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Clipping de notícias com participação da Ciclocidade

Omissão pública em relação aos ônibus não é ‘acidental’

 

A morte de mais uma ciclista atropelada por um ônibus na Avenida Paulista, três anos depois e poucos metros adiante de outro caso semelhante em 2009, que tirou a vida de Márcia Prado, deve colocar mais uma vez em discussão os crimes de trânsito contra ciclistas, erroneamente chamados de "acidentes".

Não é acidental que a omissão do poder público em relação ao serviço de ônibus na cidade de São Paulo tenha como consequência a morte de ciclistas, além de uma dificuldade permanente de convivência entre ônibus e bicicletas.

As reclamações enviadas à São Paulo Transporte (SPTrans) são muitas e não têm nenhum encaminhamento. O órgão lava as mãos e transfere para as empresas concessionárias a responsabilidade pela educação e fiscalização de motoristas, omitindo-se de seu papel.

Ao mesmo tempo que continua a destinar rios de dinheiro para novas avenidas e túneis, o poder público segue agindo de maneira tímida, sem planejamento e continuidade nas ações de construção de infraestrutura e educação cicloviária na cidade. Com isso, só aumentaremos os índices de congestionamento, a poluição e as mortes no trânsito. E continuaremos a acreditar que elas são acidentais.

 

*Thiago Benicchio é diretor-geral da Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade).

 

(Texto originalmente publicado no Jornal O Estado de São Paulo, em 03/03/2012)

 

Ciclista morta na Paulista havia aposentado o carro há mais de um ano e meio

Acidente teria acontecido depois da vítima ter discutido com um motorista

 

A bióloga Juliana Ingrid Dias, que morreu na avenida Paulista depois de ser atropelada por um ônibus, era ativista sobre duas rodas e havia aposentado o carro há mais de um ano e meio para ser um exemplo dos benefícios do transporte limpo na cidade.

 

Segundo testemunhas, a ciclista seguia pela avenida Paulista e circulava entre duas faixas. Ela teria sido fechada por um motorista e começado a discutir com ele. Durante o tumulto, a ciclista se desequilibrou e foi atropelada pelo ônibus.

 

A bióloga morreu um quarteirão depois de onde outra ciclista perdeu a vida. Márcia Prado também foi atropelada na avenida Paulista por um ônibus, em janeiro de 2009. No canteiro próximo do acidente,  amigos e ativistas criaram um pequeno memorial pra lembrar a morte e fazer um alerta sobre a violência no transito.

 

FONTE + Vídeo

Mais um momento pra bicicletada acordar!

 

 

Frente a mais um assassinato de uma ciclista por culpa da imprudência no trânsito precisamos nos organizar!

 

Sexta-feira. 2 de março de 2012. Av. Paulista. Ciclista atropelada.

Toda última sexta-feira do mês. 20hrs. Av. Paulista. Bicicletada.

 

Criada em momentos de resistência e luta por direitos, a Bicicletada encontrou, ao longo dos anos, sua força. Reune todo mês cerca de 700 ciclistas no coração econômico da América Latina. Pára as ruas, dá visibilidade, mobiliza pessoas e teima em não se assumir como movimento político.

 

Organizada cada vez mais somente pela internet, não organiza mais os trajetos de forma horizontal. O momento de concentração da Bicicletada (das 18hrs às 20hrs) deveria ser um espaço aberto para a construção horizontal do movimento. Decidir trajetos, conversar e pensar ações.

 

Da Bicicletada surgiram iniciativas incríveis como o Coletivo Pedalinas e o Bike Anjo. Também é conquista a criação do Ciclocidade. Mas onde estamos falhando? Onde está a lacuna que separa os 700 ciclistas mobilizados todos os meses das ações de pressão sobre órgãos públicos.

 

A felicidade da Bicicletada se pauta em Ciclofaixas de domingos e bicicletários que fecham às 22 horas, reforçando que a bicicleta é instrumento de lazer e não de transporte.

 

Em momentos de crise todxs se irritam, indignam, gritam e param a Paulista. Mas por que só em momentos de crise? De morte? Onde as pessoas não conseguem entender que a Bicicletada é um evento político e tem sua força?

 

Enquanto a Bicicletada continuar sendo um passeio cheio de luzinhas pelas ruas de São Paulo e não entender que precisa sim de fóruns de decisão e ação, seguiremos chorando e piscando luzinhas.

 

 

FONTE

1º Fórum Mundial da Bicicleta acentua debate sobre mobilidade urbana

 

Entre os dias 23 e 26 de fevereiro, aconteceu em Porto Alegre (RS) o I Fórum Mundial da Bicicleta, reunindo ciclistas, planejadores urbanos, ativistas, grupos, entidades, empresas e cidadãos interessados no assunto.

