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Boletim Sistemas Seguros #22 – fevereiro/2026

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Um levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelou que foram registradas 10.277.088 autuações ao longo de 2025 em rodovias federais, o maior volume desde o início da série histórica, em 2007. As duas infrações do topo do ranking são relacionadas a excesso de velocidade. Na opinião de Celso Mariano, especialista em trânsito, “A fiscalização é uma resposta do Estado a um risco coletivo. Sem controle, o trânsito vira território da lei do mais forte”. (Portal do Trânsito)

Os maiores volumes de solicitações que chegam às secretarias de Planejamento e de Trânsito de Blumenau (SC) são pedidos de redutores de velocidade. A afirmação é de Lucio Beckhauser, ex-diretor de trânsito da cidade e especialista em direito de trânsito. “O desafio sempre foi (e continua sendo) alinhar o discurso político, a percepção popular e a responsabilidade técnica, sem abrir mão do princípio básico: controlar velocidade salva vidas”, sintetiza. (Informe Blumenau)

O excesso de velocidade é a infração que mais gera ocorrências graves em Anápolis (GO), de acordo com Igor Lino, presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Transporte do município. Segundo ele, a velocidade será o principal alvo da fiscalização. Uma licitação, atualmente em fase final, deverá ampliar em até 30% o número de equipamentos de fiscalização na cidade. (Portal 6)

O aumento do limite de velocidade, de 40 km/h para 50 km/h, em avenidas do centro de Goiânia foi alvo de críticas. Para a doutora em transportes e professora do Instituto Federal de Goiás, Patrícia Margon, o aumento da velocidade é um retrocesso e pode representar risco, por se tratar de área adensada com intensa circulação de pedestres e transporte público. Para defender a medida, o diretor de trânsito da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito da cidade, Luiz Thiago, alegou que a alteração está de acordo com a legislação em vigor, a qual permite limites de até 60 km/h nas vias em questão. A readequação desses limites de velocidade é um dos principais pontos do Projeto de Lei (PL) 2789/2023, o “PL das Velocidades Seguras”. (CBN)

O número de atendimentos do Corpo de Bombeiros a ocorrências envolvendo veículos motorizados levíssimos, como autopropelidos e ciclomotores, praticamente triplicou na cidade do Rio de Janeiro de 2024 para 2025. A maioria das ocorrências envolve colisões, mas há também atropelamentos e quedas. De acordo com o tenente-coronel Fabio Contreiras, porta-voz da corporação, um dos fatores de risco é a “falta de habilidade dos condutores, que muitas vezes saem de bicicletas comuns para veículos que atingem velocidade bem maior”. (O Globo)

Internacional

A cidade de Hoboken (EUA) completou nove anos sem uma única ocorrência de trânsito fatal. Além de reduzir os limites de velocidade para 32 km/h, a prefeitura implementou melhorias de segurança com foco nos pedestres, especialmente idosos e crianças. Reformulou o desenho de calçadas e faixas de pedestres, de forma a provocar a redução da velocidade e diminuir a distância a ser percorrida na travessia. Proibiu o estacionamento de automóveis a menos de 7,6 metros dos cruzamentos para melhorar a visibilidade e aumentar o tempo de resposta dos motoristas. (Reasons to be Cheerful, em inglês)

Legislação

Adotando o conceito de Sistema Seguro, o governo de Bangladesh assinou um acordo para treinar 60.000 motoristas em todo o país, com o objetivo de reduzir as mortes no trânsito e formar uma força de trabalho qualificada no setor de transportes. A abordagem de Sistema Seguro tem como um de seus pilares a promoção de comportamentos responsáveis por parte dos motoristas. O treinamento estruturado e em larga escala para motoristas é parte de uma ampla estratégia nacional de segurança viária. (The Financial Express, em inglês)

Encontra-se em análise na Câmara dos Deputados o PL 7039/2025, de autoria do deputado Duda Ramos (MDB/RR). A proposta torna obrigatória a fiscalização automática nas faixas de pedestres em locais considerados críticos, de forma a registrar infrações como deixar de dar preferência a pedestre, avançar sobre a faixa com pedestre atravessando e trafegar em velocidade incompatível com a segurança. O projeto também define um conjunto de dispositivos de segurança para pedestres, como lombofaixa, iluminação direcionada e sinalização de alta visibilidade. (Portal do Trânsito)

