Carta pública da Câmara Temática de Bicicleta sobre a implantação do plano de 400 km de ciclovias em São Paulo

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A última reunião da Câmara Temática de Bicicleta (CTB) de 2015 aconteceu na sexta-feira, dia 18/12, e contou com a participação do secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, e de integrantes do Departamento Cicloviário e da Diretoria de Sinalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Durante o encontro, houve a apresentação do balanço de 2015 e do planejamento de 2016 - este último, construído em conjunto com ciclistas representantes da CTB.

Os 22 conselheiros que compõem a Câmara Temática de Bicicleta aproveitaram a ocasião para entregar uma carta pública ao secretário de transportes, na qual enfatizam problemas que devem ser solucionados de forma imediata, pedem a definição sobre quais órgãos municipais são responsáveis na implantação das estruturas e apresentam uma lista para a priorização de algumas vias na conclusão do Plano de 400km. A carta deverá ser entregue ao prefeito Fernando Haddad e aos secretários de Coordenação das Subprefeituras, Luiz Antônio de Medeiros, de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, e de Infraestrutura Urbana e Obras, Roberto Garibe.

Leia a íntegra da carta pública abaixo.

 

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Fotografias: CMTT/Divulgação.

 

Carta pública da Câmara Temática de Bicicleta sobre a implantação do plano de 400 km de ciclovias em São Paulo

 

São Paulo, 17 de Dezembro de 2015

À Prefeitura Municipal de São Paulo e à representação de governo na Câmara Temática da Bicicleta.

V.Ex.as,
Prefeito Fernando Haddad
Secretário de Transportes Jilmar Tatto
Secretário de Coordenação das Subprefeituras Luiz Antônio de Medeiros
Secretário de Desenvolvimento Urbano Fernando de Mello Franco
Secretário de Infraestrutura Urbana e Obras Roberto Garibe

Os 22 conselheiros e conselheiras da sociedade civil na Câmara Temática de Bicicletas vem manifestar-se a respeito das demandas prioritárias dos ciclistas para a conclusão do plano de 400 km de ciclovias e fazer um balanço crítico acerca do que já foi implementado do sistema cicloviário para a cidade de São Paulo.

Já com mais de 300 quilômetros implantados do plano total de 400 quilômetros desta gestão, revela-se importante ressaltar equívocos e desarranjos de implantação e planejamento e que devem ser imediatamente solucionados. São eles:

  • A manutenção das estruturas já implementadas, que até o momento não possuem nenhum plano articulado intersecretarial;
  • A priorização pela não remoção de faixas de rolamento no viário, culminando em estruturas incompletas, sem conectividade ou forçadamente compartilhadas com pedestres (sem aumento de espaço para estes);
  • A devolutiva com as priorização dos ultimos 100km para as periferias, bem como suas conexões com as áreas centrais, com preferência para vias arteriais, além da continuidade da adequação das pontes para os ciclistas e pedestres;
  • Os corredores de ônibus em implantação na cidade, bem como aqueles projetados, conforme acordado publicamente, que deveriam contemplar tratamento cicloviário ao longo de seus eixos.
  • Retorno sobre o Plano de Mobilidade, o capítulo concernente à mobilidade por bicicletas e o mapa final de implantações até 2030, frutos de discussões entre esta Câmara Temática e o Executivo.
  • Entendemos que a criação de conexões interligando a periferia ao centro são fundamentais e urgentes para que a política cicloviária consiga ampliar o número de ciclistas, dando maior segurança e conforto nos deslocamentos por bicicleta.

Nesse sentido, é preciso definir com clareza as responsabilidades dos órgãos municipais na implantação das estruturas, superando impasses que vão ficando evidentes no diálogo da sociedade civil com o poder público municipal e no próprio avanço dessa política na cidade, ainda desigual em termos de sua distribuição e incompleto no que diz respeito à conectividade da malha existente ou em projeto.

Consideramos correto e significativo o anúncio feito pela gestão de concluir o projeto de 400km com estruturas localizadas nos bairros periféricos de São Paulo. Por outro lado, preocupam as informações transmitidas nos encontros com o governo, de que algumas estruturas de fundamental importância poderão demorar vários anos para serem viabilizadas ou que até não serão realizadas, como é o caso dos corredores de ônibus.

É fundamental lembrar que temos hoje diversas fontes possíveis de financiamento, e que a revisão do Plano Diretor Estratégico reservou um montante significativo na utilização do Fundo de Desenvolvimento Urbano (Fundurb) para a mobilidade urbana e o sistema cicloviário.