 

A Ciclocidade esteve presente em dois momentos do Fórum: no sábado pela manhã, Mathias Fingermann, Diretor de Cultura da Bicicleta e Formação do Ciclista, apresentou a oficina comunitária Mão na Roda em uma bate-papo com Marcelo Kalil, da Cidade da Bicicleta - projeto similar em Porto Alegre. O bate papo com outros ciclistas ressaltou a importância das oficinas comunitárias, projetos que ajudam na autonomia dos ciclistas com relação à mecânica de bicicletas.

 

Durante a tarde, Thiago Benicchio, Diretor Geral da Ciclocidade, participou de um painel com Chris Carlsson (escritor e ativista de São Francisco, um dos idealizadores da Massa Crítica) e Henrique Hessel (do projeto Voto Livre/Lei da Bicicleta em Curitiba). O debate trouxe diferentes perspectivas sobre bicicletas e a transformação das cidades.

 

Chris Carlsson falou sobre a “revolta das freeways”, movimento comunitário iniciado na década de 60 que impediu a construção de obras viárias destinadas aos automóveis em São Francisco, e também contou a história da Massa Crítica, um movimento horizontal de ciclistas iniciado há 20 anos na cidade e que se espalhou por outras centenas nos cinco continentes, inspirando e pressionando as transformações das cidades.

 

Benicchio contou a experiência de criação de uma associação de ciclistas em São Paulo, falou sobre o contexto das cidades dominadas pelo automóvel e discutiu as diversas formas de ativismo relacionados à bicicleta. Henrique Hessel apresentou o projeto de uma lei de iniciativa popular em curso na cidade de Curitiba, a Lei da Bicicleta, discutindo a importância da participação dos cidadãos nas mais diversas esferas de decisão.

 

O Fórum Mundial da Bicicleta aconteceu na Usina do Gasômetro e teve dezenas de atividades, oficinas e passeios. Foi organizado de maneira horizontal por ciclistas, com apoio de algumas entidades, empresas e órgãos do poder público, provocando uma grande repercussão local sobre os assuntos e ajudando significativamente a fortalecer o debate sobre a mobilidade urbana por bicicletas na cidade. Durante o Fórum, aconteceu também a Massa Crítica de fevereiro, que reuniu mais de 1.500 ciclistas nas ruas da cidade.

 

 

Notícia original

Democracia direta e enfraquecimento da cultura do automóvel são apontados como soluções

 

Nas soluções apontadas pelos debatedores um ponto foi unânime: a população não pode se ausentar deste debate.

O assunto mais debatido no 1° Fórum Mundial da Bicicleta (FMB) tem sido a maneira de garantir uma inserção segura da bicicleta nas dinâmicas de deslocamento das cidades. Ciclistas de diferentes cidades do mundo trazem exemplos de atitudes que visam à valorização da ciclomobilidade. No debate deste sábado (25), estiveram presentes o advogado curitibano e um dos fundadores do movimento Voto Livre, Henrique Hesse; o diretor geral da associação de ciclistas urbanos de São Paulo, Thiago Bennichio e o escritor e ativista norte-americano Chris Carlson, a presença mais celebrada do evento.

Nas soluções apontadas pelos debatedores um ponto foi unânime: a população não pode se ausentar deste debate. Todo tipo de solução indicada por eles depende da organização e atitude daqueles que têm interesse na mudança dos paradigmas da mobilidade.

Para Chris Carlson, o mais descrente em relação à disposição do poder público em efetuar mudanças, um caminho a ser seguido é a criação de movimentos de cicloativistas. Carlson é o fundador da Massa Crítica, movimento que surgiu em São Francisco, nos Estados unidos, e tornou a cidade referência de resistência à cultura do automóvel.

Já o curitibano Henrique Hessel apresentou o projeto Voto Livre, que tem como objetivo a criação da Lei da Bicicleta, em Curitiba. Este projeto se baseia em dispositivos da Constituição da República e da Lei Orgânica Municipal. Estas legislações permitem a elaboração de projetos de lei por iniciativa popular. No caso de Curitiba são necessárias 65 mil assinaturas de eleitores da cidade para viabilizar o Projeto, que já conta com mais de 13 mil assinaturas.

O diretor geral da associação de ciclistas urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Thiago Bennichio, defendeu que um passo importante para uma reconfiguração da mobilidade urbana é desconstruir a imagem do automóvel. “O carro é vendido com sua imagem atrelada à liberdade, velocidade e conforto. É fácil perceber que isso é uma construção de marketing; são mentiras”, afirmou.