Acaba de ser sancionada em Santa Catarina a Lei 19689/2026, do deputado estadual Marcos José de Abreu (PSOL), que tem o objetivo de eliminar mortes de ciclistas em rodovias estaduais. A lei moderniza a infraestrutura cicloviária, propõe a criação de um sistema integrado de dados sobre sinistros e beneficia trabalhadores que se deslocam de bicicleta. Além disso, dá atenção especial a pontos de conflito, nos trechos urbanos de rodovias estaduais, que concentram escolas ou geram fluxo de mobilidade ativa. (Aliança Bike)

Estatísticas da violência viária

O Brasil registrou 37.150 óbitos no trânsito em 2024, um aumento de 6,5% em relação a 2023. É o maior total anual de mortes desde 2016 e também a maior alta desde 2002. O modo que mais puxou para cima essa estatística é a motocicleta: 14,7% de crescimento nas fatalidades. Motociclistas do sexo masculino representam 37,1% do total de mortos no trânsito em 2024. Esses números fazem parte do trabalho Dados Consolidados de Óbitos no Trânsito Brasileiro – 2024, realizado por pesquisadores do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) com base em informações do DataSUS. (ONSV)

“Velocidade não é detalhe técnico. É fator determinante da gravidade dos sinistros. Países que reduzem mortes de forma consistente tratam a gestão de velocidade como política de Estado, não como acessório administrativo”. A análise é de Paulo Guimarães, CEO do ONSV, ao comentar os dados de 2024 e o contexto da segurança viária em 2025. “O Brasil precisa tratar a segurança viária como política pública estruturante”, conclui o especialista. (ONSV)

Dados da plataforma Infosiga revelam que a cidade de São Paulo totalizou 1.034 óbitos em sinistros de trânsito em 2025, cinco a mais que em 2024. A marca interrompe a tendência de queda observada em anos anteriores. Motociclistas representam 37% dessas mortes. A maior alta, entretanto, aconteceu com pedestres: aumento de 10% na quantidade de atropelamentos fatais em apenas um ano. Entre ocupantes de automóveis, houve redução de 15% no número de mortes. (Portal do Trânsito)

O número total de óbitos nas vias do Distrito Federal passou de 229 em 2024 para 271 em 2025, um aumento de 18,3%. Entre motociclistas, o aumento nas mortes foi de 40,5%. Por outro lado, houve redução de 11,1% nas mortes de ciclistas e de 4,9% nas mortes de pedestres em 2025, na comparação com o ano anterior. Os dados são do Detran-DF. (Agência Brasília)

Nas rodovias federais de todo o país houve pequena redução nas estatísticas da violência viária. Dados divulgados pela PRF mostram que em 2025 foram registradas 72.483 ocorrências, uma redução de 0,98% em relação às 73.201 ocorrências em 2024. O número de óbitos também caiu: 6.044 em 2025 contra 6.163 em 2024, uma queda de 1,93%. (Gov.Br)

Motocicletas

A motofaixa da cidade de São Paulo provoca um aumento médio de 100% a 120% no risco de morte de motociclistas em cruzamentos. Nas vias com esse tipo de infraestrutura, 96% dos condutores de motos desrespeitam os limites de velocidade. Essas conclusões são de um estudo realizado pelas universidades de São Paulo e Federal do Ceará, a organização global de saúde pública Vital Strategies e o Instituto Cordial. A equipe de pesquisadores utilizou dados oficiais do Detran-SP e também realizou medições em campo com auxílio de drones. (O Globo)

Enquanto a região Nordeste abriga 27% da população brasileira, 39,5% das 15.459 pessoas que perderam a vida em uma motocicleta em 2024 no país se encontravam no Nordeste. “Motos são os veículos mais inseguros já produzidos para deslocamento terrestre. Não é possível hoje garantir circulação segura em motocicletas, a não ser que sejam conduzidas abaixo de 30 km/h”, analisa Diogo Lemos, da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global. No total de mortes no trânsito, é a primeira vez na série histórica que o Nordeste supera o Sudeste. (Estadão)

Um levantamento realizado com dados de boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil mostrou que o número de pessoas mortas em atropelamentos por motocicletas vem subindo continuamente em São Paulo: desde 2022 no estado e desde 2023 na capital. Automóveis foram os causadores das maiores quantidades de atropelamentos fatais, mas esses números estão em queda, tanto no estado quanto na capital. (Jornal de Brasília)

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