Democracia direta e enfraquecimento da cultura do automóvel são apontados como soluções

 

Nas soluções apontadas pelos debatedores um ponto foi unânime: a população não pode se ausentar deste debate.

O assunto mais debatido no 1° Fórum Mundial da Bicicleta (FMB) tem sido a maneira de garantir uma inserção segura da bicicleta nas dinâmicas de deslocamento das cidades. Ciclistas de diferentes cidades do mundo trazem exemplos de atitudes que visam à valorização da ciclomobilidade. No debate deste sábado (25), estiveram presentes o advogado curitibano e um dos fundadores do movimento Voto Livre, Henrique Hesse; o diretor geral da associação de ciclistas urbanos de São Paulo, Thiago Bennichio e o escritor e ativista norte-americano Chris Carlson, a presença mais celebrada do evento.

Nas soluções apontadas pelos debatedores um ponto foi unânime: a população não pode se ausentar deste debate. Todo tipo de solução indicada por eles depende da organização e atitude daqueles que têm interesse na mudança dos paradigmas da mobilidade.

Para Chris Carlson, o mais descrente em relação à disposição do poder público em efetuar mudanças, um caminho a ser seguido é a criação de movimentos de cicloativistas. Carlson é o fundador da Massa Crítica, movimento que surgiu em São Francisco, nos Estados unidos, e tornou a cidade referência de resistência à cultura do automóvel.

Já o curitibano Henrique Hessel apresentou o projeto Voto Livre, que tem como objetivo a criação da Lei da Bicicleta, em Curitiba. Este projeto se baseia em dispositivos da Constituição da República e da Lei Orgânica Municipal. Estas legislações permitem a elaboração de projetos de lei por iniciativa popular. No caso de Curitiba são necessárias 65 mil assinaturas de eleitores da cidade para viabilizar o Projeto, que já conta com mais de 13 mil assinaturas.

O diretor geral da associação de ciclistas urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Thiago Bennichio, defendeu que um passo importante para uma reconfiguração da mobilidade urbana é desconstruir a imagem do automóvel. “O carro é vendido com sua imagem atrelada à liberdade, velocidade e conforto. É fácil perceber que isso é uma construção de marketing; são mentiras”, afirmou.

Bennichio disse ainda que a insustentabilidade do automóvel é fácil de ser percebida na cidade de São Paulo. “O colapso urbano provocado pelos carros em São Paulo não acontece por incapacidades da cidade, mas pelo próprio êxito do automóvel. O sucesso do automóvel levou ao seu fracasso”, disse Bennichio ao explicar como a escolha pelo automóvel particular como principal meio de transporte em uma metrópole já traz em si o anúncio do colapso.

 

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