Roubos e furtos de bicicleta em SP - Organizações se reúnem pela terceira vez com a Secretaria de Segurança Pública e plano de ação começa a sair do papel

GTSSP ReuniaoMarco1

A próxima reunião do Grupo de Trabalho deverá ter a presença do secretário municipal de Segurança Urbana, Cel José Roberto Oliveira, para debater ações conjuntas com a Prefeitura.

 

Na última quinta-feira (16/3), as organizações Ciclocidade, Aliança Bike, CicloBR, Bike é Legal e oGangorra estiveram mais uma vez reunidas com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) para debater a segurança de quem usa bicicleta na cidade. As entidades e a secretaria mantêm um Grupo de Trabalho desde setembro de 2016, com o objetivo de construir uma agenda comum de ações para buscar soluções que coibam roubos e furtos de bicicleta em São Paulo.

Desde novembro de 2016, o Grupo de Trabalho realizou algumas ações relevantes, em consonância com o diagnóstico sobre a situação de roubos e furtos de bicicleta dentro da própria Secretaria. São elas:

  • A reorganização do sistema de notificação através do boletim de ocorrência, com padronização de informações e a inclusão de campos que antes não constavam na base;
  • A atualização da situação das bicicletas apreendidas nos DP’s e suas informações;
  • A disponibilização de uma base de dados pública, a partir das informações das bicicletas que constam nos Boletins de Ocorrência. Esta base está no ar desde 25/1 e serve para consulta tanto de agentes e policiais quanto da sociedade civil e do mercado, tendo recebido mais de 6.300 consultas desde então.

 

GTSSP ReuniaoMarco2

Dados e Informações antecipadas

Esta semana, o Grupo de Trabalho fez uma avaliação das primeiras ações e seguiu para uma análise aprofundada sobre os dados georreferenciados que constam em boletins de ocorrência, relativos ao ano de 2016. Os microdados serão disponibilizados pela SSP em breve, para que possamos produzir infográficos resumitivos.

De janeiro a novembro de 2016, houve 220 roubos de bicicletas em vias públicas na cidade de São Paulo (roubos em residências, por exemplo, não são computados como “roubos de bicicleta”). Metade (50%) dos roubos declarados ocorreram em ciclovias ou ciclofaixas. Em 85% dos casos, a vítima estava em movimento e em 42% dos casos, apenas a bicicleta foi levada.

A grande maioria dos agressores estavam a pé (64%), enquanto outros 8% estavam de motocicleta e 7% em bicicleta. Para restante, não havia informações ou estão agrupadas na categoria “outros”.

A maior parte dos roubos envolve apenas um agressor. A conclusão da Secretaria de Segurança Pública, neste momento, é que o roubo de bicicleta hoje se configura como um “roubo de oportunidade”, pois não é possível identificar, a partir da análise dos boletins de ocorrência, um perfil de grupo.

As ocorrências que tiveram mais de 3 agressores estão concentradas nos seguintes Distritos Policiais: 3º Campos Eliseos (4 ocorrências ao longo de 2016), 11º Santo Amaro (4 ocorrências), 102º Socorro (3 ocorrências), 23º Perdizes (3 ocorrências), 34º Morumbi (3 ocorrências), 62º Ermelino Matarazzo (3 ocorrências), 77º Santa Cecília (3 ocorrências). Muitas vezes, segundo a SSP-SP, a descrição dos indivíduos não bate e as ocorrências são esparsas - com uma em janeiro e outra no meio do ano, por exemplo. Desta forma, segundo conclusão preliminar da própria Secretaria, não é possível identificar um modus operandi que gere um padrão.

Os principais logradouros que tiveram roubos de bicicleta, em 2016, são: Av. Sumaré (10 ocorrências); Av. Escola Politécnica (9); Av. Prof. Fonseca Rodrigues (8); Av. Guido Caloi (7); Av. das Nações Unidas (6); Av. Eng. Billings (6); Av. Conde de Frontin (5); Av. Henrique Chamma (5); Av. João Dias (5); Av. Rangel Pestana  (5); Av. Arlindo Bettio (5); Av. Guira Acangatara (5).

Todos estes dados contidos nos boletins de ocorrência serão disponibilizados e novas análises e cruzamentos serão feitos pelo Grupo, tendo em vista dar maior publicidade aos números oficiais e, ao mesmo tempo, permitir uma melhor compreensão sobre a situação atual e ao longo do tempo. Ainda e principalmente os dados são fundamentais para subsidiar, com mais precisão, o conjunto de ações a serem implementadas.

Ainda nesta reunião, o Grupo de Trabalho apresentou os resultados preliminares da Pesquisa sobre Notificações de Roubos e Furtos de Bicicleta. Os resultados serão divulgados assim que a Pesquisa estiver concluida. Quem já foi vítima de roubo ou furto de bicicleta pode responder a pesquisa através deste link: http://bit.ly/2nxqclF.

 

Encaminhamentos e próximos passos

  1. A Secretaria de Segurança Pública disponibilizará os dados e microdados relativos a 2016 para que as entidades da sociedade civil participantes do Grupo de Trabalho possam fazer seus próprios levantamentos e análises;
  2. As organizações finalizarão da pesquisa de notificações e publicarão os resultados (http://bit.ly/2nxqclF);
  3. O Grupo apresentará uma proposta de nova redação para o texto que apresenta o banco de dados de bicicletas, no site da Secretaria;
  4. Para a próxima reunião, a SSP apresentará uma análise sobre o Disque Denúncia, visando possíveis alterações no cadastramento destas denúncias. Por exemplo, a possibilidade de inserir locais - físicos e online - de desmonte/receptação de bicicletas, partes e peças;
  5. Delegacia eletrônica. A SSP testará as possibilidades de registro online de roubos, para diminuir imediatamente os níveis de burocracia e obrigatoriedade de boletim de ocorrência presencial;
  6. Apresentação de soluções para que a sociedade consulte a base de dados sem a obrigatoriedade do número de série da bicicleta;
  7. Para a próxima reunião o Grupo apresentará as primeiras ideias de uma campanha pública com foco no número de série das bicicletas;
  8. Para a próxima reunião a SSP convidará o secretário municipal de Segurança Urbana, Cel José Roberto Oliveira, para debater ações conjuntas com a Prefeitura.