Por conta disso, nós conselheiros e conselheiras apresentamos uma lista para a priorização de algumas vias para a conclusão do Plano de 400km, as quais entendemos que possibilitarão um importante avanço no uso da bicicleta na nossa cidade.

Vale ressaltar que esta lista não esgota todas as possibilidades e demandas existentes, apenas aponta um caminho para uma implantação que satisfaça a necessidade de ciclistas da cidade. São elas:

 

Zona Oeste:

  • Av. Corifeu de Azevedo Marques/Vital Brasil;
  • Conexões entre a ciclovia da Eliseu de Almeida, a Ciclovia da Faria Lima e a estação Pinheiros (CPTM/terminal de ônibus);
  • Viaduto Mofarrej ligação com Av. Dr. Gastão Vidigal​;
  • Conexão entre a Rua Coriolano e a Rua Padre Chico;
  • Conexão da ciclovia da Avenida Doutor Arnaldo com a da Avenida da Gastão Vidigal;
  • Conclusão da ciclovia interligando Ceagesp e Faria Lima bem como as vias secundárias previstas na OUC Faria Lima e anunciadas pelo governo municipal, que totalizariam 25km.

Zona Sul:

  • Av. Santa Catarina/Benígno Carrera entre a Av. Washington Luís e a R. José Estevão de Magalhães
  • Rua Santa Cruz até a Domingos de Moraes e no lado oeste pela R. Visconde de Pirajá e R. Doná Leopoldina e Av. Nazaré.
  • Av. Carlos Caldeira Filho, conectando as estações Capão Redondo e Giovanni Gronchi
  • Interligação da Guido Caloi à Av. M’Boi Mirim
  • Av. Vereador José Diniz
  • Av. Santo Amaro
  • Av dos Bandeirantes e Tancredo Neves
  • Av. José Maria Whitaker
  • Av. Adolfo Pinheiro
  • Interligações da Domingo de Morais/ Praça da Arvore, até Vila Mariana.
  • Conectar a ciclovia da Eng. Armando de Arruda Pereira com a da Eng. George Corbisier
  • Ponte do Socorro
  • Ponte Jurubatuba
  • Ciclopassarela na Ponte João Dias
  • Ponte Vitorino Goulart
  • Av. Belmira Marin e interligações dos bairros do Grajaú com a linha da CPTM.
  • Av. Nossa Senhora do Sabará
  • Av. Teotônio Vilela e Sadamu Inoue até o centro de Palhereiros

 

Zona Norte:

  • Extensão completa da Av. Inajar de Souza, além do terminal Vila Nova Cachoeirinha;
  • Rua da Balsa com a Nossa Senhora do Ó;
  • Interligação entre Pte Limão e Pte Casa Verde (possivelmente via Rua Iapó);
  • Interligações ao Terminal CPTM de Pirituba;
  • Av. Koshun Takara e Rua Afonso Lopes Vieira até a Av. Inajar de Souza;
  • Avenida Direitos Humanos.
  • Interligação da Av. Cantidio Sampaio com Av.Parapuã, ligando a ciclovia da Rua Padre Orlando Garcia com a ciclovia da Av. Jose da Natividade Saldanha, e implementado pelas rua Paulo Garcia Aquine, Rua Olinto Fraga Moreira e Rodolfo Bardelha.

 

Zona Leste:

  • A região demanda a ligação ao centro e a construção de ciclovias de conexão, que interliguem as ciclovias leste-oeste (bairro centro) por meio de traçado norte-sul (bairro-bairro), criando uma malha;
  • Interligação da Radial Leste ao centro da cidade, preferencialmente mantendo o traçado mais retilíneo, que é beirando a Radial.
  • Av. Aricanduva;
  • Interligar a Av. Assis Ribeiro via Av. Paranaguá e Avenida São Miguel com ciclovia dos Tiquatira (Av. Governador Carvalho Pinto). Atenção à interligação da Av. São miguel com Av. Paranaguá no sentido do centro de São Miguel, em especial no trecho da “curva da morte”;
  • Ligação da Av. Governador Carvalho Pinto com a ponte de acesso à Marginal Tietê;
  • Continuação da Av. do Imperador interligando até São Miguel (trecho citado da Av. Paranaguá e Av. São Miguel), passando por trecho da Aguia de Haia até Av. São Miguel;
  • Av. Baronesa de Muritiba, interligando centro comercial e escolas da região de são Mateus.

 

Escreveram e ratificam a carta os conselheiros e conselheiras da Câmara Temática de Bicicleta.