Ciclocidade participa de evento de lançamento do Projeto Vias Seguras

Iniciativa tem como um dos objetivos instaurar a fiscalização por velocidade média no Brasil

A União de Ciclistas do Brasil – UCB lançou na última semana o “Vias Seguras”, projeto que tem como objetivo desmistificar a redução das velocidades dos automóveis nas vias brasileiras e, com base em estudos técnicos,  propor a alteração da legislação brasileira, além de uma campanha de comunicação sobre o tema. O evento aconteceu no dia 4 de maio e contou com a participação de Marta Obelheiro representando a Ciclocidade. 

Em sua apresentação, Obelheiro falou sobre experiências de fiscalização de velocidade média no Brasil e no mundo. “É uma prática que vem sendo adotada em diversos países desde a década de 1990, que funciona da seguinte forma: ela mede a velocidade do veículo em dois pontos em uma via. Sabendo então a distância e o tempo percorrido entre esses dois pontos, a tecnologia calcula qual foi a velocidade média do percurso e aí compara com a velocidade limite”, explica.

Atualmente, a fiscalização por velocidade média é utilizada em mais de 30 países. Marta destacou resultados obtidos em rodovias da Inglaterra, Noruega, África do Sul e Itália – essa, onde ao menos 1300 quilômetros de estradas adotam o método, reduziu em 51% a taxa de mortalidade em sinistros de trânsito. Ela ainda ressaltou que em alguns casos, como o da Noruega, foi possível notar o efeito spillover, nome dado aos impactos positivos da iniciativa em trechos adjacentes das rodovias, onde não há esse tipo de supervisão.

Experiências no Brasil

Em território nacional, Marta citou experiências realizadas em São Paulo, Distrito Federal e Curitiba, lembrando que as aplicações foram feitas em caráter experimental – atualmente, o Código de Trânsito Brasileiro não permite este tipo de fiscalização. 

Na capital paulista, a CET identificou 852.298 veículos com excesso de velocidade em piloto feito nos anos de 2017 e 2018. Em 2012, um experimento semelhante detectou que o número de infrações, se fiscalizado de acordo com a velocidade média, seria sete vezes maior do que com o método utilizado hoje em dia.

No Distrito Federal, além da projeto piloto realizado em três vias (duas em estradas e uma em trecho residencial com semáforo), houve ainda a aplicação de duas ações educativas:

  • Alerta aos condutores de que havia equipamentos na rodovia para monitoramento da velocidade média entre os postos de controle;
  • Envio de correspondência aos proprietários dos veículos que trafegaram acima da velocidade média tolerada após a primeira ação. 

A primeira ação obteve resultados extremamente positivos, com maior impacto na via arterial, onde o limite de velocidade é de 60 km/h.

Confira na tabela abaixo:

Fiscalização por velocidade média em cidades do exterior

O estudo realizado por Marta Obelheiro olhou também para algumas cidades europeias com o objetivo de entender em que tipo de vias urbanas o método de fiscalização vem sendo utilizado. Ela citou vias de trânsito rápido em Londres (Inglaterra) e Nápoles (Itália), vias arteriais em Glasgow (Escócia), além de vias coletoras e locais em Edimburgo, capital escocesa, e três outras cidades inglesas: Brighton, Hastings e Nottingham. 

Entre os locais citados acima, o destaque foi para o caso de Nottingham, a primeira a adotar a fiscalização por velocidade média. Os dados oficiais apontam que houve uma redução de mais de 60% no número de sinistros graves ou fatais e de mais de 30% em sinistros com feridos leves. Os resultados foram tão bons que a cidade optou por ampliar a utilização do método com a instalação de 96 novas câmeras espalhadas por 12 ruas e avenidas. 

Marta concluiu sua apresentação reiterando o potencial da adoção da fiscalização por velocidade média no combate à violência no trânsito e enfatizou que a prática é adequada não só para rodovias, mas também para o ambiente urbano. Lembrou ainda que a aplicação em nosso país requer uma alteração no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o que está previsto no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito 2021 (PNATRANS) para que aconteça até 2025.

