Haddad defende isenção de impostos para fabricantes de bicicletas

EDUARDO KNAPP
FELIX LIMA
VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que vai defender a isenção de impostos para fabricantes de bicicletas. Segundo ele, a proposta será encampada junto a Frente Nacional de Prefeitos, da qual faz parte.

Haddad rebateu nesta segunda as críticas por seu veto ao projeto da Câmara Municipal que previa a devolução, por meio de desconto no bilhete único, dos valores pagos em impostos na compra da bicicleta.
"A prefeitura não pode devolver um tributo que ela não cobra", disse.

Os impostos que incidem sobre o custo da bicicleta são federais (IPI, Cofins) e estaduais (ICMS).

Haddad chamou os cicloativistas presentes a pressionar os candidatos a governador e a presidente a se comprometerem com a medida.

Há hoje 30 projetos pelo fim do IPI tramitando no Congresso, diz Daniel Guth, do Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo), e mais de 100.000 assinaturas em apoio ao fim dos tributos para bicicletas.

SEM CARRO

Nesta segunda-feira, Dia Mundial sem Carro, Haddad deixou o carro na garagem e pedalou de sua casa no Paraíso (zona sul), até a Prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá (centro).

Às 8h17, vestido de calça jeans, jaqueta esporte fino e tênis, Haddad começou o percurso.

Com mais sorte do que a maioria dos paulistanos, chegou a uma ciclofaixa a apenas quatro quarteirões de sua casa, na rua Vergueiro, e dali pode pedalar sempre em vias exclusivas para a bicicleta até o edifício Matarazzo, onde fica seu gabinete.

No trajeto, cometeu duas gafes ciclísticas: atravessou sobre a faixa de pedestres na rua Vergueiro, perto de sua casa, e fez a mesma manobra na rua Líbero Badaró, já ao lado da prefeitura. Pelo CTB (Código Brasileiro de Trânsito), Haddad deveria descer da bicicleta e se comportar como pedestre para atravessar na faixa.

"Eu não reparei, estava seguindo o comboio ali", remendou o Haddad, sobre a infração.

Foram cerca de 30 minutos até o viaduto do Chá, com algumas paradas para entrevistas durante o percurso.

O secretário de Transportes, Jilmar Tatto, que chegou atrasado e perdeu o comboio, pedalou com dois assessores e só encontrou o prefeito em frente à prefeitura. À reportagem, comentou: viu a pesquisa [do Datafolha sobre ciclovias]? Foi um alívio.

Foi nesse clima de quem tirou um peso dos ombros, um dia após a Folha mostrar que 80% dos paulistanos aprovam as novas vias para bicicletas, que Haddad respondeu às perguntas da imprensa.

Em junho, o prefeito anunciou a criação de 400 km de ciclovias até o final de 2015, dos quais 78,3 km já foram entregues. Nesse meio tempo, a taxa de reprovação de Haddad despencou de 47% para 28% na comparação entre junho e a última pesquisa.

"Nós já estamos saindo com uma aprovação muito alta [às ciclovias]. Imaginei que íamos sofrer muito nos primeiros dois anos, pelo ineditismo. Para mim foi um surpresa."

Segundo o prefeito, consultores e especialistas indicavam que demoraria de três a quatro anos para a população aceitar a medida, como ocorreu em outros países.

CICLOVIAS NAS PONTES

Tatto também comentou que a prefeitura deve lançar nos próximos dias um programa de cruzamento das pontes nas marginais Pinheiros e Tietê. De acordo com o secretário, o projeto-piloto será implementado na ponte da Casa Verde, na zona norte.

"Nós vamos apresentar um plano de cruzamento das pontes. Não é só a ciclopassarela. O estudo já esta pronto e o que está faltando agora é o projeto de onde precisa se construir as ciclopassarelas", afirmou Tatto.

Há 10 dias, a Folha mostrou que a prefeitura pretende construir seis ciclopassarelas sobre os rios Tietê e Pinheiros. O objetivo é ligar bairros à malha cicloviária do centro e estimular o uso da bicicleta no trajeto de casa para o trabalho.

Atualmente, pelas pontes para veículos, a travessia de bicicleta pode ser perigosa até para ciclistas experientes.

 

Fonte: Folha de S.Paulo.