Bennichio disse ainda que a insustentabilidade do automóvel é fácil de ser percebida na cidade de São Paulo. “O colapso urbano provocado pelos carros em São Paulo não acontece por incapacidades da cidade, mas pelo próprio êxito do automóvel. O sucesso do automóvel levou ao seu fracasso”, disse Bennichio ao explicar como a escolha pelo automóvel particular como principal meio de transporte em uma metrópole já traz em si o anúncio do colapso.

 

Notícia na fonte

 

Massa Crítica e a Utopia do Agora - com Chris Carlsson

 

Após breve estada em Porto Alegre, onde participa do I Fórum Mundial da Bicicleta, o norte-americano Chris Carlsson – escritor, editor, ativista social, ciclista e um dos idealizadores do Critical Mass em São Francisco (EUA) – vem a São Paulo para um encontro promovido pela Ciclocidade, o Instituto CicloBR e a Fundação Getulio Vargas.

 

Durante a palestra “Massa Crítica e a Utopia do Agora”, Carlsson vai apresentar as formas de organização social e ativismo representadas pela Massa Crítica e por outros movimentos como a jardinagem urbana, o ativismo digital ou as ações de “faça você mesmo”. Em seguida, o palestrante vai responder a uma série de perguntas do público, promovendo uma discussão sobre as ações de movimentos ligados à mobilidade por bicicletas na cidade.

 

O evento, que acontece no ano em que se comemoram os 20 anos do Critical Mass em São Francisco e os 10 anos da Bicicletada em São Paulo, deve revelar um horizonte bastante interessante e enriquecedor aos ciclistas urbanos e a todos que desejam construir novas formas de organização e vida nas cidades.

 

Massa Crítica e a Utopia do Agora - com Chris Carlsson

29 de fevereiro, das 19h às 22h

Salão nobre da FGV – Rua Itapeva, 432

 

A participação no evento é gratuita. Clique aqui para acessar o formulário de inscrição e garantir o seu lugar.

 

 

Leia a notícia original

Painel reúne entusiastas da bicicleta para discutir cicloativismo

 

 

por André Carvalho

 

Em um dos debates mais aguardados do Fórum Mundial da Bicicleta, o idealizador da primeira Massa Crítica, Chris Carlsson, juntamente com os cicloativistas Henrique Hessel, da organização Voto Livre, do Paraná; e Thiago Bennichio, da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo  (Ciclocidade/SP) explanaram suas ideias no painel: “Bicicletada/Massa Crítica: o cicloativismo como agente de mudança para cidades mais humanas”, reunindo mais de 70 pessoas no mezanino da Usina do Gasômetro.

Com uma humorada introdução, onde uma animada ciclista, trajada de aeromoça, apresentava o espaço onde os presentes se encontravam, como se fosse um navio pronto para partir rumo a uma viagem sem destino, mas de muito conhecimento sobre bicicletas e as possibilidades de humanização das cidades, Henrique Hessel deu inicio aos trabalhos falando da importância do cicloativismo como transformador de cidades e da importância que existe em mostrar à sociedade como que a bicicleta é uma alternativa benéfica e democrática para a melhoria de diversas questões sociais, assim como para uma melhor qualidade de vida.

Para isso, Hessel buscou trazer como exemplo a situação de Bogotá, na Colômbia, que nos últimos 10 anos tem passado pela política de cultura cidadã, onde acaba contando com uma participação social mais efetiva e consequentemente, na transformação da cidade para um local mais um humano e harmonioso.

Dentre as diversas ações de mudança da cidade colombiana, a que Henrique destacou foi o fim dos estacionamentos laterais nas principais vias de Bogotá e sua transformação em ciclofaixas. “A consequência dessa mudança?” – questionou ele, logo respondendo -, “diminuição da violência no trânsito, assim como os assaltos a carros, além de um aumento considerável de ciclistas”, explicou.

“O problema que vivemos aqui no Brasil – e podemos pegar Curitiba como exemplo por ser uma cidade-modelo em mobilidade urbana para gringo ver -, está na demanda reprimida para o uso de bicicletas. Os governantes não dão a sua devida atenção para este modelo de transporte, e mesmo que haja manifestações, bicicletadas e afins, eles preferem ignorar a dar ouvidos a população”, destacou, dando exemplos de situações em que os políticos locais disseram não haver demanda suficiente que justificasse a construção de ciclovias, ou a instalação de bicicletários em pontos estratégicos da cidade.