O evento do dia 4 de maio pode ser assistido na íntegra no canal da UCB no YouTube e contou com as participações de: 

  • Ana Carboni – Formada em Psicologia pela FAMATH e mestre em Gestão de Recursos Humanos pelo Kings College London. É a atual Diretora Financeira da União de Ciclistas do Brasil – UCB, representa a América do Sul no Conselho Diretor da World Cycling Alliance, integra a rede Bike Anjo, e é Prefeita da Bicicleta pela BYCS, organização Internacional com sede em Amsterdã. Por meio de projetos e como voluntária promove o uso da bicicleta como modal de transporte viável, barato, saudável e sustentável;
  • Ruth Costa – Mulher negra, periférica, técnica em segurança do trabalho, diretora presidenta da União de Ciclistas do Brasil, voluntária da rede Bike Anjo, integrante do Coletivo Paráciclo, idealizadora do Projeto Pedala Mana e  projeto Perifa na Pista que tem o objetivo de fortalecer o uso da bicicleta em territórios periféricos e de baixa renda, fotociclista e atualmente trabalha pela mobilidade sustentável;
  • Victor  Pavarino – Sociólogo e Mestre em Transportes Urbanos. Atuou em órgão gestores de Transportes, Trânsito e Saúde, em Centros de Pesquisa e Organismos Internacionais. Atua, presentemente, na Organização Pan–Americana da Saúde – OPAS/OMS no Brasil em temas relacionados à promoção da saúde; segurança viária e mobilidade sustentável.
  • Dante Rosado – Especialista em engenharia de tráfego e segurança viária, atuando nestas áreas desde 2004 em organizações públicas, privadas e do terceiro setor no Brasil. Em 2015, ingressou na Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global (BIGRS), primeiro como coordenador executivo em Fortaleza e depois, em 2020, em Recife e Salvador. Desde 2021, é Coordenador Regional da Iniciativa de Segurança Viária da Vital Strategies e responsável pela gestão do BIGRS no Brasil;
  • Dênio Augusto – Promotor de Justiça desde 1999, e, atualmente, titular da Primeira Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística  1ª PROURB, e coordenador da Rede de Promoção da Mobilidade Sustentável e do Transporte Coletivo do Distrito Federal – Rede Urbanidade no MP-DFT;
  • Glaucia Pereira – Pesquisadora e especialista em mobilidade urbana. É bacharel em Física pela USP e mestre em Administração de Empresas com ênfase em métodos quantitativos, também pela USP. É fundadora da Multiplicidade Mobilidade Urbana. Tem experiência em metodologias de pesquisa, análises de dados, estatística multivariada, pesquisa de origem e destino, modelagens matemáticas e indicadores de sistemas de mobilidade. É pedestre e ciclista, e luta por cidades mais humanas e sustentáveis.
  • Kelly Fernandes – Arquiteta e urbanista, especialista em economia urbana e gestão pública. Trabalhou ao longo da carreira no desenvolvimento de estudos, planos e projetos de mobilidade urbana sustentável. Desde 2021, faz parte do time de transporte da GIZ – Deutsche  Gesellschaft  für  Internationale  Zusammenarbeit – como assessora técnica do Programa EUROCLIMA+.
  • Luise Reis – Advogada e pesquisadora, coordenadora do GT GÊNERO DA UCB, bacharela em Direito pela Universidade Católica de Salvador, bacharela em Letras pela UFBA, Mestre em Linguística Aplicada (UFBA /Universidad de Deusto – Bilbao), vice presidente da comissão de direito, diversidade sexual e gênero da OAB Bahia.
  • Maria Claudia Kohler – Bióloga, especialista em gestão ambiental e mestre em saúde pública. Atuou nas esferas públicas federal, estadual e municipal, com política e gestão ambiental. Trabalhou em ONGs e educação.  Atualmente é consultora em sócio economia, implantando projetos de comunicação e  educação. Mãe da Marina e do Fábio.

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