PM e GCM impedem ciclistas de protestar por ciclovia em Taboão da Serra (SP)

Após instalar uma ghost bike em São Paulo e conversar pacificamente com o Subprefeito do Butantã sobre a implantação da ciclovia da Av. Eliseu de Almeida, um grupo de 70 pessoas se dirigiu à Prefeitura de Taboão da Serra, município conurbado à capital paulista, para protestar contra a desativação de uma ciclovia no início do ano.

 

Os manifestantes tinham objetivo pacífico, como ficou claro ao serem recebidos pelo subprefeito do Butantã. Porém, antes mesmo de chegarem à Prefeitura de Taboão, já eram escoltados por cerca de cinco viaturas da Polícia Militar (PM).

 

Apesar de terem informado à equipe do governo sobre a manifestação, não havia mais ninguém na Prefeitura às 19h30 para recebê-los. Os manifestantes se dirigiram então à casa do prefeito Fernando Fernandes Filho (PSDB), onde em março, outra manifestação havia sido barrada e os ciclistas ameaçados de prisão pessoalmente pelo Secretário de Segurança Gerson Pereira Brito - coincidentemente, cunhado do prefeito, que também indicou seu filho para a Secretaria de Esportes da cidade.

 

"Dessa vez a recepção foi mais calorosa", constatou Gabriel di Pierro, da Ciclocidade. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) estava presente com escopetas, auxiliada pelos mesmos PMs que os escoltavam, e impediram seu direito de se manifestar pacificamente. "A tensão cresceu e deu pra sentir a agressividade geral dos agentes de segurança, ameaçando a todo tempo os ciclistas", afirma di Pierro.

 

Apesar disso, foi apresentado ao comandante da PM, "o único que se dispôs ao diálogo", a proposta de uma pessoa seguir sozinha até a casa do prefeito, para voltar uma carta assinada por ele com o compromisso de uma audiência em menos de trinta dias. O comandante aceitou, mas o secretário Brito, presente para impedir a manifestação, recusou a proposta.

 

"Voltamos a pressionar pela passagem e passamos o primeiro bloqueio para ficar de frente com a GCM enfileirada", relata Gabriel. Os ciclistas constataram então que os agentes municipais, assim como vários PMs, estavam sem identificação.

 

Como se não bastasse, o Comandante da GCM apertava disfarçadamente um spray de gás de pimenta enquanto conversava com o representante da Ciclocidade. "Perguntei se achava que eu não estava percebendo e se não tinha vergonha de fazer isso", conta Gabriel. "Mas ele foi intransigente e não apresentou nenhuma proposta".

 

Depois de cerca de uma hora, os manifestantes acabaram desistindo e foram embora. Mas uma nova manifestação já foi marcada para o dia 3 de setembro, terça-feira, às 19h, saindo da Praça Nicola Vivilechio, em Taboão da Serra (SP).

 

FONTE: Bike é Legal