Ciclofaixa: 72% dos usuários são homens

 

Pesquisa inédita revela ainda que sete em cada dez frequentadores utilizam toda semana a via que funciona nos domingos e feriados

 

Homem de 30 a 50 anos, com bicicleta própria, que pedala acompanhado de familiares ou amigos. Esse é, de acordo com pesquisa inédita da São Paulo Turismo (SPTuris), o perfil do usuário das ciclofaixas de lazer da capital - vias exclusivas que só abrem nos fins de semana e feriados e chegam a atrair 120 mil pessoas por dia.

 

Só 27,7% do público é de mulheres. A maioria (31,9%) tem entre 30 e 39 anos, seguido por pessoas entre 40 e 49 (26,3%). Os mais jovens, até 19 anos, representam apenas 7,7%.

 

A pesquisa da SPTuris, que entrevistou 480 pessoas no dia 11, revela também que os frequentadores das ciclofaixas são fiéis: 70,4% deles utilizam o equipamento toda semana; 12,3%, quinzenalmente; 6,7%, uma vez por mês. E a nota média para a opção de lazer é 8,8.

 

"A gente identificou que, além de ser uma atividade física, é bastante ligada ao lazer com a família", revela Arley Ayres, diretor da SPTuris. Segundo a pesquisa, 35,4% pedalam com familiares e 25%, com amigos.

 

Exemplo disso é o engenheiro Eduardo José da Silva, de 50 anos, que costuma sair de casa para pedalar todos os finais de semana com o filho Thomas de 15 anos. "Moro perto do Minhocão e hoje estamos vindo por esse percurso pela primeira vez. Geralmente vamos ao Parque Villa-Lobos e ao Parque do Ibirapuera. Estou achando muito bacana", disse, no feriado de anteontem.

 

A ciclofaixa mais citada é a Guido Caloi/Villa Lobos, mencionada por 20,8% dos entrevistados. Há uma tendência entre os usuários de variar o local - 9,6% disseram usar todas as ciclofaixas.

 

A SPTuris quer agora trazer ciclistas de outras cidades. Atualmente, 94,6% são da capital. Entre os incentivos para isso está o grande número de equipamentos turísticos ao longo do percurso. "A ciclofaixa do centro passa pela maioria dos equipamentos culturais", diz Ayres, da SPTuris. Segundo a pesquisa, 36,9% dos entrevistados afirmaram passear por atrativos da cidade como parques, centro histórico e unidades do Sesc.

 

Outro atrativo são as bicicletas para alugar. Atualmente, a cidade dispõe de 600 bikes em 60 estações. "São 45 mil pessoas cadastradas e 40 mil viagens realizadas", afirma Ayres.

 

Ampliação. Com o sucesso das ciclofaixas, a Prefeitura pretende ampliar os percursos até o fim do ano. No mês que vem, deve ser inaugurado um trecho na região da Represa do Guarapiranga. A nova ciclofaixa deve começar na região do Autódromo de Interlagos e terminar na Avenida Atlântica. Também é estudada a ampliação do espaço para ciclistas na zona leste.

 

De acordo com dados da Companhia de Engenharia de Tráfego, até o fim de outubro a cidade tinha 206 quilômetros de malha cicloviária.

 

 

Vias ajudam a 'cultura das bikes'

 

Além de oferecerem diversão nos domingos e feriados, as ciclofaixas ajudam a desenvolver a cultura da bicicleta. O cicloativista Leandro Valverdes acredita que o uso, mesmo restrito, faz com que a cidade se acostume a pessoas pedalando nas ruas e é preciso melhorar o sistema de aluguel de bikes a turistas, como existe em Paris, Barcelona e outras cidades europeias.

 

Para o diretor da Ciclocidade, Thiago Benicchio, o projeto reduz a carência de espaços de lazer. "A quantidade de ciclofaixas, no entanto, é desproporcional à estrutura cicloviária da cidade, que é precária." / VICTOR VIEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

 

 

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