Boletim Sistemas Seguros #21 – janeiro/2026

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O governo do Reino Unido anunciou sua nova Estratégia de Segurança Viária, com a ambiciosa meta de reduzir mortes e ferimentos graves nas estradas britânicas em 65% até 2035. O programa inclui ações contra excesso de velocidade, direção sob efeito de álcool e outras drogas e uso de celular ao volante. Atualmente, cerca de 4 pessoas morrem por dia nas vias britânicas (GOV.UK, em inglês). A diretora executiva da Fundação de Segurança Viária daquele país, Dra. Suzy Charman, alerta sobre a importância de verbas claramente identificadas para que haja impacto real. “Se levarmos a sério a prevenção de mais de 95.000 mortes e ferimentos graves, temos de investir e agir agora”, afirmou a especialista em Sistemas Seguros (Highways News, em inglês).

A prefeitura de Roma reduziu para 30 km/h o limite de velocidade em todo o centro histórico da cidade. De acordo com o chefe de transportes da capital italiana, o excesso de velocidade desempenha um papel em 7,5% das ocorrências de trânsito. Desde sua eleição, em 2021, o prefeito vem aumentando a fiscalização eletrônica e pedindo aos moradores que dependam menos de automóveis particulares. Segundo autoridades locais, a redução do limite de velocidade deve também diminuir os níveis de ruído na cidade. (CTV News, em inglês)

Avanços e disputas

Um Projeto de Lei (PL) em tramitação no Congresso Nacional deverá tornar mais rígida a responsabilização criminal de motoristas que cometem homicídios de trânsito sob efeito de álcool ou praticando racha. O crime passará a ser inafiançável e, se preso em flagrante, o condutor deverá ficar detido até decisão judicial posterior. Trata-se de emenda proposta pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) ao PL 5490/2023, que originalmente tratava da proibição de fiança somente para outros crimes. (Portal do Trânsito)

Em Toronto, no Canadá, houve 39 mortes no trânsito no ano passado. O número é o menor desde 2016, ano em que o plano Vision Zero foi implementado, e corresponde a uma redução de 50% desde o início da estratégia. A conquista, porém, está ameaçada. Classificando os radares como uma forma de “extorsão”, o governo da província de Ontário proibiu a fiscalização eletrônica de velocidade, mesmo diante das evidências apresentadas por um estudo, o qual demonstrou que as câmeras reduzem o excesso de velocidade em até 45%. (North News)

Motivada pelo pedido de uma escola, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo reduziu de 50 km/h para 40 km/h o limite de velocidade em uma movimentada rua próxima. Apesar de a redução estar sinalizada, houve um enorme aumento no número de multas no local. Alegando que a medida “não resolveu o problema”, a CET desfez a mudança, restabelecendo o limite anterior. “Novas alternativas estão em estudo”, alegou a Companhia. (Metrópoles)

“O problema não é técnico. É político”, afirma José Aurélio Ramalho, membro do Observatório Nacional de Segurança Viária, sobre a timidez na implementação de medidas de engenharia, gestão da velocidade e proteção aos vulneráveis, já fartamente demonstradas por estudos técnicos como eficazes na melhoria da segurança viária. Entre os obstáculos apontados pelo articulista, destaca-se o “medo político da gestão da velocidade, tratada como tabu eleitoral e não como política de saúde pública”. (ONSV)

Mobilidade e saúde pública

Os custos hospitalares com vítimas de ocorrências envolvendo motocicletas superam em mais de cinco vezes os valores repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em um levantamento da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, cada internação gerou um custo médio de R$ 6.475,97 para o hospital. O valor médio reembolsado pelo SUS foi de R$ 1.231,10 por paciente, o que corresponde a 19% do valor gasto. (FSP)

Em 2025, pela primeira vez em 23 anos de estatísticas, as vendas de motocicletas superaram as de automóveis no Brasil. De acordo com um balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, o mercado de motos em 2025 teve um crescimento de 17,1% em relação a 2024, com a marca recorde de 2,2 milhões de unidades vendidas. Considerado só o mês de dezembro, houve alta de 27,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. (JC)

