16 de março: A bicicleta como ferramenta para São Paulo enfrentar a crise climática

Veja como o PlanClima SP e as ações, projetos e atividades da Ciclocidade trabalham juntos para transformar a mobilidade da nossa capital.

O Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, celebrado em 16 de março, foi instituído pela Lei nº 12.533 com o objetivo de articular debates e mobilizações para a proteção dos ecossistemas brasileiros. Em uma metrópole como São Paulo, onde o setor de transportes é um dos maiores emissores de poluentes, essa conscientização deveria passar, obrigatoriamente, por repensar a forma como nos deslocamos.

Para enfrentar esse desafio, o município conta com o PlanClima SP (Plano de Ação Climática). Instituído em 2021 pelo Decreto nº 60.289, o plano estabelece metas ambiciosas para neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2050.  No entanto, para que São Paulo se torne uma cidade neutra em carbono, é fundamental inverter a lógica atual e priorizar os modos de transporte coletivos e os deslocamentos ativos a pé e por bicicleta.

O PlanClima vs. a Realidade: O desafio da transição energética

A visão do PlanClima SP projeta uma cidade menos desigual e resiliente. Para que isso efetivamente aconteça, necessitamos da redução da dependência do uso do transporte individual motorizado para menos da metade do que presenciamos atualmente é uma transformação completa no sistema de mobilidade priorizando o transporte público e desafio de ampliar definitivamente o uso de bicicletas e a caminhabilidade.

Em se tratando de mobilidade ativa, a meta do PlanClima é elevar os deslocamentos por bicicleta em São Paulo dos atuais 0,8% (registrados na Pesquisa Origem-Destino de 2023) para 4% até 2030, 6% até 2040 e 8% até 2050. Para consolidar esse crescimento, é fundamental aliar vontade política a investimentos contínuos em uma infraestrutura cicloviária conectada e segura, além de incentivos concretos à intermodalidade com o transporte público. Mas como monitorar essa meta? 

O papel da Ciclocidade: dados para a incidência política

Em 2020, a Ciclocidade contribuiu para a elaboração do PlanClima e integrou a comissão responsável pela construção da Agenda Municipal 2030. Acompanhando as metas estabelecidas por esses dois planos, em 2022 a organização firmou um termo de cooperação com a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT) e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para desenvolver estudos, oficinas técnicas e intercâmbios voltados à formulação do indicador da meta 11.2.7. Esse trabalho resultou na criação de uma metodologia de monitoramento capaz de estimar com segurança o aumento no número de viagens de bicicleta na cidade, que passou a integrar a Agenda 2023. No mesmo ano Prefeitura de São Paulo, por meio da SME e da Secretaria de Relações Internacionais (SMRI), publicou o “Plano de Monitoramento de Viagens por bicicleta”. O material foi produzido pela Ciclocidade, com apoio da SMT, da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e Partnership for Healthy Cities. 

A publicação se insere dentro do contexto da elaboração de um sistema municipal de monitoramento de viagens em bicicleta capaz de endereçar, com periodicidade adequada, a pertinente questão: a quantidade de viagens em bicicletas nas ruas de São Paulo está aumentando? O indicador criado pode  ser executado pela própria municipalidade sem depender exclusivamente de pesquisas Origem e Destino, executadas a cada 5-10 anos pelo Governo do Estado, e vai auxiliar a Prefeitura no monitoramento de uma expressiva meta, explica Haydee Svab, uma das responsáveis pelo estudo. 

Inovação no Monitoramento

No Plano de Monitoramento de Viagens por bicicleta, foi criado um indicador capaz de ser executado pelo município, e auxilia a prefeitura no monitoramento da meta. Haydée comenta: “A última Pesquisa OD, de 2017, apontou que 0,8% das viagens na cidade são feitas em bicicletas. De acordo com o Plano de Ação Climática do município, a meta é chegar a 4% até o ano de 2030. Nesse contexto é que entra nosso trabalho, pois precisávamos de mecanismos mais eficientes para realizar o monitoramento, com a periodicidade e a frequência que um objetivo como esse demanda”.

Como resultado, o relatório apresenta os achados da maior contagem de ciclistas da história de São Paulo, realizada em 210 pontos, o modelo elaborado para estimar o volume de ciclistas e o plano de contagens da CET. Esse plano estabelece o monitoramento contínuo de 110 pontos em caráter bianual (55 por ano), consolidando o sistema de monitoramento de viagens de bicicleta da cidade.

O que vem por aí em 2026

Em parceria com a SMT e a CET, a Ciclocidade deu início, em dezembro de 2025, à atualização do “Monitoramento de Viagens de Bicicleta em São Paulo”. Desde o final do ano passado, em cooperação com técnicos da SMT e da CET, a equipe do projeto, coordenada por Yuri Vasquez, elaborou um robusto plano de trabalho e analisou e discutiu os desafios da coleta de dados em campo, incorporando aprendizados da edição realizada em 2023. Com o recente aumento no número de bicicletas elétricas, ciclomotores e dispositivos de mobilidade autopropelidos, a equipe de pesquisa também definiu novos padrões para a caracterização e classificação desses veículos durante as abordagens de campo. Atualmente, o projeto está em fase de formação e capacitação da equipe que irá a campo para realizar a coleta de dados das contagens de ciclistas na cidade. 

Atingir a meta de 4% exige não apenas um monitoramento constante da evolução do número de ciclistas, mas também investimentos territoriais integrados, como ciclovias seguras e calçadas acessíveis, que tornem a mobilidade ativa uma alternativa concreta no combate às mudanças climáticas, comenta Yuri Vasquez, Coordenador do Projeto.


Os resultados desta nova edição estão previstos para junho de 2026. Até lá, seguimos trabalhando para que São Paulo avance rumo a uma mobilidade mais justa, sustentável e resiliente.

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