Ciclistas se arriscam e cometem infrações

 

Na avenida Paulista, adeptos das bikes invadem calçada e fazem ‘corredor’; na Sumaré, usam até a faixa de motos

Diretor de ONG diz que ciclistas têm de sobreviver no improviso e pede mudanças na lei

 

GIBA BERGAMIM JR.

DE SÃO PAULO

 

O ciclista ultrapassa um ônibus entre duas faixas da avenida Paulista, tira fina de outro coletivo e, ao ficar sem espaço na rua, invade a calçada. Mais adiante, volta à rua e segue viagem.

 

Na guerra por espaço no trânsito paulista, adeptos das magrelas que sofrem com o desrespeito de alguns motoristas também cometem irregularidades e se arriscam fazendo o chamado “corredor”, circulando entre os veículos.

 

Três dias após a morte de uma cicloativista, a Folha esteve na avenida entre as 15h e 16h de ontem e flagrou em média uma “infração” de ciclistas a cada seis minutos. Entre elas andar na calçada e circular pela contramão.

 

Na avenida Sumaré, zona oeste, a reportagem viu ciclistas se arriscando na faixa exclusiva para motos, que circulam ali em alta velocidade.

 

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, na ausência de ciclovia, as bicicletas devem andar nas bordas da pista. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) diz que a circulação na via de pedestres só é permitida quando o ciclista não estiver montado -ela não multa ciclistas.

 

“Tentamos fazer valer a lei e sobreviver com improvisos, já que a cidade é toda preparada para outros meios de transporte que não o nosso”, diz o diretor da ONG Ciclocidade, Thiago Benicchio.

 

Para ele, os erros dos ciclistas não têm influência no quadro de violência do trânsito. “O que os ciclistas fazem são técnicas de sobrevivência numa cidade que ainda os considera invisíveis”, diz.

 

Benicchio afirma que o motorista também desconhece as regras, especialmente o artigo 201 do Código, que determina que os veículos devem ultrapassar as bikes mantendo 1,5 metro de distância. O texto, porém, não deixa claro como o ciclista deve se portar ao fazer ultrapassagens.

 

Benicchio defende a renovação do código para que haja maior respeito aos ciclistas.

 

De chinelo, bermuda e boné, o entregador José de Oliveira, 52, costuma se arriscar na Paulista a bordo de sua Monark Barra Forte equipada com cestinha. “Se levar uma fechada, me jogo na calçada”, diz ele, que abre mão de itens de segurança importantes. “Levei uns tombos, mas nunca me machuquei”.

 

A CET diz estudar diversas alternativas para o trânsito seguro de bicicletas, como projetos para a implantação de mais 55 km de ciclovias.

 

 

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