Veja quais foram as principais sugestões feitas na audiência pública sobre a expansão da malha cicloviária de São Paulo

Escassez de infraestrutura nas periferias e urgência de conexões entre subprefeituras foram temas destacados entre os participantes

A audiência pública sobre a expansão da malha cicloviária de São Paulo foi retomada na noite da última quarta-feira, 17, em ambiente virtual. O evento teve início no dia 27 de outubro, mas foi adiado por problemas técnicos após as primeiras participações da sociedade civil. A ordem de fala dos inscritos e sorteados na data anterior foi mantida. 

A sessão foi aberta por Alexandre Trunkl, Secretário Adjunto Municipal de Mobilidade e Trânsito, que destacou a importância da participação popular e passou a palavra para Maria Teresa Diniz, Chefe da Assessoria Técnica da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT). Diniz, por sua vez, realizou uma apresentação sobre o Programa de Metas da atual gestão, que prevê a entrega de 300 quilômetros de novas ciclovias e ciclofaixas até 2024. 

Flavio Soares, da Ciclocidade, foi a primeira pessoa a fazer seus apontamentos sobre o plano apresentado. Ele iniciou suas observações destacando conexões importantes na Zona Norte e sugerindo a ligação da Vila Maria com a Penha passando pelo Parque Novo Mundo. Ressaltou também a quantidade de bons estudos existentes – do IME, Banco Mundial e da própria Ciclocidade – sobre como a malha cicloviária pode ser expandida se trouxermos novas pessoas para o debate. 

Por fim, ele trouxe uma demanda antiga, as ciclovias na periferia: “temos que começar a falar sério sobre isso, porque o sistema cicloviário tem como um de seus objetivos reduzir a desigualdade e aumentar o acesso à cidade. São pessoas que não necessariamente vão se conectar com o centro. Elas querem intermodalidade, querem melhorar o comércio local, fazer conexão com bairros da região”, disse. 

A carência de infraestrutura em regiões afastadas do centro foi pautada também por diversos ciclistas. Aline Pellegrini (Bike Zona Sul/Magrelas Aladas), foi outra participante que fez cobranças sobre o tema e destacou a necessidade de conexões entre as subprefeituras. Ela observou ainda que o mapa apresentado exclui algumas regiões, exemplo de Parelheiros, ao não mostrar a cidade por inteiro. A ligação entre o extremo sul da capital e bairros não centrais também foi citada na primeira data da audiência por Ana Claudia Diniz da Silva (Meninas do Pedal), que costuma fazer seus trajetos da região até o bairro do Morumbi. 

Felipe Claros, do Bike Zona Leste, iniciou sua fala destacando a urgência de “furar a bolha e ir à periferia” e lembrou que três subprefeituras ainda não possuem infraestrutura cicloviária – Perus, Guaianases e Cid. Tiradentes. “É o mesmo orçamento, porém as pessoas são excluídas”, completou. Ele ainda questionou a ausência de conexão entre a R. Amparo e a Estação Tamanduateí (Metrô e CPTM), cujo bicicletário tem controle de acesso e é muito utilizado na região. 

A importância da intermodalidade também foi trazida à reunião por Márcia Fernog, que faz parte do mesmo coletivo que Felipe. A ciclista reforçou a necessidade de mais conexões com estações de trem, metrô e terminais de ônibus, e lembrou que faltam apenas 6 quilômetros de ciclovias para que a Radial Leste seja ligada à Praça da Sé. Márcia ainda falou de outros pontos importantes, como a fiscalização e a manutenção das faixas após a implantação. 

Thomas Wang (Bike Zona Sul), Jean Carlos Martins, Paulo Alves (Bike Zona Sul), Rogério Viduedo (Jornal Bicicleta) e Eduardo Magrão (Bike Zona Leste) foram outros participantes que cobraram mais infraestrutura na periferia, além de conexões entre os bairros. Leandro, ciclista da Zona Leste, lembrou que a região é a que possui o maior número de subprefeituras, mas a menor infraestrutura. Ele também falou sobre a falta de fiscalização, qualificação da malha da Radial Leste e sobre a falta de bicicletários que, segundo ele, estão recorrentemente lotados. 

300 km é bom, mas é pouco

As metas de implantação de infraestruturas cicloviárias que constam no Plano Cicloviário do Município de São Paulo (2020) foram lembradas por alguns ciclistas que participaram da audiência.

O texto, com cálculos baseados em uma revisão do PlanMob (2015), prevê que a cidade chegue a 1.800 quilômetros de vias para ciclistas até o ano de 2028. A meta para a atual gestão, de acordo com o documento, seria de 673 quilômetros – mais que o dobro dos 300 que estão oficialmente previstos para o período 2021-2024. 

Compromisso com o meio ambiente

Élio Jovart Bueno de Camargo, da Cidadeapé, alertou para a importância de que a implantação da infraestrutura cicloviária e a preocupação com meio ambiente caminhem juntas. Em sua fala, frisou que seria interessante se os mapas apresentados trouxessem mais detalhes construtivos além da localização que eles ocuparão nas vias. Ele lembrou que canteiros centrais e parques lineares possuem as funções de corredores ecológicos de irrigação e expansão da flora e da fauna. 

Dawton Gaia, Coordenador do Plano Cicloviário de São Paulo, encerrou a sessão citando os inúmeros benefícios que a bicicleta oferece para o trânsito, a saúde, o meio ambiente e a economia. Ele falou sobre a importância da conexão da malha com terminais de ônibus e afirmou que os 300 quilômetros planejados até 2024 vão atender o máximo possível das solicitações feitas na audiência. “Embora haja uma proposta apresentada das conexões, isso não significa que não podemos ampliar e aceitar as contribuições de hoje”, finalizou. 

Você pode assistir à audiência na íntegra neste link.

Mapa do Plano Cicloviário: http://www.cetsp.com.br/media/1174480/Plano-Cicloviario-21-24.pdf

Planilha do Plano Cicloviário: http://www.cetsp.com.br/media/1174477/Audiencia-Publica-Plano-Cicloviario-2021-2022_REV1.pdf