Boletim Sistemas Seguros #28 – Agosto/2026

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Foi novamente adiada a votação do relatório da Comissão Especial que analisa o Projeto de Lei (PL) 8085/2014 e outras 270 propostas apensadas a ele, entre as quais está o PL 2789/2023, o “PL das Velocidades Seguras”. A quarta versão do parecer do relator ainda não conseguiu reunir o apoio necessário. “O relatório que foi apresentado não atende exatamente aos anseios dos partidos”, afirmou o presidente da Comissão, deputado Coronel Meira (PL-PE). O texto continua em tramitação e ainda poderá sofrer modificações até que a votação aconteça. A próxima reunião está marcada para 2 de setembro. (Portal do Trânsito)

A palavra “radar”, quando se refere ao dispositivo eletrônico utilizado para fiscalização de velocidade, está associada, para boa parte da população, a um imaginário de punição. O termo “câmera de segurança”, por outro lado, transmite a ideia de proteção e prevenção. Além da velocidade, esses equipamentos monitoram diversos outros comportamentos de risco ao proteger travessias de pedestres e registrar avanço de sinal vermelho, por exemplo, trazendo mais segurança ao ambiente viário. A substituição de “acidente de trânsito” por “sinistro de trânsito” demonstra que palavras importam. O uso de nomenclatura adequada pode contribuir para comunicar a fiscalização como proteção e não como armadilha. (ONSV)

Pavor de fiscalização

Um PL apresentado neste mês na Câmara dos Deputados pretende proibir, com punições notoriamente severas, a utilização de equipamentos de fiscalização por velocidade média em todo o país. Multa administrativa, processo administrativo disciplinar, suspensão da função relacionada à fiscalização de trânsito, responsabilização civil por prejuízos provocados aos cidadãos, responsabilização por ato de improbidade administrativa e pena de dois a cinco anos de reclusão acompanhada de multa são algumas das consequências previstas para municípios, concessionárias, permissionárias e empresas contratadas que operem esse tipo de fiscalização, caso o projeto seja aprovado. (Banda B; texto do PL em Câmara dos Deputados)

Outro PL em tramitação prevê a nulidade automática das infrações registradas por radares que estejam ocultos, camuflados ou instalados sem a sinalização prévia. De acordo com a proposta, a instalação dos dispositivos deverá permitir que o condutor identifique previamente a presença do equipamento, de forma a evitar situações em que o motorista seja surpreendido pela fiscalização sem ter condições de perceber a existência do radar. (Gazeta do Paraná)

Mobilidade ativa

Informações do Ministério da Saúde mostram que as mortes de pessoas com mais de 60 anos vêm aumentando. O número de óbitos nessa faixa etária em 2023 representa crescimento de 3% em relação a 2022 e de 10% em relação a 2021, sendo que atropelamentos têm participação expressiva nesse grupo. Levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego também mostra crescimento das internações de pedestres idosos. Na comparação entre o primeiro semestre de 2023 e igual período de 2022, houve aumento de 37,9% nas internações de pessoas entre 60 e 69 anos; de 26,6% no grupo de 70 a 79 anos; e de 34,2% no grupo de pessoas com 80 anos ou mais. (Portal do Trânsito)

Dados da Contagem de Ciclistas 2026, realizada pela Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife, mostram grandes diferenças entre municípios daquela região metropolitana quanto à participação das mulheres entre as pessoas que usam bicicleta como transporte. No município de Ipojuca, por exemplo, que tem ampla infraestrutura cicloviária, a proporção chega a 20%; em Moreno, por outro lado, um local marcado por eixos rodoviários hostis, as mulheres correspondem a apenas 2% dos usuários de bicicleta. A presença feminina é considerada um indicador da qualidade e segurança de um ambiente viário. (JC)

Entre 2022 e 2025, 60 ciclistas morreram em ocorrências de trânsito no Distrito Federal, segundo informações do Detran-DF. Na avaliação de Adriana Souza, especialista em mobilidade urbana, as condições de segurança variam bastante conforme o horário, a estrutura disponível e o trajeto realizado. “Os ciclistas encontram dificuldades nas interrupções da infraestrutura, nas travessias, iluminação, manutenção do pavimento, sinalizações inexistentes ou apagadas, nos conflitos com os veículos e nas altas velocidades praticadas”, explica. (Jornal de Brasília)

Transporte público

As tarifas de ônibus em toda a Inglaterra (com exceção de Londres, que tem política tarifária própria) voltarão a ter preço limitado em £ 2 a partir de janeiro de 2027. A medida é parte de um conjunto de ações para enfrentar o aumento do custo de vida da população. Na justificativa para a redução das tarifas, o governo amplia o debate para além da mobilidade, considerando o transporte coletivo como infraestrutura essencial para garantir acesso a emprego, educação, saúde e oportunidades econômicas. (ANTP)

