- A cicloponte da Zona Oeste caiu! É mentira!!! Mas atrasô de novo...

 

CiclopassarelaBernardoGoldfarb
Não teve ciclofesta junina na reunião do Grupo Gestor da Operação Urbana Faria Lima. Ela frustrou quem deseja atravessar com segurança a região das pontes Jaguaré, Cidade Universitária e Eusébio Matoso/Bernardo Goldfarb. Apesar da ligação ciclística entre Pinheiros e o Butantã ser uma exigência legal desta Operação Urbana desde 1994 e as aprovações dos projetos básicos das três conexões ciclísticas sobre o Rio Pinheiros já terem saído no Diário Oficial, elas continuam no papel e não se tem certeza quando as licitações e a implementação das obras irão ocorrer.
 
Ao longo dos últimos anos, o GT Mobilidade do CADES-PI e a Ciclocidade têm solicitado diversas melhorias na rede cicloviária da região desta Operação Urbana, com base nas leis que a regem e nas discussões que têm sido feitas com a população, frequentadores e gestores. No ano passado, os pedidos para as três conexões sobre o Rio Pinheiros foram aprovados por unanimidade, projetos básicos foram elaborados (pela Prefeitura e suas contratadas) e oficializados, e assim como a ciclovia da CEAGESP-Ibirapuera foi entregue (dados atuais indicam que ela é a mais utilizada de São Paulo). O orçamento das três conexões foi reservado, com recursos próprios da Operação Urbana oriundos da flexibilização da lei de zoneamento local, e desde então se aguardava o próximo passo previsto: a licitação das obras.
 
Os projetos aprovados preveem a implementação de ciclovias e melhorias em calçadas, no caso das pontes Cidade Universitária e Jaguaré, e a instalação de uma ciclopassarela com ciclovia, calçada, conexão com a ciclovia da Marginal Pinheiros e pista de skate, no caso das pontes Eusébio Matoso/Bernardo Goldfarb, onde o intenso fluxo de pessoas deve aumentar consideravelmente com os desenvolvimentos previstos para os dois lados do rio.

Nenhum dos projetos retiram pistas ou áreas de estacionamento do atual viário e nem passam na frente de comércios ou de moradias. Quando os projetos foram apresentados, foi informado que as obras poderiam ser executadas em questão de meses e com impactos muitos restritos (por exemplo, a ciclopassarela seria pré-fabricada). A previsão original era iniciar e terminar as obras em 2016. Depois , isso foi reprogramado para ocorrer em 2017.
 
Neste ano, o que parecia iminente voltou a atrasar. Nesta terça-feira passada (20/6), houve a segunda reunião do Grupo Gestor da Operação Urbana Faria Lima em 2017. Embora o presidente da SP Urbanismo José Armênio Cruz tenha comentado que "a ordem [nesta gestão] é acelerar; ninguém aqui está querendo empacar obras", foi informado que “a estratégia para o caso da ciclopassarela mudou” e que se alterou o órgão responsável pelas ciclovias nas pontes Cidade Universitária e Jaguaré.
 
A SPObras, que continua responsável pela execução do projeto da ciclopassarela, informou que em vez de continuar com o plano de licitar a obra com o projeto básico, o que já atenderia às exigências legais, ela vai licitar primeiro a elaboração de um projeto executivo e só depois a obra. O motivo alegado foi para melhorar a segurança técnica, embora isso possivelmente pudesse ser garantido com termos de referência e acompanhamentos adequados. No caso das conexões cicloviárias nas pontes Cidade Universitária e Jaguaré a responsabilidade passou da SPObras para a Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais, a mesma que já foi responsável pela implantação da ciclovia Ceagesp-Ibirapuera. Em nenhum dos casos foi informado o cronograma dos próximos passos, apesar disto ter sido solicitado pelo membro do Grupo Gestor Guido D’Elia Otero, do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB-SP, tanto nesta reunião quanto na anterior.
 
Guido também pediu para esclarecerem porque o orçamento total gasto com obras executadas de infraestrutura cicloviária havia subido cerca de R$ 17 milhões entre a versão apresentada no final do ano passado (cerca de R$ 33 milhões) e a apresentada este ano (cerca de R$ 50 milhões). O atual responsável pelas finanças da Operação Urbana informou que a mudança aconteceu devido a uma revisão nas rubricas de “Outros valores a classificar”, na qual havia valores referentes a obras feitas anteriormente, tais como “as de 2010-2011 na região das avenidas Faria Lima, Fonseca Rodrigues e Pedroso de Morais”. Sasha Hart, da Ciclocidade e o GT Mobilidade do CADES-Pi, que foi na reunião como convidado do IAB-SP, pediu para que seja detalhada esta nova designação, uma vez que este recurso possivelmente inclui obras que não são estritamente cicloviárias, tais como passeios implantados no canteiro central que tiveram de ser retirados posteriormente para serem feitas ciclovias.
 
O Grupo Gestor da Operação Urbana Faria Lima também avaliou um projeto de melhoria das calçadas, arborização e de acalmamento de tráfego de uma rua próxima à ciclopassarela como resposta a um abaixo assinado de moradores e comerciantes locais. O Grupo Gestor atendeu a sugestão do membro Eduardo Della Manna, do Secovi, de não prosseguir com nenhuma deliberação sobre este projeto até se ter mais segurança sobre o seu detalhamento financeiro. Eduardo também indicou que apoia a retomada dos projetos de melhoria na Avenida Santo Amaro, que não preveem a instalação de ciclovias, somente ciclofaixas em ruas paralelas.
 
Maria Beatriz Rufino, membra do Grupo Gestor representando a FAU/USP, solicitou para que futuramente a apresentação sobre os recursos financeiros seja feito de modo que se possa entender as alocações (incluindo em porcentagens) de acordo com os diferentes objetivos e projetos desta Operação Urbana. Mesmo sem este tipo de apresentação de dados é notório que as melhoras nas redes cicloviários e peatonais representam porcentagens muito menores do total arrecadado (cerca de R$ 3592 milhões).
 
Sasha fez um apelo ao final da reunião: “Falou-se muito aqui em segurança técnica e financeira, entretanto parece que não está se valorizando tanto a segurança das pessoas. Elas têm sofrido com os atrasos destes vários projetos de mobilidade ativa e com diversos impactos da Operação Urbana. Está se provocando grandes mudanças na circulação e no adensamento populacional mas será que está se atendendo os diversos objetivos da Operação Urbana, como os de melhoria da qualidade ambiental e da vida das pessoas, inclusive a dos moradores e comerciantes iniciais? Os índices sobre atropelamentos na cidade toda, e nesta região, são muito altos e tem subido bastante. Também tem piorado a poluição, incluindo a da ar, sonora, de vibrações e visual. Peço por favor mais celeridade nos processos que melhorem o meio ambiente e a segurança física das pessoas”.


(Observação 1: na manhã do dia 23/06/17 mais um ciclista foi gravemente atropelado na Ponte Eusébio Matoso – quem souber favor fornecer informações atualizadas sobre o atual estado da vítima)

(Observação 2: na tarde do dia 23/06/17 o Secretário de Mobilidade e Transportes de São Paulo, Sérgio Avelleda, fez uma reunião com ciclistas de diversas entidades e conversou sobre o atropelamento, a importância das três conexões sobre o Rio Pinheiros, assim como assumiu o compromisso de periodicamente acompanhar e apoiar o desenvolvimento e execução destes projetos)