Territórios Completos conecta mobilidade e participação política na sexta formação da Ciclocidade
Como transformar uma dificuldade no deslocamento em uma demanda que possa ser discutida e acompanhada coletivamente? Essa pergunta orienta a 6ª Formação em Ciclomobilidade – Territórios Completos: interseccionalidade e incidência política. O encontro da Ciclocidade será em 5 e 6 de dezembro de 2026, na Ocupação 9 de Julho, em São Paulo. São 30 vagas, com inscrições gratuitas de 2 a 25 de novembro.
A formação parte das experiências de quem vive a cidade. A distância até um serviço de saúde, a dificuldade de atravessar uma rua ou a falta de conexão entre trajetos podem ser percebidas individualmente. Quando essas experiências são compartilhadas, ajudam a reconhecer problemas comuns e a construir pedidos ao poder público. O percurso pretende aproximar essa leitura cotidiana de instrumentos de participação e mobilização.
Mobilidade em relação com o território
Os caminhos entre casa, trabalho, escola, espaços de cultura e serviços de saúde fazem parte do acesso à cidade. Por isso, a bicicleta é uma entrada para conversar com outras pautas territoriais. A formação reúne essa perspectiva com gênero, raça, justiça climática, segurança viária e bem-viver, considerando que as condições de deslocamento e de participação nas decisões são desiguais.
Territórios Completos reconhece iniciativas, vínculos e conhecimentos que já existem nos bairros. O encontro não promete resolver suas desigualdades em dois dias. A proposta é construir repertório e estratégias para identificar responsabilidades, apresentar demandas e acompanhar decisões públicas. A participação comunitária deve fortalecer a cobrança por políticas e investimentos, sem substituir as obrigações do poder público.
Quatro oficinas que se conectam
Na oficina Território completo, o mapa pedal afetivo abre a troca entre as pessoas participantes. As experiências apresentadas ajudam a reconhecer iniciativas relacionadas à mobilidade e ao acesso a direitos. O grupo reúne referências e registra dificuldades que serão retomadas na etapa seguinte.
Do incômodo ao problema propõe olhar coletivamente para essas dificuldades. Em rodas de conversa e trabalho em grupos, o percurso busca nomear problemas, discutir suas causas e escolher prioridades. As diferentes experiências de corpo, raça, gênero e território fazem parte dessa leitura.
Em Do problema ao pedido, a turma vai a campo no centro de São Paulo, em grupos a pé, de bicicleta e de transporte público. A atividade prevê registros que ajudem a tornar uma demanda concreta: uma fotografia, uma medida de tempo ou outra informação observada no trajeto. Depois, os grupos organizam os achados e discutem quem pode responder ao pedido e quais apoios podem ser articulados.
A oficina Do ideal ao possível reúne o planejamento de ação direta, a comunicação e a continuidade. O objetivo é relacionar o território desejado a ações que possam ser organizadas e acompanhadas. O trabalho inclui pensar como devolver os aprendizados de forma acessível e manter a mobilização depois do encontro. O produto de cada oficina serve de ponto de partida para a próxima.
Quem pode participar
Pode se inscrever quem tem 16 anos ou mais e mora na cidade de São Paulo. Não é preciso ter experiência prévia em mobilidade. A seleção prioriza pessoas de territórios periféricos; mulheres; pessoas LGBTQIA+, negras e indígenas; integrantes de coletivos de mobilidade, cultura, moradia e juventude; comunicadores populares e lideranças comunitárias. Pessoas de 16 e 17 anos precisam apresentar autorização de uma pessoa responsável.
O formulário reúne informações sobre deslocamento, atuação coletiva, motivações e disponibilidade. Também pede um exemplo de conexão entre mobilidade e outras pautas do território. A seleção considera essa resposta, o perfil prioritário, a atuação coletiva ou territorial, a motivação e a presença nos dois dias. Inscrever-se não garante uma vaga.
Datas e condições de participação
As atividades serão presenciais, das 8h30 às 17h nos dois dias. A turma selecionada deve participar do percurso completo, incluindo o campo. O edital prevê refeições, bicicletas para quem não tiver na atividade de campo e certificado para quem estiver presente nos dois dias. Informe necessidades de acessibilidade e restrições alimentares na inscrição.
As inscrições vão de 2 a 25 de novembro, exclusivamente pelo formulário on-line indicado no edital. O resultado sai em 27 de novembro nas redes da Ciclocidade, com aviso por e-mail ou WhatsApp às pessoas selecionadas. A confirmação de presença deve ser feita até 29 de novembro. A lista de espera começa a ser chamada em 30 de novembro.
Leia o edital, confira as condições e envie sua inscrição pelo formulário. Para dúvidas, escreva para yuri.s@ciclocidade.org.br ou comunica@ciclocidade.org.br. A formação é realizada pela Ciclocidade, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo.
Edital: https://www.ciclocidade.org.br/wp-content/uploads/2026/11/Edital-de-chamada-—-6a-Formacao-em-Ciclomobilidade-1.pdf. Inscrição: https://forms.gle/eTME8uFm4wfkCSn19.
