Ciclistas criam ‘atalhos’ para fugir dos carros

FABIANO NUNES

LUÍSA ALCALDE

Paulistanos que tiram as bicicletas da garagem durante a semana para ir ao trabalho ou a outros compromissos criam rotas alternativas para fugir do trânsito pesado e do confronto com motoristas. Existem sites especializados em criar esses roteiros. O serviço é gratuito. Basta enviar o local de onde pretende partir e para onde quer ir.

 

Para traçar rotas próprias, os ciclistas levam em consideração a segurança em primeiro lugar, o que significa pedalar fora de grandes avenidas e ruas movimentadas. Também buscam locais sem muitas subidas e descidas e arborizados. O principal motivo para o uso de bicicletas nos dias úteis é o trabalho, com 71%. O segundo é a educação, com 12%, seguido por lazer, com 4%, de acordo com a pesquisa Origem/Destino do Metrô de 2007 e atualizada em 2010.

Para mostrar como funciona esse meio de transporte na cidade e discutir as suas questões, o Jornal da Tarde publica desde segunda-feira uma série de reportagens sobre o tema.

“O ideal é testar os caminhos nos finais de semana, antes de fazê-lo propriamente para ir ao trabalho, principalmente aos domingos quando os motoristas estão mais ‘dispostos’ a ver as bicicletas”, ensina Aline Cavalcante, de 26 anos, do Pedalinas.Org. “Sugiro ao ciclista iniciante acessar sites e fóruns de discussão sobre mobilidade urbana onde é possível encontrar gente que pedala como meio de transporte”, diz ela.

Na sexta-feira, a reportagem acompanhou Thiago Benicchio, diretor-geral da Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), de sua casa, na Avenida Paulista, até a Assembleia Legislativa, na zona sul. “Para traçar uma rota levo em consideração, principalmente, a segurança. Busco o caminho que tenha o menor fluxo de carros e de ônibus”, explicou. Para fazer esse percurso, de pouco mais de quatro quilômetros, Benicchio saiu da Avenida Paulista. A via, que este ano registrou a morte de uma ciclista, só é escolhida por ele quando o tráfego está mais carregado.

“Quando o trânsito está mais rápido prefiro ir pela Alameda Santos. Jamais escolheria descer pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, que é repleta de ônibus”, disse. Essa rota ele fez em 15 minutos.

“O tempo não pode ser o requisito principal na hora de traçar um percurso. Porque geralmente o caminho mais rápido é também onde há grande movimento de carros e ônibus. Depois da segurança, é preciso levar em consideração também o conforto. Ruas mais arborizadas, tranquilas e onde não há muitas subidas”, disse.

Para o consultor em deslocamento humano e cicloativista André Pasqualine, algumas avenidas, como a Paulista, poderiam ter reduzida a velocidade dos ônibus para 40 km/h, além de aumentar a largura das faixas para uma ultrapassagem segura dos coletivos e dos ciclistas.

 

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