Ciclocidade lança pesquisa sobre como grandes cidades do mundo monitoram o aumento de viagens por bicicleta

São Paulo possui a meta de quintuplicar as viagens pelo modal até 2030. No entanto, precisa de formas efetivas de mensuração

A Ciclocidade lançou nesta quarta-feira, 30 de março, com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), o caderno “Como grandes cidades do mundo monitoram o aumento de viagens em bicicleta?”. A pesquisa analisou como as cidades de São Paulo, Cidade do México, Londres, Nova York e Paris estabelecem e monitoram suas metas relativas ao aumento de viagens pelo modal e como disponibilizam dados e relatórios para, a partir daí, propor formas de fazer essa mensuração na capital paulista. 

“São Paulo possui a meta de aumentar em cinco vezes o número de viagens por bicicleta até 2030, mas atualmente dependemos quase que exclusivamente da Pesquisa Origem Destino, feita pelo Metrô a cada 10 anos, para obter dados”, explica Flavio Soares de Freitas, coordenador do projeto. “Por isso, fomos buscar os métodos usados em outros grandes municípios, para nos ajudar a definir um modelo para a capital paulista e que seja capaz de ser feito pela própria Prefeitura”.

A escolha dos locais analisados levou em consideração cidades que reconhecem na bicicleta um importante agente no contexto de emergência climática. “Em São Paulo, 61% das emissões têm como fonte o setor de transporte, sendo 94,6% provenientes do transporte rodoviário. Por isso, estimular o uso de modos de transporte coletivos e ativos, além de outras fontes energéticas, está entre os objetivos do Plano de Ação Climática da capital. Como precisamos de mecanismos adequados de monitoramento para atingir essas metas, optamos por cidades que também tivessem planos para o aumento de viagens por bicicleta com prazos definidos”, explica. 

Um dos requisitos foi o porte das cidades. “Para nós, que trabalhamos com políticas públicas voltadas à mobilidade em São Paulo, foi interessante selecionar locais com população e dimensão equivalentes ou ao menos próximas às da capital. No caso de Paris, que é menor, incluímos dados da Île-de-France, sua região metropolitana. Paris também participa de uma certa competição para se tornar uma das cidades mais cicláveis do mundo”, completa Flavio. 

Principais resultados

Na pesquisa foi possível identificar que as cidades possuem diferentes, porém eficientes métodos de monitoramento das viagens, observa Deiny Façanha Costa, pesquisadora que liderou o estudo: “Londres e Nova York fazem um misto entre contagens de ciclistas, pesquisas anuais de mobilidade e pesquisas nacionais. A Cidade do México consegue fazer através de contagens, que em 2017 e 2018 foram acompanhadas de entrevistas com ciclistas. Em Paris, há uma distribuição de contadores automáticos nas principais infraestruturas de acesso à região metropolitana e, desde 1997, contagens mensais para estimar o número de viagens”. 

Também foi observado que nos locais em que a população pedala mais, além da extensa malha cicloviária há uma tendência em revisarem a infraestrutura para aumentar o grau de proteção ao ciclista. “Nesta cidade, em praticamente todo o território, foi estabelecido um limite máximo de 30 km/h para veículos motorizados, o que torna as vias mais seguras para quem pedala e mais convidativas para quem quer pedalar”, comenta Deiny. 

Em termos de acesso à cidade, Londres e Nova York destacam-se por possuírem metas de população residente próxima à malha cicloviária. “As duas cidades monitoram e possuem objetivos definidos sobre quantas pessoas moram a até 400 m de uma ciclovia ou ciclofaixa, o que democratiza o espaço público. Aqui em São Paulo não temos esses dados oficiais, mas o monitoramento poderia ser feito a partir de dados do Censo e da implantação de infraestrutura de circulação”, afirma a pesquisadora. 

O estudo, que recentemente foi apresentado à Secretaria de Mobilidade e Trânsito (SMT) e à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), também constatou que as cidades analisadas apresentaram um bom grau de transparência na divulgação de dados e periodicidade adequada na publicação de relatórios. “Fizemos uma reunião com a SMT e a CET e os resultados foram muito bem recebidos. As metodologias que encontramos nas outras cidades poderão auxiliar o Poder Público na criação de mecanismos adequados de monitoramento, com periodicidade e frequência compatíveis ao exigido para o cumprimento das metas de uso da bicicleta em São Paulo”, finaliza.

O papel das grandes cidades no cenário de emergência climática

Atualmente, 70% das emissões de gases estufa provêm de centros urbanos, o que atribui às grandes cidades o papel fundamental em ajudar a limitar o aquecimento global ao patamar máximo de 1,5°C. Cientes dessa importância, prefeitas e prefeitos de 97 cidades se uniram na iniciativa C40, grupo criado para coordenar ações com o objetivo de reduzir suas emissões. 

São Paulo, uma das cidades brasileiras comprometidas com a causa, lançou o seu Plano de Ação Climática 2020-2050 (PlanClima) no início de 2021, estabelecendo metas concretas para redução das emissões até 2030 e buscando chegar à neutralidade de emissões de carbono até 2050.

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