“Temos 2% da cidade que usam a bicicleta como meio de transporte. E isso que não há ciclovias ou ciclofaixas suficientes. Se as houvessem, esse número chegaria a 5% em pouco tempo. Seria 3% a menos de pessoas conduzindo veículos automotores e jogando dióxido de carbono no ar. Seria 3% de pessoas melhorando a sua qualidade de vida, se exercitando e vivendo melhor a cidade onde moram”, concluiu.

“A Massa Crítica é o grande big-bang da mobilidade urbana nas grandes cidades”

Já Thiago Bennichio, em sua fala, buscou fazer uma reflexão do evento Massa Crítica. Para ele, a pedalada é, mais que um protesto, uma união por varias ideias. “A massa crítica é quando pessoas isoladas e com olhares diferentes da cidade se encontram para levantar varias bandeiras e ao mesmo tempo nenhuma”, argumentou.

Para Bennichio, a bicicletada é o grande big-bang da mobilidade urbana nas grandes cidades, desde que a bicicleta passou a ser considerada como um objeto de lazer. “Desde 92, quando o Chris Charlsson e seus amigos botaram as suas bicicletas na rua que elas, pouco a pouco, vêm sendo tratadas como um meio de transporte e como alternativa aos veículos poluentes”, defendeu.

Entretanto, apesar de acreditar que a bicicleta seja um veículo democrático, Thiago aponta que ela não é um fim, mas sim, um meio para transformar as cidades e que não é favorável ao uso do termo cicloativismo, pois, ele acaba estigmatizando o sujeito como contra os carros, os transportes públicos e urbanos, o que não necessariamente seja verdade. “Há pessoas que nem entram em carros, mas outros que podem ser a favor das causas da bicicleta e também defender as melhorias nos transportes públicos. Pode até ter um carro e isso não significa que ele é mais ou menos cicloativista que o outro”, destacou.

Por fim, na opinião dele, o melhor caminho para a transformação das cidades esta na radicalização. Entretanto, ele explica: “as pessoas tendem a associar ‘radical’ com ‘violência’, mas o radical é buscar na raiz das coisas”, explica. O entusiasta da bicicletada argumenta que é importante que a sociedade tenha, o que o Chris Charlsson chama de, “paciência radical”.

Para explicar o significado do termo ele relacionou a pressa de se resolver as coisas no Brasil e o método de decisão zapatista. “No brasil há uma grande pressa para se resolver as coisas, porém, um exemplo claro como as coisas não funcionam assim está nos zapatistas, que passam dias e dias e dias discutindo uma ideia até que todos, em consenso possam compreender e solucionar ou aplicar. Isso é paciência radical”.

Para Chris Charlsson, a Massa Crítica é movido pelo inconsciente coletivo de buscar mudanças

Em uma forma de aula de historia que normalmente não se é dada nas escolas, tanto brasileiras quanto dos EUA, Chris Charlsson, com a ajuda de um tradutor, explicou como a sociedade civil de San Franscisco se uniu para pressionar os governantes para a construção de freeways, e vias de alta velocidade, que ligassem os pequenos centros aos grandes centros. A partir desse raciocínio, ele linkou esta ideia ao da construção da Massa Crítica.

”Nos anos 70, com a crise do petróleo, o uso da bicicleta se torna muito comum. Entretanto, nos anos 80, volta-se a utilização dos carros até que em 1992 a cidade volta a ver bicicletas ocupando as vias e o movimento ciclístico inciou-se com muita pressão”.

Charlsson destacou que a Massa Crítica é movido pelo inconsciente coletivo que leva o sujeito a pedir mudanças quando não concorda com a forma que a sua cidade é conduzida. “Há 20 anos surgiu a Massa Critica e reuniu 40 pessoas, hoje ela chega a reunir 3, 4, 5 mil pessoas, só em San Francisco. Com a pressão dos ciclistas, a cidade ganhou ciclovias. Poucas, é verdade, mas os governantes já estão prestando atenção nas necessidades da sociedade”, destacou.

Segundo ele, a construção da primeira Massa Crítica foi muito difícil, pois muitas pessoas tentavam desencorajá-los, dizendo que não seria assim que conseguiram conquistar as desejadas mudanças. Na opinião dele “é muito fácil parar as coisas já iniciadas, e isso vale pra qualquer ação em movimento, mas é muito difícil iniciar coisas que não existem. Curiosamente, foi iniciando algo inexistente que as coisas começaram a mudar em San Fransicso. Ninguém acreditava que seria possível. Muitos até hoje, mesmo com muitas mudanças, seguem criticando, seguem achando utopico, mas estamos aqui, no Fórum Mundial da Bicicleta que somos movidos pela utopia de mudar as coisas”, finalizou.

 

 

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