A motocicleta é um fator de risco e impõe desafios para a segurança viária não apenas no Brasil. Apesar de representarem apenas 1% do tráfego de veículos motorizados na Grã-Bretanha, lá elas estão associadas a 21% das mortes em sinistros de trânsito. (GOV.UK, em inglês)

O estudo Caminhos para a Tarifa Zero, desenvolvido por pesquisadores das universidades de Brasília, de São Paulo e Federal de Minas Gerais, faz uma análise financeira visando à criação de um programa nacional de transporte público gratuito e propõe uma nova estrutura de financiamento que não onera o orçamento da União. Ao retirar veículos individuais das ruas, a tarifa zero reduz os números de sinistros e de mortes no trânsito, diminuindo as despesas com o sistema de saúde. (JC)

Números

O município de Pelotas (RS) fechou o ano de 2025 com uma redução de 49% nas mortes no trânsito em comparação com 2015, mesmo tendo apresentado um crescimento de 23% na sua frota de veículos durante esses dez anos. Para a Secretaria de Transporte e Trânsito, a conquista se deve à presença constante de agentes de trânsito em pontos estratégicos e a intervenções de engenharia de tráfego, entre outras medidas. (Prefeitura Municipal de Pelotas)

O número de sinistros de trânsito fatais em Caxias do Sul (RS) apresentou, em 2025, uma queda de 24% em relação ao ano anterior. Além de instalação de controladores de velocidade, melhorias na sinalização, reorganização do tráfego e campanhas educativas, o incentivo ao uso do transporte coletivo também fez parte do conjunto de iniciativas do município para reduzir as ocorrências. (Leouve)

Dados do Detran-GO mostram que o estado de Goiás obteve em 2025 uma redução de 11,1% no número de mortes no trânsito, na comparação com 2024. O total de sinistros permaneceu praticamente estável, com variação negativa menor que 0,1%. Conforme os dados disponíveis, 30,1% das mortes envolveram motocicletas. Na capital, a redução foi de apenas 1,3% no mesmo período. (O Hoje)

A quantidade de pessoas que morreram atropeladas no ano passado em São Paulo subiu 10,2% em comparação com 2024 e é a maior desde 2015, quando teve início a série histórica de registros. Na avaliação de especialistas, a grande distância entre as travessias, os ciclos semafóricos cada vez mais longos e a inadequação dos tempos destinados aos pedestres empurra as pessoas para ações inseguras. (FSP)

Em Niterói (RJ), o número de vítimas fatais nos dez primeiros meses de 2025 apresentou aumento de 24% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números de ocorrências e de hospitalizações também apresentaram alta. A prefeitura informou em nota que “há dez anos a cidade não utiliza radares e redutores de velocidade nas vias”, mas “está avaliando a possibilidade de implantação” em pontos mais críticos. (O Globo)

Pedestres em perigo

Um estudo divulgado pela Fundação Dom Cabral, realizado com dados da Polícia Rodoviária Federal e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, mostrou que 63% dos atropelamentos registrados entre 2018 e 2024 nas rodovias federais que cortam o Ceará ocorreram ao anoitecer ou durante a noite. “As rodovias costumam ser projetadas sem considerar adequadamente pedestres e ciclistas”, avalia Dante Rosado, coordenador da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global no Brasil. O especialista aponta a iluminação e a visibilidade nesses períodos como fatores que levam a essas ocorrências. (Diário do Nordeste)

Diversos estudos científicos mostram que o desenho frontal dos veículos influencia diretamente a gravidade das lesões em caso de atropelamento. A diretriz Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária, elaborada pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, afirma que “veículos com frente elevada e maior rigidez estrutural, como picapes e utilitários SUVs, estão associados a risco aumentado de traumatismos torácicos e cranianos fatais em pedestres, especialmente acima de 40 km/h”. Assim, a proliferação de SUVs, que representam mais da metade dos carros novos vendidos no país em 2025, implica um aumento concreto do risco enfrentado por pedestres. (UOL)

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