de Castro, bike courrier, foi atingido por um ônibus no cruzamento da Paulista com a Av. Brigadeiro Luis Antônio e não resistiu.

Mais uma vez, um grande portal noticia uma vida perdida dando destaque ao congestionamento causado pelo incidente, como que medindo-a a partir da sua extensão. Enquanto isso, ciclistas, pedestres e todos que acreditam numa cidade para pessoas e no valor imensurável de uma vida constatam a sua frágil condição diante do trânsito paulistano. Sentimos na pele a importância das políticas que estão em andamento, que poderão trazer maior segurança aos ciclistas, e temos a certeza que não podemos retroceder mais. É hora de avançar, nesse e nos próximos governos.

Nós, ciclistas sempre fazemos o esforço de lembrar: a sua pressa não vale uma vida. Nesse sentido é necessário que todas as pessoas, motoristas, ciclistas e pedestres tenham consciência da importância de conviver da forma mais saudável possível. Independente dos culpados e das vítimas, não é possível que uma cidade permita que a simples necessidade de ir de um local a outro se torne uma tarefa tão arriscada a ponto de matar mais de mil pessoas por ano.

Temos cada vez mais estruturas para a bicicleta, mas a convivência depende também de outros dois importantes fatores: educação e redução das velocidades.

Desde o ano passado, quando uma importante iniciativa da prefeitura permitiu a veiculação de peças de comunicação em rádio e tv, não vemos mais campanhas educativas que cheguem, sobretudo, aos motoristas. Também parece fundamental caminhar para um trabalho efetivo e continuado de formação dos motoristas de ônibus - cabe ressaltar que todos os três incidentes fatais que marcaram a Avenida Paulista envolveram a frota pública.

Não menos importante é a tarefa de mostrar à sociedade que as velocidades das nossas vias são excessivamente altas. Reduzir velocidades é uma medida estrutural amplamente testada e reconhecida em outros países e que pode salvar muitas vidas. Tais experiências mostram inclusive que uma velocidade mais baixa pode trazer melhor fluidez. São Paulo começou esse trabalho desde a gestão anterior, mas o resultado ainda é tímido frente ao tamanho do problema.

A cidade de São Paulo não merece ser palco de tragédias como a de hoje, ainda mais quando elas podem ser evitadas. A Paulista merece a ciclovia já anunciada pelo governo Haddad e criticada por alguns, que não se dizem propriamente contra, mas estão dispostos a adiá-la tanto quanto possível.

Podemos e devemos fazer um trânsito melhor, com condutas e políticas públicas que privilegiem as nossas vidas e não nossa pressa. Esse é o verdadeiro planejamento que a cidade necessita e essa é a resposta que devemos dar com a maior urgência possível.