Nota de apoio aos skatistas da cidade de São Paulo


Na manhã deste domingo (25), um carro preto subindo a rua Augusta atropelou cerca de seis skatistas que comemoravam, em passeio pela cidade de São Paulo, o dia mundial do skate, celebrado dia 21 de junho. As vítimas foram encaminhadas para o hospital e o carro arrancou em fuga. Até quando a violenta imposição da força pelo motor, pelo aço e pela máquina ferirá e ceifará vidas nas ruas da nossa cidade?

Infelizmente, o acontecimento é mais comum do que parece. Em 2011, em Porto Alegre, um motorista em posse de um automóvel  atropelou cerca de dezessete ciclistas e, até o ano passado, ainda não havia sido condenado. O acontecimento gerou protestos que culminaram na criação do Fórum Mundial da Bicicleta, já em sua sétima edição. 

A Ciclocidade - Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo - repudia a violência e a imprudência praticadas por motoristas e a omissão do poder público e da sociedade diante de tais comportamentos criminosos. Além de toda a deseconomia dos automóveis para o ambiente urbano, os volumes assombrosos e crescentes de poluição atmosférica, sonora, visual, ambiental causadas pelo uso de veículos particulares, a violência empregada por motoristas ao dirigir é um dos principais fatores que impossibilitam um melhor uso das vias como espaços públicos para circulação de diversos meios de locomoção, para o lazer e também para a sociabilidade. 

Para nós o skate é um meio de transporte que deve ser reconhecido e estimulado em toda a cidade. Não à toa, ainda em 2015, defendemos publicamente o compartilhamento das ciclovias e ciclofaixas com skatistas, patinadores, cadeirantes e outros, culminando no Decreto nº 55.790/14, que regulamentou o uso diverso e compartilhado das estruturas cicloviárias de São Paulo. 

É uma honra e uma felicidade para nós, ciclistas, compartilhar os quase 500 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas e os demais 16.500 quilômetros de ruas e avenidas com skatistas.

A defesa da mobilidade ativa constitui não apenas a luta por políticas públicas que garantam o direito de ir e vir, com segurança e bem estar, de milhares de pessoas que já se deslocam à pé, de bicicleta ou de skate. Tal defesa visa a uma transformação mais radical da cidade de São Paulo, para torná-la um lugar mais humano e democrático. Onde a rua e o espaço público se convertam em ambientes agradáveis, de sociabilidade, lazer e bem viver.

A Ciclocidade se solidariza com as vítimas e convida a comunidade skatista para composição de uma frente de resistência contra a violência no trânsito e pela defesa de cidades mais humanas, solidárias e democráticas.