A falta de prioridade política e de uma gestão voltada para o transporte coletivo está por trás da crise que vive o transporte público por ônibus no Brasil, de acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Segundo dados da edição mais recente de seu Anuário, referente ao biênio 2025-2026, o setor acumulou cerca de 40% de perda na quantidade de passageiros pagantes nos últimos dez anos, um processo em curso, portanto, desde antes da pandemia. Enquanto isso, o transporte individual motorizado avança em ritmo recorde. (JC)

Dados

Levantamento feito pelo Detran-SP sobre emplacamentos de veículos no primeiro semestre deste ano na capital paulista mostra mudança no perfil da frota. Houve crescimento de 5,7% nos registros de motos e um salto de 23,7% na quantidade de SUVs novos, em comparação ao mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, houve queda de 7% nos registros de automóveis. De acordo com a última edição da Pesquisa Origem e Destino do Metrô, o número de famílias com motocicletas em casa cresceu 50% na região metropolitana de São Paulo. (FSP)

Temos um novo recorde no número de mortos em sinistros envolvendo motocicletas na cidade de São Paulo. Foram 48 óbitos em julho, o maior número mensal desde o início da série histórica do Infosiga, em 2015. De janeiro a julho houve 286 mortes, também maior total nesses sete meses, em toda a série. Além do crescimento da frota, deve-se considerar entre os fatores o avanço das entregas e dos serviços intermediados por aplicativos, aumentando o tempo de exposição desses trabalhadores aos riscos das ruas. (Portal do Trânsito)

A cada dia, cerca de 33 motociclistas, em média, perdem a vida no Brasil. No final da década de 1990, esse segmento representava 3% de todos os óbitos causados pelo trânsito. Essa participação subiu para 28% em 2012 e para 35% em 2021. Atualmente, motociclistas correspondem a aproximadamente 40% das vítimas da violência viária. Em números absolutos, o Brasil ocupa a terceira posição mundial entre os países que mais matam motociclistas, atrás apenas da Índia e da China. É este o cenário em que o país se encontra no Dia do Motociclista, celebrado anualmente em 27 de julho. (Correio Braziliense)

Culto à velocidade

“O custo do frete é visível no aplicativo, mas o custo humano dessa rapidez ainda é um valor que a sociedade precisa aprender a contabilizar”. Em artigo de opinião, o engenheiro Carlos Moya avalia como a engrenagem econômica contribui para agravar o quadro da violência viária no país. Considerando que as “empresas de aplicativos vendem o ‘já chegou’ como promessa publicitária, enquanto remuneram o entregador por produtividade”, seria necessário, segundo o articulista, repensar as regras de remuneração, estabelecendo tempos de entrega compatíveis com a segurança viária. (Estadão)

Um monitoramento utilizando fiscalização por velocidade média, feito em um trecho de 11 km da rodovia BR-050 na região de Uberaba (MG), registrou um número de violações do limite de velocidade 66 vezes maior se comparado à fiscalização pontual. Outras ações semelhantes estão em curso ou previstas em rodovias federais. Elas têm caráter educativo, uma vez que a legislação brasileira de trânsito ainda não prevê aplicação de multas por velocidade média. (Jornal Nacional)

Internacional

Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 2011 e 2025 houve diminuição de 21% no número de mortes no trânsito em todo o mundo. O ritmo da queda, entretanto, ainda não é suficiente para se alcançar a meta de reduzir pela metade as mortes e lesões graves até 2030. O dado foi apresentado durante reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre segurança viária. O avanço é bastante desigual entre os continentes. Enquanto na Europa houve redução de 36%, a África registrou aumento de 17% nos óbitos. Nas Américas não houve redução significativa no período analisado. (Portal do Trânsito)

Artigo técnico publicado recentemente busca demonstrar as limitações de se avaliar a segurança viária com base em um único indicador, como o número de pessoas mortas ou gravemente feridas no ano anterior. O trabalho apresenta os Indicadores de Desempenho de Segurança (SPIs, na sigla em inglês), faz distinção entre indicadores medidos antes e depois das ocorrências e discute o que pode ser mensurado com novas fontes de dados e como relatórios regionais podem ser elaborados de forma estatisticamente sólida. (Agilysis, em inglês)

AGENDA

Acontece no dia 24 de setembro, em Brasília, o encontro Guia de Gestão de Velocidade: caminhos para uma mobilidade mais segura nos municípios brasileiros. Gestores públicos e equipes técnicas municipais estarão reunidos para discutir experiências e estratégias para a implementação de políticas de gestão de velocidade que contribuam para reduzir mortes e lesões no trânsito e promover cidades mais seguras e humanas. O evento é organizado pela União de Ciclistas do Brasil e pelo WRI Brasil, com apoio da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos. As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas. (ReDUS)

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